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Talento e superação: jovem portador de AMC luta contra suas limitações físicas

O jovem Lucas Silva foi diagnosticado com artrogripose múltipla congênita (AMC), uma doença que provoca rigidez e deformidades nas articulações

Um jovem de 17 anos, que estuda, toca instrumento, pinta, faz embaixadinhas e sai para passear. Essa poderia até ser uma história comum, se o Lucas Silva, não tivesse nascido com os membros atrofiados. A singular história do nosso protagonista vem impressionando muita gente, dentro e fora do Maranhão.

Natural de Lago da Pedra, Lucas mora com o pai, Seu Messias e com os irmãos menores, Thaís, 13, e Luan, 9, há pouco mais de um ano em São Luís. O jovem foi diagnosticado com artrogripose múltipla congênita (AMC), uma doença que provoca rigidez e deformidades nas articulações, uma contratura muscular. Seu Messias conta que mesmo sendo pai muito novo, conseguiu criar e educar os filhos.

Me tornei pai do Lucas aos 18 anos, e sempre tive muita responsabilidade. Sempre trabalhei muito para não deixar faltar nada. Aqui em São Luís, a mesma coisa, estão todos estudando, eu trabalhando e assim a gente se ajuda. O Lucas sempre foi um menino bem dedicado, bem amado por todos, pelos funcionários da escola, pelos alunos. E pra mim ele é e sempre será motivo de orgulho

A doença foi então encarada como um desafio. Lucas, desde que entrou na escola aos 3 anos de idade, demonstrou interesse pela arte. Sem poder usar totalmente as mãos, o jovem começou a explorar outros membros do corpo, como os pés e a boca, para exercitar suas atividades diárias. De lá para cá, foi aprimorando seu dom e não parou mais.

Eu comecei a pintar desde os três anos de idade, primeiro com pés. No início foi difícil, comecei de pouquinho em pouquinho. Mas com o tempo, depois de ir treinando, me adaptando, eu já conseguia escrever ou pintar com mais felicidade. Tempos depois, eu comecei a pintar com a boca. Aprendi a tocar teclado aos 7 anos. Sempre via as pessoas tocando nas ruas, em frente a lojas, e eu achava muito bonito. Ganhei um teclado lá no interior e fui aprendendo sozinho. Hoje eu toco na banda da igreja e tenho um professor de música, que me ajuda muito

O talento é tanto, que a notícia se espalhou e chegou à Suíça. Desde 2016, o nosso jovem artista faz parte da Associação dos Pintores com a Boca e os Pés (APBP), que há mais de 60 anos, reproduz o trabalho de quem usa os pés e a boca para fazer arte, principalmente na forma de cartões, calendários e outros produtos. Hoje mais de 800 artistas de 75 países do mundo fazem parte da Associação.

No Brasil, cerca de 53 artistas são membros recebem assistência da instituição, muitos deles dão palestras e demonstrações das pinturas em escolas, empresas e outros grupos interessados. Com o apoio da instituição, e o incentivo da família e amigos, o jovem tem feito apresentações no interior do Maranhão e em outros estados também, levando pelo Brasil afora seu talento e sua história de superação.

Você pensa que acabou?! As conquistas não param por aí não. O jovem mostrou que a persistência é a palavra chave para ter sucesso. Ele que sempre gostou de pintar, agora está tendo a chance de aprimorar esse talento. Lucas foi aprovado na faculdade Estácio São Luís e está cursando Design. Ele conta que fazer o que gosta, torna tudo mais fácil.

Pra mim foi um prazer, sempre quis fazer faculdade, me formar no curso que eu gosto, e eu fiquei super feliz quando o diretor me falou que eu teria uma meia bolsa, porque já me ajudaria bastante. Então eu fui, fiz a prova e passei. Estou lá há duas semanas, e estou adorando

A cadeira adaptada às necessidades do Lucas, que a família mandou fazer ainda na escola, também o acompanha na faculdade, facilitando a escrita desenvolvida com os pés. Prezando pela inclusão, a universidade tem proporcionado ao jovem vivenciar novas experiências e ter uma qualificação para o futuro.

E por falar em futuro, quando questionado sobre o que ele espera daqui pra frente, sem pensar duas vezes, demonstra que não é muito fã de sonhos convencionais, muito pelo contrário, deseja um futuro de sucesso sem deixar de ajudar o próximo.

Sobre o meu futuro, eu espero muito crescer na arte, me formar em Design, aprimorar meus conhecimentos. Eu penso mais pra frente também criar uma empresa de design, ajudar outras pessoas a desenvolverem seus talentos, na arte, na pintura, na música, eu pretendo mostrar meu talento para incentivar as pessoas pelo mundo afora

Essa reportagem poderia ter explorado a parte triste, ter falado sobre o preconceito, sobre as dificuldades. Mas a história de vida do Lucas é tão inspiradora que não teria o menor sentido, se não enfatizasse as coisas boas que ele vem fazendo. E ele deixa um recado!

Sempre fui bem persistente, eu nunca desisti de nada, sempre tentei até conseguir. Eu amo pintar, adoro tocar teclado, gosto de desenhar então é sempre bom a gente fazer o que gosta e nunca desistir dos nossos sonhos! E digo que nós não devemos desistir, nunca!

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