CULTURA

Samba Divino para Casa de Nagô

Artistas se reúnem em prol da Casa de Nagô, que passa por dificuldades financeiras para realizar a sua tradicional Festa do Divino, que acontece sempre no mês de maio

Reprodução

Fundada em meados do Século XIX, a Casa de Nagô, localizado na Rua Cândido Ribeiro, no Centro de São Luís, considerada uma das maiores referências de culto afro de matriz africana está passando por dificuldades financeiras para realizar a sua tradicional festa do Divino Espírito Santo. Por conta desta situação, uma comissão formada por pessoas que lutam pela preservação do templo realiza neste domingo (28), a partir das 17h, o Samba Divino Nagô, no Centro de Cultura Negra, Rua dos Barés, no João Paulo. O evento terá como atrações os grupos Apoteose, Sambaê, Tôdemais, Jeito Novo, e  Sindicato do Samba.

Segundo Alex Correia que atualmente responde pela casa adiantou que a renda será toda revertida para a Festa do Divino Espirito Santo da Casa De Nagô, que começa no próximo dia 19 de maio com abertura da tribuna e busca do mastro. O festejo contará ainda com uma vasta programação com missa solene em louvor ao Divino Espírito Santo, toque de caixa, derrubamento do mastro, coroação dos novos impérios, além de ladainha em louvor de São Benedito.

Alex Correia revelou a O Imparcial, que está acompanhando as atividades da Casa de Nagô há 43 anos e que desde menino frequenta o local. Sua abisavô Dona Vitorina era vondusi e dançava tambor de Mina desde os sete anos de idade e permaneceu na casa até quando faleceu aos 100 anos.  “Atualmente a casa não conta mais com as vondusis, que são mulheres que dançam tambor de mina. As obrigações necessárias nós conseguimos ainda fazer porque percebemos a importância de mantermos a casa em funcionamento. Só lamento que desde 2010 não estão acontecendo mais o toque de tambor de mina. A partir do momento que uma casa de matriz africana deixa de fazer o o tambor de mina que é o principal ritual da casa, a gente percebe o declínio, porque isso mantinha a casa mais cheia, mais povoada. Infelizmente a a casa está esvaziada hoje. Essa é a verdade”, ressaltou Alex Correia.

Atualmente só duas senhoras moram na Casa de Nagô onde mantém o local limpo e preservado para visitação. “As obrigações principais eu tenho o cuidado de fazer. Eu não moro na casa. Eu tenho a minha casa própria. Eu vou aos finais de semanas ou quando estão se aproximando as datas principais do rituais. Muito embora seja uma casa de ordem martriacal essa foi uma missão que me foi dada  por uma vodusi da casa, Tia Lúcia que no ano 2000 me passou o direcionamento do tambor de mina”, acrescentou Alex Correia. O filho de santo acredita que existe a possibilidade da volta do toque do tambor de mina, e que tudo depende da permissão de deus e Xangô que é dono da casa permitir que algumas entidades escolham mulheres para estarem lá para que a casa se reestruture novamente. 

Sobre a Casa de Nagô

A Casa de Nagô é uma casa de Tambor de Mina localizada na Rua Cândido Ribeiro (também chamada de Rua das Crioulas), no centro histórico de São Luís, no estado do Maranhão, no Brasil. Dedica-se ao culto dos orixás nagôs, como Logunedé, Afrekete, Yewá, Obaluaiyê, Nanã Burukú, Ogum, Xangô, Iemanjá, Orixalá e Iansã e das entidades (espíritos de europeus, chamados de Gentis e de indígenas nativos do Brasil, chamados de caboclos) como Dom Luís, o Rei de França, Dom João, Dom Floriano, Dom Sebastião, Seu Zezinho de Amaramadã, Rei da Turquia, Seu Ricardino, Seu Caboclo Velho, Princesa do Ouro, Seu Guerreiro, Dona Mariana, Seu Légua Boji e Seu João da Mata, foi fundada à época do Brasil Império, por malungos africanos, com o auxílio da fundadora da Casa das Minas, e influenciou os demais terreiros de São Luís.

O Nagon Abioton é dedicado ao orixá Xangô, e compreendia a parte dos fundos de duas casas modestas mantidas por uma irmandade religiosa. O terreiro passou por períodos de grave crise financeira, foi fechado e reaberto, foi vendido e readquirido pela mesma irmandade, porém dessa última vez, a reaquisição correspondeu somente a uma das casas, que é onde funciona até hoje.

Possuindo hierarquia matriarcal, umas de suas mais importantes vodúnsis foi a Mãe Dudu, por quem era conhecida Victorina Tobias Santos (1886-1988), filha de Iemanjá e que muito contribuiu para o seu tombamento. Hoje, apesar do descaso cultural e do número bem reduzido de brincantes, das quais, mulheres de avançada idade, estas esmeram-se por manter o calendário tradicional da casa e a realizar a duros esforços as principais festas do ano, onde são recebidas entidades africanas e caboclas de origem européia ou nativa, dentre essas festas, podemos citar: 20 de janeiro – São Sebastião (Obaluaiyê); 04 de dezembro – Santa Bárbara (Iansã); 08 de dezembro – Nossa Senhora da Conceição (Iemanjá), a Quarta Feira de Cinzas e a festa do Divino Espírito Santo, essas com data móvel.

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