RADIODRAMAS

Fôlego Curto: Dramas do cotidiano em formato de radionovela

Pesquisador e dramaturgo Igor Nascimento, pegou nove histórias de psicodrama, comédia e fantasia, por exemplo, que compunham seu livro Fôlego Curto, e as adaptou para transmissão radiofônica. Durante dois meses serão ouvidas a partir de uma rádio comunitária, localizada na periferia de São Luís

Foto Mono Estúdio

Monólogo, drama, tragédia, comédia e fantasia são alguns dos tipos de escrita explorados pelo pesquisador, dramaturgo, roteirista e diretor, Igor Nascimento nos textos do livro Fôlego Curto, que agora viram peças radiofônicas dentro do projeto  Fôlego Curto: Dramas para Ouvir, contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2017-2018. Todo mês, a rádio comunitária Bacanga FM colocará no ar uma história das nove que compõem o radiodrama. A veiculação será às segundas-feiras, 20h, com reprise às quartas-feiras, e irá até 24 de junho.

A pré-estreia aconteceu no Clube do Vinil, com a transmissão de uma das fábulas, já que o projeto se apoia nas plataformas de comunicação comunitária e propõe leituras e escutas do texto teatral, indo ao encontro dos moradores/ouvintes da Área Itaqui-Bacanga, zona periférica de São Luís (MA), com mais de 200 mil habitantes.  Depois da distribuição pela rádio, as peças serão disponibilizadas no site da emissora e em streaming e podcast – disponível para veiculação em outras rádios comunitárias e públicas.

As narrativas abordam temáticas diversas, como a violência urbana, a terceira idade, o Alzheimer, notícias de jornais, o esquecimento. As técnicas de escrita mesclam montagens, prosas poéticas, diálogos entrecruzados, narrações, testemunhos, monólogos. O elenco responsável pelas interpretações é composto pelos artistas Cláudio Marconcine, Maria Ethel, Rosa Ewerton Jara, Gisele Vasconcelos, Aziz Júnior, Renata Figueiredo, Lauande Aires, Marcelo Flecha, José Ignacio, Nuno Lilah Lisboa, Vítor Silper, Al Danúzio, Dênia Correia, José Oliveira, Joas Coelho, Jariane Muniz, Samira França, Xico Cruz, Juliana Cutrim e Tássia Dur.

Fora do ar foi a primeira história a ser colocada no ar da comunidade, no último dia 29 de abril. Chica assiste a terceira reprise de novela mexicana Maria del Mar. De repente, a TV sai do ar e, quando volta, a protagonista de novela, Maria, fala diretamente com ela. Em meio a melodramas, merchandising, choros e trilhas emotivas, as duas descobrem o que tem em comum ou não.

Confira os próximos episódios

No dia 6 de maio será exibida O dia da morte de Irene. Pedro, é viúvo de Irene, e aguarda anualmente sua falecida esposa aparecer no dia de aniversário de sua morte, para falar sobre a tragédia daquele fatídico dia que sempre volta.

Carne-Moída, no dia 13, é sobre a internet e a tecnologia, que atualmente permitem que toda e qualquer pessoa registre um acontecimento e o divulgue em diversos lugares. O enredo se desenvolve a partir de uma briga entre Firmino e Natanael, em plena feira, quando um bate no outro com um pedaço de pau. A confusão é registrada pelas pessoas no local e cai nas mãos de alguns jornais sensacionalistas.

Na radionovela da semana seguinte, Sobre ovos, galinhas e revolução, no dia 20, Patrick e Bruno, dois intelectuais, querem derrubar o sistema capitalista e traçam uma estratégia de marketing para convencer as pessoas. O logotipo do projeto que, para eles, derrubará a ordem vigente é uma Galinha.  Quelô, em Você não me conhece, que vai ao ar no dia 27, está em um ônibus que será queimado. É véspera de ano novo e nesse momento, é possível acompanhar o fluxo de seus pensamentos, que misturam ideias de fogo, presente, passado, futuro e cicatrizes.

Crônica do esquecimento, no dia 3 de junho, apresenta a própria ausência de memória como narrador e fala sobre a história de seu dono, Osvaldo. Depois, no dia 10, é a vez de Irina fazer um strip-tease para o seu marido, Almir, em Ruídos da Pele. Ela hesita em se apresentar, sair do banheiro. Ele estranha. A partir daí, descortina-se um diálogo desconexo, onde a relação, a mesmice e as inquietações de Irina são reveladas.

A história do dia 17 de junho, Tempestade, mostra Ana explicando para seu marido as razões pelas quais o matou. Enquanto isso, os moradores do condomínio batem na porta reclamando do barulho incômodo.

Na data de encerramento da radiodrama, 24 de junho, o conto é Um dedo por um dente, sobre duas caveiras: Procópio e Torquato. Procópio perdeu o dente, Torquato, o dedo. Parece uma perda simples, mas para um esqueleto isso pode significar toda uma existência ou toda uma inexistência.

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