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EDUCADOR NOTA 10

Projeto sobre reggae entre os finalistas do Prêmio Educador Nota 10

Trabalho da professora Marcelia Leal Silva, de São Luís, é finalista do Prêmio Educador Nota 10 com projeto viabilizado 100% com recursos próprios e ajuda de terceiros

Reprodução

Foi de uma escola no bairro Cruzeiro do Anil que saiu um dos 50 projetos finalistas do Prêmio Educador Nota 10, maior e mais importante prêmio da Educação Básica Brasileira. A professora responsável? Bem, ela já pode ser considerada educadora nota 10 pela persistência em desenvolver um projeto em escola pública, com recursos próprios, ajuda de terceiros, da família e rifas e ser reconhecida nacionalmente.  Falamos de Marcelia Leal Silva, da Unidade Integrada Maria do Carmo Abreu da Silveira, em São Luís, que conseguiu estar entre as 50 finalistas de 19 estados,  com o projeto de língua estrangeira “Reggae: uma arte de resistência”.  O resultado sai na segunda-feira, dia 20.

Durante 3 meses, dia e noite, Marcelia e mais 150 alunos do 7º, 8º e 9º ano se dedicaram a desenvolver o projeto que envolveu sequências didáticas repletas de canções de reggae jamaicano e nacional. Além disso, a cada semana, uma sala recebia artistas convidados para um diálogo. Nessas ocasiões, os estudantes decoravam o espaço, cantavam, declamavam poemas e presenteavam os homenageados com produções escritas ou artísticas.

O projeto incluiu uma visita ao Museu do Reggae e um festival na quadra da escola, que contou com a presença de bandas, cantores e músicos da cena do reggae maranhense. “Ficávamos todos os dias até quase até 21h preparando material para receber os convidados. E no outro dia, cedinho, eu tinha que estar ali dando aula de conteúdos gramaticais, oralidade… nas músicas de reggae. Fomos de coletivo para o Museu do Reggae porque o político que ia fazer a doação do ônibus desistiu. Tive que pagar a passagem dos meninos do bolso, porque via no rosto deles a frustração”. Esses foram um dos inúmeros contratempos, contados pela educadora, ocorridos durante o projeto. Mas agora, ela é só alegria pelo reconhecimento do trabalho. “Esse projeto foi desenvolvido com muita dificuldade, obstáculos e preconceito também. Vejo esse momento como um reconhecimento profissional por um trabalho que venho desenvolvendo há muito tempo e com grande responsabilidade. Minha expectativa é que esse projeto tenha grande visibilidade, aceitação pela banca selecionadora, porque ele é o retrato da realidade. A temática escolhida é o que nossos alunos vivem. A forma como foi desenvolvido o projeto foi digno de aplausos. Não é fácil desenvolver projeto em escola pública. Nunca foi”, disse Marcelia.

Um dos objetivos do projeto foi quebrar preconceitos, inclusive raciais, que cercam o reggae. O ponto alto foram as recepções para os convidados do movimento reggae, como:  Raiz Tribal, Filhos de Jah, Tribo de Jah, Guetos, Capital Roots, Vila Verde, Sly Foxx,  Dun Brown, César Toty, Henrique Veras, Fabiana Rasta (virtual), DJs Waldiney e Wagner Roots, Ademar Danilo, gestor do Museu do Reggae.

“Desenvolvemos de forma em que os alunos pudessem ser protagonistas, enxergando a escola como lugar de vivência, conhecimento científico e cultural. Conseguimos elevar a autoestima deles a partir do momento que souberam que receberiam convidados. Se viram importantes nesse cenário. Tivemos no último dia um festival com esses convidados. Cantaram a manhã toda, no sol, como forma de agradecimento aos alunos. Show grátis de primeira”, comemora a professora.

Um trabalho que ficará para a vida toda

O que vai ficar desse trabalho? Muita coisa, segundo a professora, mas principalmente, algo que poderá ser levado para a vida: saber que sempre podem mais. “São inúmeros os aprendizados: O uso da língua inglesa de forma real, a importância do respeito ao outro, pois o reggae carrega essa questão social, levam também para a vida o autoconhecimento, sabendo do que eles são capazes e conhecimento de mundo, que é o que eles precisam. A escola não pode mais ser aquele ambiente fechado, conteudista onde o professor é protagonista. A realidade é outra. Ou trazemos o aluno para perto de nós ou a escola fracassa”, disse a educadora.

10 trabalhos selecionados

Neste ano, quase 4 mil trabalhos foram inscritos na premiação. A seleção dos 10 vencedores será anunciada no dia 20 de julho. Eles ganham um vale-presente no valor de R$ 15 mil. Já o Educador do Ano escolhido pela Academia de Jurados, e que será reconhecido ainda neste ano, recebe outro vale-presente, também no valor de R$ 15 mil. As escolas dos vencedores também recebem uma verba para celebração.

Entre os projetos selecionados, 10 são de Língua Portuguesa, 5 de Educação Física, 4 de História, 4 de Geografia e 4 focados no aprendizado de crianças bem pequenas. Artes, Ciências da Natureza, Matemática, Coordenação Pedagógica e Língua Estrangeira, tiveram 3 trabalhos cada, escolhidos. Completam a lista, 2 projetos de Diretores e outros 1 para crianças pequenas, além de 1 de cada uma das seguintes disciplinas: Física, Química, Filosofia e Biologia, junto com 1 trabalho focado em bebês. Por ciclo educacional, são 25 do Ensino Fundamental – somados anos iniciais e finais –, 14 do Ensino Médio e 6 da Educação Infantil. Há ainda 5 trabalhos de Gestão Escolar. A região do país com maior representatividade entre os finalistas é a Sudeste, seguida pela Nordeste, Sul, Norte e Centro-Oeste.

Ao longo das últimas 22 edições foram recebidos mais de 75 mil projetos, e foram premiados 241 educadores, entre professores e gestores escolares, que receberam aproximadamente R$ 2,6 milhões.

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