"DESCOBRIMENTO"

O que os portugueses viram ao chegar no Brasil em 1500?

Reunimos trechos da Carta de Pero Vaz de Caminha, o relato oficial da chegada dos portugueses ao Brasil pela primeira vez, em 1500. Confira

Ilustração

Neste dia 22 de abril, em 1500, os portugueses chegavam ao território brasileiro pela primeira vez, consagrando a data que chamamos de “Descobrimento do Brasil” – termo debatido por historiadores, uma vez que já existiam nativos nas terras.

O primeiro contato entre os lusitanos e a terra dos nativos brasileiros (“índios”) rendeu o relato do escrivão oficial da navegação, Pero Vaz de Caminha, que até hoje é objeto de estudo de historiadores.

Quando concluída, “A Carta de Pero Vaz de Caminha” foi enviada ao então Rei de Portugal, Dom Manuel I, e classificada como secreta para não chegar às mãos da Espanha. Atualmente, está no Arquivo da Torre do Tombo, que é o Arquivo Nacional de Portugal.C


Carta de Pero Vaz de Caminha (1500). Imagem: Arquivo da Torre do Tombo, Portugal.

Trechos da Carta

A pele deles é parda e um pouco avermelhada. Têm rostos e narizes bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Nem se preocupam em cobrir ou deixar de cobrir suas vergonhas mais do se que preocupariam em mostrar o rosto. E a esse respeito são bastante inocentes. Ambos traziam o lábio inferior furado e metido nele um osso verdadeiro, de comprimento de uma mão travessa, e da grossura de um fuso de algodão, fino na ponta como um furador. (…)
Os cabelos deles são lisos. E os usavam cortados e raspados até acima das orelhas. E um deles trazia como uma cabeleira feita de penas amarelas que lhe cobria toda a cabeça até a nuca (…).
Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, eles se tornaria, logo cristãos, visto que não aparentam ter nem conhecer crença alguma. Portanto, se os degredados que vão ficar aqui aprenderem bem a sua fala e só entenderem, não duvido que eles, de acordo com a santa intenção de Vossa Alteza, se tornem cristãos e passem a crer na nossa santa fé. Isso há de agradar a Nosso Senhor, porque certamente essa gente é boa e de bela simplicidade. E poderá ser facilmente impressa neles qualquer marca que lhes quiserem dar, já que Nosso Senhor lhes deu bons corpos e bons rostos, como a bons homens. E creio que não foi sem razão o fato de Ele nos ter trazido até aqui.

Um trecho da Carta escrita de Pero Vaz de Caminha

           Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta mais ao Sul até a outra ponta ao Norte, do que nós pudemos observar deste porto, é tão grande que deve ter bem ou vinte e cinco léguas de costa. Ao longo do mar, têm, em algumas partes, grandes barreiras, uma vermelhas e outras brancas; e a terra é toda chã e muito formosa. O sertão nos pareceu, visto do mar, muito grande; porque a estender os olhos não podíamos ver senão terra e arvoredos – terra que nos parecia muito extensa.            Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem os vimos. Contudo, a terra em si é de bom clima, fresco e temperado, como os de Entre-D’Ouro-E-Minho, nesta época do ano. As águas são muitas; infinitas. De tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por causa das águas que tem!

Outro trecho da Carta
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