SÃO PAULO

Mocidade aposta em Alcione para conquistar o Carnaval

Dona de 10 títulos, a Mocidade Alegre inspirou-se, além de fatos da vida da cantora, também na discografia.A escola mostrará ainda o trabalho que ela fez como sambista

Foto: Reprodução

A cantora Alcione será o enredo da Mocidade Alegre no Carnaval 2018 de São Paulo. O desfile, que pretende emocionar quem for ao sambódromo do Anhembi no próximo dia 10, quando a escola contará na avenida a história da artista dentro do samba, desde que ela saiu do Maranhão em direção ao Rio de Janeiro, ressaltando sua relação com a Estação Primeira de Mangueira. O enredo também marca as comemorações pelos 70 anos de idade e 45 de carreira da cantora que iniciaram no ano passado.

Dona de 10 títulos, a Mocidade Alegre, que tem como presidente Solange Bichara, já fez outras 10 homenagens ao longo de sua história: Zumbi dos Palmares, Genaro de Carvalho, Procópio Ferreira, Moraes Sarmento, Paulo Vanzolini, Raul Seixas, Hans Donner, Clara Nunes, Jorge Amado e Marília Pêra. A Marrom será a décima primeira personalidade homenageada pela escola da Zona Norte da capital paulista.

Foto: Reprodução

Com o enredo A voz marrom que não deixa o samba morrer, o desfile da Mocidade Alegre 2018 estará sob a supervisão de Leandro Vieira, carnavalesco da Mangueira que lidera a equipe que desenvolverá o desfile sobre a vida de Alcione. Vale lembrar que no último carnaval a Mocidade Alegre conquistou o 6º lugar e ficou fora do Desfile das Campeãs pela primeira vez desde 2011.

A escola paulistana, que tem no seu pavilhão estampado as cores vermelha e branco, inspirou-se, além de fatos da vida da cantora, também na sua discografia. A escola mostrará ainda o trabalho que ela fez como sambista, o que a cantora representou para a classe artística na época da ditadura, da repressão, culminando com a própria Alcione no último carro, e outras surpresas que serão reveladas durante o desfile.

A Mocidade Alegre pretende emocionar o público com o samba que tem um refrão Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar, que faz parte da música Não deixe o samba morrer. Considerado um hino para qualquer sambista, o enredo foi pensado para que o povo cante nas arquibancadas e camarotes enquanto a escola estiver desfilando, mostrando a magia do carnaval, por meio de fantasias expressivas, que virão representar os confetes e serpentinas que, no passado, faziam uma guerra de cores no carnaval carioca.

Um dos trunfos que a escola aposta para arrancar, além de emoção e boas notas, será a bateria. Com 25 anos de Mocidade, Mestre Sombra, que é vice-presidente da escola, diretor de barracão e mestre da bateria, busca inspiração para sair da zona de conforto no cotidiano dos ensaios. E para 2018 a percussão traz novidades: “A bateria terá dois momentos, o ritmo puro e a bateria surdo. A ousadia está em fazer a concepção de duas baterias extremamente diferentes dentro de um contexto só, em homenagem à nossa querida Marrom”, adiantou ele.

A apresentação da Mocidade Alegre terá muitos elementos do Maranhão, terra natal de Alcione, e da Estação Primeira de Mangueira, escola do Rio de Janeiro muito ligada à sua trajetória. Um dos elementos que vão garantir a emoção é a participação de cantora, que ajudou na concepção e montagem do último carro, fechando o desfile da Mocidade Alegre.

Sobre Alcione

Cantora e instrumentista nascida em São Luís do Maranhão e radicada no Rio de Janeiro, tem em sua carreira um verdadeiro divisor de águas da historia do samba, ao cantar seu primeiro sucesso Não Deixe o Samba Morrer em plena década de 70, resgatando o ritmo que tinha sua visibilidade ameaçada pela febre da discoteca e do rock importados. Versátil, fez um diálogo do samba com outros ritmos, como os batuques folclóricos do Nordeste, a MPB, a música romântica, o reggae e os boleros. Uma preocupação constante em apresentar uma arte popular carregada de dignidade, poesia, beleza e qualidade. Marrom, como é conhecida, foi a primeira cantora brasileira a se apresentar do outro lado da cortina de ferro, na antiga URSS, para um público de mais de 300 mil pessoas na Praça Vermelha, em Moscou. Isso no início dos Anos 1980, quando o Brasil ainda vivia a repressão da Ditadura Militar e o mundo vivia assustado com a Guerra Fria. Sambista de frequentar quadra e visitar o barracão. Alcione é mangueirense de corpo e alma. De conhecer o morro que foi feito de samba. De ser fundadora e madrinha do pioneiro e grandioso projeto Mangueira do Amanhã.

Outras Homenagens a Marrom

Esta não será a primeira vez que a Marrom receberá tal homenagem. A mangueirense já foi tema do desfile da Unidos da Ponte, no Grupo Especial do Rio, em 1994 (“Marrom da cor do samba”). A escola foi a 15ª colocada (penúltima colocação), mas não houve rebaixamento naquele ano. (Nota do blog: gostamos muito do samba). Antes, em 1989, Alcione já havia sido o enredo da Independentes de Cordovil no Grupo 2 do Rio de Janeiro, com Marrom Som Brasil. Em 2017, a Mocidade Alegre, que também é conhecida como a “Morada do Samba”, terminou na 6ª colocação, com o enredo A vitória vem da luta, a luta vem da força, e a força, da união.

A voz da marrom que não deixa o samba morrer

O samba-enredo da Mocidade Alegre foi composto por Biro Biro, Gui Cruz, Imperial, Luciano Rosa, Portuga, Rafael Falanga, Rodrigo Minuetto e Vitor Gabriel.

Veja a letra:
Mãe negra, baila teu sonho no ar
Exala o canto da flor mais bela
O sol há de brilhar mais uma vez
O povo desce o morro para consagrar
A voz que eterniza a força do nosso cantar
Na gira do jongo que invade o terreiro
Faz do samba de roda
Um batuque feiticeiro
Numa linda aquarela
Marrom é o tom da nossa canção
É raiz da resistência
A negra inspiração

São Luís do Maranhão, ilha do amor
Onde o canto da menina ecoou
A batida do tambor é pro santo abençoar
Bumba meu boi, festança popular

Mulher… toda forma de amar se traduz em você
O dom de tocar corações
Encantar, provocar emoções
À flor da pele declama delírios de amor
Mangueira, sua paixão, Estação Primeira
No chão de esmeraldas em Mangueira
Refloresce a cada carnaval
O amanhã verde e rosa
Ao sambista mais novo
Deixa um pedido final

Não deixe o samba morrer
Não deixe o samba acabar
Na Mocidade, vem ver o nosso povo cantar
A poesia sorriu ao falar de emoção
Em sua voz, Marrom!

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