ARTE

Azulejos de São Luís são tema de oficina em São Paulo

Artista plástico Eng Goan, um dos maiores estudiosos em cerâmica no Brasil, ministra em São Paulo oficina inspirada nos azulejos da capital maranhense

Foto: Camila Cetrone

A azulejaria maranhense que reveste os casarões do Centro Histórico de São Luís será tema da oficina Pintura Em Azulejos: Inspiração Maranhense, que será realizada de 6 a 9 de fevereiro, das 10h às 13h, no Sesc Pompeia, em São Paulo. As inscrições são presenciais e acontecem exclusivamente no Sesc Pompeia, neste mês de janeiro, nos dias 11, para credencial plena; 12, credencial plena e credencial atividade; e 13, para consulta de vagas remanescentes. Valores: R$ 40, R$ 20 e R$ 12, para faixa etária acima de 16 anos.

A oficina que será ministrada pelo artista plástico Eng Goan e integra o projeto Oficinas de Criatividade do Sesc Pompeia, que preparou para este período de férias uma programação com foco na arte popular brasileira.

São mais de 50 atividades, que acontecem entre janeiro e fevereiro, e que mostram a coletividade artística nacional a partir da singularidade dos trabalhos de artesãos e artesãs, em formatos diversos, como oficinas, minicursos, aulas teóricas e intervenções, e trazem um apanhado de técnicas artísticas, como bordado filé, renda de bilro, costura com chita, xilogravura, escultura em madeira, modelagem em cerâmica, confecção de bonecos, fotografia lambe-lambe, entre outras vivências. No caso da oficina inspirada nos azulejos maranhenses serão realizados quatro encontros.

Segundo Eng Goan, o estado do Maranhão é conhecido por sua arquitetura característica. E a capital São Luís guarda um acervo arquitetônico inestimável que lhe rendeu, em 1997, o título de Patrimônio da Humanidade. A azulejaria, de maioria portuguesa, que reveste as fachadas dos casarões, é marca registrada da cidade. Diferente de outros lugares do mundo, o uso dos azulejos passou para o lado de fora dos casarões por conta do clima de São Luís, dando um charme especial à cidade. “Essa oficina prática propõe a pintura de azulejos inspirados nas fachadas dos prédios históricos e na cultura maranhense”, explicou o artista plástico.

Azulejos de São Luís. Foto: Reprodução

Eng Goan estudou cerâmica na Topfershule Im Keramik Art Studio, em Hamburgo, Alemanha, entre 1984 e 1986. No Brasil, formou-se também em artes visuais pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo. É professor do Ateliê de Cerâmica do Sesc Pompeia há mais de 20 anos. O artista é considerado um dos maiores ceramistas do Brasil, especialista na confecção peças vazadas em argila, experimentações em vidro e outras técnicas. O Imparcial conversou com Eng Goan sobre a oficina e outros assuntos. Confira ao lado a entrevista na íntegra.

Sete perguntas a Eng Goan

O Imparcial – Quando você descobriu a cerâmica e o que ela significa em sua vida?

Eng Goan – Descobri a cerâmica por meio da minha irmã, antes de começar o curso de Economia, o qual concluí. Eu sempre desenhei também, mas sempre pensei que a vida é composta de 70%, 80% de trabalho, e precisamos fazer algo que nos dá prazer. Foi quando visualizei que queria fazer artes plásticas e consegui fazer um estágio na área na Alemanha. Isso durante os anos 1970.

O Imparcial – Quais os artistas que motivaram ou inspiraram você a se aprofundar no estudo da cerâmica e outras técnicas?

Eng Goan – Antigamente, nos anos 1960, 1970, não havia muita base de pesquisa para cerâmica, mas tem o Bernard Leach, que me inspirou muito. Li muito os livros dele. Ele era ceramista pesquisador. Ele foi a primeira pessoa a se interessar por cerâmica de alta temperatura. Viajou para o Japão, onde conheceu Hamada e trocaram conhecimento sobre essa técnica. Os livros de Bernard servem como o bê-á-bá da cerâmica, abordando a matéria, desenvolvimentos, processos, técnicas, etc.

O Imparcial – Você estudou cerâmica por dois anos na Topfershule Im Keramik Art Studio, em Hamburgo, Alemanha. Quais foram as maiores dificuldades que você encontrou durante este tempo fora do Brasil?

Eng Goan – No período em que fiquei na Alemanha, tive alguns problemas na família e o fato de estar longe me marcou muito.

O Imparcial – Você conhece São Luís e os seus azulejos? O que o inspirou a fazer esta oficina e o que mais gostou na cidade?

Eng Goan – Acho muito bonito o estado do Maranhão, fui há 10 anos, mais ou menos. Antes, para mim, era mais difícil viajar, mas sempre que viajo, gosto de visitar os museus, igrejas, os pontos importantes dos locais. E lá é muito significativo, pela influência cultural que o estado absorveu das técnicas das pinturas em azulejos.

O Imparcial – Que tipo de técnicas seus alunos vão aprender para confeccionar os azulejos?

Eng Goan – Vamos conversar um pouco sobre cada estilo de pintura nos azulejos, porque é uma técnica muito antiga, o que varia é o estilo de cada cultura. Os alunos pintarão sobre o azulejo já pronto e vão também aprender a moldar um em terracota. Vão aprender como se fazia antigamente e como se faz hoje, modo industrial.

O Imparcial – Você é professor do Ateliê de Cerâmica do Sesc Pompeia há mais de 20 anos. Quando acontecerá uma exposição ou workshop itinerante seu pelo país?

Eng Goan – Já tive alguns trabalhos expostos no circuito Sesc. No momento, não há trabalhos previstos para fora do país. Mas quem quiser saber mais sobre o meu trabalho pode me acompanhar pelas redes sociais.

O Imparcial – Quais são os próximos projetos de Eng Goan para 2018?

Eng Goan – Aprofundar mais meus conhecimentos, com um doutorado, por exemplo, e participar de bienais fora do Brasil.

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