UM RESGATE HISTÓRICO:

São Luís e o legado do Congresso Brasileiro dos Assessores de Comunicação do Sistema de Justiça

Wal Oliveira é jornalista e CEO da WComunicação. Foi assessora de comunicação do Ministério Público do Estado do Maranhão quando da realização do I Encontro dos Assessores de Comunicação do Poder Judiciário e do Ministério Público, em São Luís

Entre os dias 6 e 8 de agosto de 2025, São Luís voltou a ser palco de um encontro que transcende a simples troca de experiências profissionais: o XIX Congresso Brasileiro dos Assessores de Comunicação do Sistema de Justiça (Conbrascom). Mais do que um evento técnico, este congresso carrega um simbolismo profundo, pois nasceu exatamente nesta cidade, no ano 2000, fruto da visão e coragem de duas jornalistas que já enxergavam que a comunicação pública no âmbito da Justiça precisava ocupar um espaço central nas discussões do país.

Na virada do milênio, eu e a minha amiga e jornalista Edvânia Kátia, à época assessora de comunicação do Ministério Público do Estado do Maranhão e do Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região, respectivamente, assumimos esse desafio ousado: reunir, pela primeira vez, assessores de comunicação do Poder Judiciário e do Ministério Público de todo o país para debater práticas, padronizar procedimentos e, sobretudo, construir uma rede de apoio e cooperação profissional. Até então, esse segmento da comunicação ainda era pouco compreendido — e muitas vezes subestimado — tanto pelas próprias instituições quanto pela sociedade.

Realizar o I Encontro Nacional dos Assessores de Comunicação do Judiciário e do Ministério Público, em São Luís, significou abrir portas. E não portas quaisquer: foram portas que permitiram o trânsito de ideias, a circulação de boas práticas e o fortalecimento de uma identidade profissional que, à época, carecia de reconhecimento formal.

O tempo provou que estávamos no caminho certo. Hoje, falar em transparência, linguagem cidadã, prestação de contas à sociedade e fortalecimento da imagem institucional no Sistema de Justiça é quase óbvio. Mas, há 25 anos, era uma aposta visionária. Aquela primeira edição, que reuniu profissionais de vários estados, plantou sementes que germinaram em projetos estruturados de comunicação, em capacitações periódicas e na criação de políticas e manuais que ajudaram a moldar a forma como o Judiciário e o Ministério Público dialogam com a população. Foi a partir daí que nasceram o Fórum Nacional de Comunicação e Justiça (FNCJ), o Conbrascom e o Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça, que reconhece práticas exitosas das assessorias de comunicação dessas instituições em todo o país.

O Conbrascom, ao retornar à cidade, onde tudo começou, traz mais que palestras e painéis; traz a confirmação de que a comunicação pública não é um apêndice burocrático das instituições. É, antes, um pilar estratégico, capaz de aproximar a Justiça de quem mais precisa dela: o cidadão comum.

Esse resgate histórico, ao mesmo tempo que celebra o amadurecimento do congresso, lança luz sobre a relevância de reconhecer e valorizar quem, no início, acreditou na ideia mesmo sem garantias de sucesso. Nós não apenas organizamos um evento; iniciamos um movimento. Ao aceitar aquele desafio em 2000, assumimos o papel de protagonistas na transformação da comunicação no Sistema de Justiça.

Olhando para trás, é possível afirmar que o trabalho iniciado naquela época contribuiu para mudar a percepção do papel da assessoria de comunicação. Hoje, a figura do assessor não se limita a redigir releases ou responder à imprensa. Ele é um mediador entre instituições e sociedade, um guardião da informação pública, um articulador que compreende o valor da narrativa para construir confiança e legitimidade.

O congresso que nasceu em São Luís, ainda com o nome de Encontro Nacional, e que este ano voltou a esta capital é, também, um lembrete de que boas ideias resistem ao tempo. Ao longo de quase duas décadas e meia, ele acompanhou as transformações tecnológicas, adaptou-se a novas demandas e manteve viva a essência de sua criação: fomentar o diálogo e aprimorar a comunicação pública no sistema de Justiça.

Que o Conbrascom sirva não apenas para discutir o presente e o futuro da atuação dos que hoje estão à frente das assessorias dessas instituições, mas também para honrar o passado. Um passado que começou em 2000, por enxergarmos além do óbvio e entendermos que comunicar, no Sistema de Justiça, é mais do que informar: é construir cidadania.

Em tempos em que a credibilidade das instituições é constantemente testada, o exemplo que deixamos é uma lição de ousadia e propósito. É a prova de que, quando a comunicação é pensada com visão estratégica e compromisso social, ela não apenas acompanha a Justiça — ela a fortalece. E nunca valorizar as instituições e o estado democrático de Direito, por meio de uma comunicação assertiva, fez tanto sentido.

Compartilhar
Wal Oliveira
Wal Oliveira Colunista