
Quando as “doze badaladas notúnicas” anunciarem o início do dia 10 de maio de 2025, e nem precisaremos do ser do além neste festim, estaremos comemorando o vigésimo quarto ano do projeto- Ensaios Itinerantes-, que embora tenha nascido sem maiores pompas, foi ao longo do tempo adquirido adeptos e seguidores para se constituir, atualmente, em um dos mais importantes meios de incentivo e divulgação dos festejos juninos em nossa terra. Através destes, os grupos se aproximaram e começaram a dividir sonhos e problemas, se conheceram e entenderam que não são contrários ou concorrentes, sendo assim, podem e devem conviver em harmonia.
No distante maio 2002, o projeto era organizado pelo Pirilampo em um só dia, passando depois a dois, até chegar ao formato atual de mensário. Falar de cultura popular em tão pequeno lapso temporal, não pode esgotar as incontáveis possibilidades neste universo que é o saber de nossa gente. Quando, entretanto, observamos a cor dos cabelos, a tez da pele e as alianças nas mãos, conseguimos observar quanto tempo se passou e o quanto fomos resistentes neste fazer, apesar de tudo. O fato de estarmos aqui, representa forte declaração de amor e resistência.
No espaço físico da sede do Pirilampo, a cada ano, em cada momento, gerações bailaram e sonharam, com seus respectivos amores, ou não. Foram embaladas ao som de mágicas toadas, maviosamente executadas por nossos músicos e cantadas por nossos cancioneiros. Enquanto uns destilavam suas utopias e sonhos que alimentam seu amor pelos santos festeiros, outros buscavam nesta magia encontrar paz, justiça e felicidade, posto que somos todos, filhos da mesmíssima mãe terra que gerou esta maranhensidade.
Se os bois tradicionais, sobretudo os do sotaque de matraca, historicamente organizavam seus ensaios logo após o Sábado de Aleluia, e em suas sedes, a criação do formato Itinerante chamou para esta festança os grupos alternativos e os de outros sotaques, fato que conferiu a atividade, representatividade e importância. Podemos afirmar, creio eu, que este foi um dos mais significativos passos para envolver de forma crescente a comunidade com a cultura popular e possibilitou a criação de novos e significantes cordões juninos, nos mais variados estilos, sotaques e formatos, em São Luís e no interior do Estado.
Se havia, desde sempre, uma férrea disposição dos fazedores de cultura de nossa terra em transformar as “brincadeiras” e os festejos em identidade de nossa gente, podemos afirmar, neste sentido, que os governos: Municipal e Estadual, ao entrarem com financiamento e apoio a estas atividades, foi definidor para que hoje o Governador Brandão, tenha lançado a ousada proposta de construir, com o segmento “O MAIOR SÃO JOÃO DO MUNDO”, deixando para trás, Campina Grande e Caruaru, que teimam inutilmente, bater armas contra nossa singularidade e riqueza. Diga-se, por acréscimo, como diz Zé Olhinho: nem vão aprender copiar, se tentarem.
Imenso orgulho deve guiar os fazedores de cultura, de hoje e os que virão, pois são e serão a um só tempo, depositários de tudo que coletivamente fizemos e responsáveis pela preservação e transmissão deste saber, que haverá de ser orgulho de todos os maranhenses e não somente de iniciados. Assim, viva nossos abnegados baiantes. Viva nossos artistas e artesões! Viva nossos produtores culturais, incansáveis na arte de resistir! Viva nossos músicos, cujo fazer, toca nossa alma e sensibilidade! Viva, finalmente, quem antes de nós honrou e nos entregou tão significativa prenda!
Nesta noite de abertura da Itinerância, penso que, inicialmente, devamos chamar a ordem a história, convocando para o lugar de honra, Chico Naiva, Donato, João Chiador, Humberto do Maracanã, Coxinho, Ruy Maranhão, Papete, Leonardo, Teté, dentre outros. Não duvide, quem não puder está no local, todos dirão presente ao chamamento, atitude que somente tem, faz e sente, quem tem amor de BUMBA BOI. Que é feito para nunca acabar!