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Transforme o seu sofrimento na sua mensagem

Rênan Ferreira - Psicólogo

pense que na comunicação é diferente. “Eu vou falar, Rênan, para 10, 15, 100, mil pessoas, então é diferente de me relacionar com uma só pessoa, de amizade, família, ou até mesmo do seu crush que você deu um match lá no Tinder.” Presta atenção: trata-se ainda de comunicar com pessoas.

Então, pense bem, antes de sair por aí se auto-fakeando, apresentando tudo enquanto menos você mesmo, pense bem: comece sendo honesto com você. A lá, Mark Manson, comece lembrando que se você for verdadeiro, se você se permitir aceitar quem você e for burilando, aperfeiçoando o seu perfil, muito mais provável que você se conecte com o universo, com as pessoas e com a plateia que você vai apresentar e enviar a sua mensagem.

Então, trazendo agora Robin Roberts dizendo: “Make your mess your message”, eu peço permissão para ela para aportuguesar e ficar mais fácil da gente trocar essa ideia e dizer: “Faz do teu sofrimento a tua mensagem”.

Como assim? O que é que tu quer dizer com isso, Rênan? Não esconde a tua dor. Não esconde o teu sofrimento, porque a biologia, a psicologia, a teologia e a filosofia, todas concordam e em uníssono, gritam a mesma coisa em concordância: o sofrimento é inerente a nós. Não tem como escapar desta situação, meu querido, minha querida. Não dá! Você vai sofrer. Você sofreu e sofre nesse exato momento por suas questões, assim como eu também.

Então, ao invés de você fugir disso e querer apresentar uma versão perfeita, super positiva de você: “Ah, como eu sou feliz! Ah, como todos os dias eu acordo sorrindo! Como a vida é maravilhosa! Como eu não tenho problemas! Olha como o meu feed do Instagram, ele é todo certinho, né? Na paleta de cor com uma unidade visual maravilhosa”. Cara, não força essa barra, não.

Se aposse de você mesmo, pesquise e aprenda a ver quem você é para você se aceitar e apresenta tudo isso para o outro de uma forma sua, particular, sem medo, porque eu te garanto que a conexão vai vir com muito mais probabilidade. Ninguém quer ver ali um super-homem com poderes sobre-humanos, não. Nós estamos cansados disso. A gente quer se conectar com pessoas, não com máquinas e robôs.

Então, entenda que para você ser você mesmo, você tem que saber, razoavelmente, as suas questões. E isso inclui a sua dor. Ou seja, pega o teu sofrimento e transforma na tua mensagem. Incute, coloca, conta uma história relacionada nas tuas palestras, nas tuas apresentações, mostrando também as tuas fragilidades, as tuas vulnerabilidades e não o oposto, apresentando só um cartaz de vitória, sempre, unanimidade, invencibilidade, perfeição. Cara, que chato! Eu já me cansei só de ouvir essas palavras todas juntas.

Eu me lembro muito bem do exemplo da própria Robin Roberts, que é uma jornalista norte-americana, quando ela teve câncer. Ela continuou no jornal, ela continuou nos noticiários, ela continuou com a cabeça raspada.

Ela apresentou o sofrimento dela no momento e gerou uma comoção no país, uma conexão profunda, vertical, porque ela foi autêntica. Ela começou a perceber o momento que ela vivia e abriu, se comunicou de maneira verdadeira e honesta, gerando o quê? A honestidade gera o quê? O Mark Manson disse: Conexão.

Então, pense duas vezes na próxima vez que você quiser ser fake de você mesmo e apresentar uma versão, sei lá, de todas as coisas, menos de você. Fica o convite: Make your mess your message ou, no brasileiro, Transforme o teu sofrimento na tua mensagem.

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Rênan Ferreira
Rênan Ferreira Colunista