vida real e concreta

Não force a barra, seja você mesmo

Rênan Ferreira - Psicólogo

Esse texto é especialmente para você que está cansado, assim como eu, de ver a vida como um feed do Instagram ou uma timeline do Facebook de momento positivo, momento feliz, vírgula, momento positivo, vírgula, momento feliz e a vida cor de rosa.

E isso só comprova e confirma que a gente está infeliz, é uma busca desenfreada, incessante por ser feliz a esses moldes exigentes e esses moldes absurdos.

É como ir para o espelho e dizer todo dia para si mesmo, “seja feliz”, “eu sou feliz”, “eu sou feliz”, e aí você cai em si e percebe que quem é feliz não precisa ficar dizendo para si mesmo que é feliz. É feliz e não precisa ficar gritando aos quatro cantos, “eu sou feliz”.

Agora presta atenção, não estou dizendo que você não pode ir no seu feed maravilhoso e colocar as tuas férias em Cancún, na Disney e lá em Fernando de Noronha. Faça aquilo que lhe aprouver.

Eu estou dizendo que a vida real e concreta do ordinário não é assim, não é uma coleção de momentos positivos e felizes o tempo todo. Isso só gera uma solidão e uma sensação de cansaço.

Então, buscar, compreender e aceitar que nós temos também sombras, que nós temos também fragilidades, que nós temos também negativo, nos conecta profundamente conosco mesmo. É de uma honestidade, é de uma sinceridade que nos torna pessoa.

E isso facilita a tua conexão e a tua comunicação com o outro. Presta atenção, olhe ao redor, me diz se é prazeroso você estar com alguém que é todo o tempo forçando uma barra para ser positivo. Como é conversar com alguém assim? É legal, é divertido? Pensa comigo.

E diante disso, eu só consigo me lembrar de um escritor, que é o Charles Bukowski, que diz uma expressão que está escrita linda e maravilhosa no meu estúdio, na minha parede de trabalho: “Nem tente.” Nem tente. Não entendeu nada não? Eu vou te explicar.

Bukowski foi um cara totalmente beberrão e promíscuo queria muito ser escritor, tinha vários poemas, mas ele trabalhava, na verdade, era nos correios. Até que um dia uma espécie de investidor fez uma proposta para ele: “Cara, vou investir nos teus escritos, mas eu não te garanto nada”.

Bukowski ficou entre continuar nos correios e enlouquecer ou arriscar ser um escritor e morrer de fome. Ele preferiu o quê? Preferiu morrer de fome e ser escritor.

Mas o que aconteceu? Três semanas depois desse convite, ele já tinha o primeiro livro pronto. Bukowski foi uma revolução na geração dele. Vendeu muitos livros, fez com que vários poemas dele fossem conhecidos, porque ele trabalhava com uma realidade, ele apresentava a vida dele e os pensamentos de uma realidade que era extravagante.

Ou seja, ele dizia: “Nem tente, nem tente fugir do teu negativo, nem tente fugir das tuas frustrações, nem tente fugir das tuas vulnerabilidades. Aceita A e aceita B, aceita luz e sombra, aceita tendências à virtude mas também às suas fraquezas”.

Aceita que assim você vai estar mais perto de você. Além disso, tem dois personagens que também falam muito bem sobre isso, um é o Albert Camus e o outro é o Alan Watts, que dizem o quê? “Você nunca será feliz se insistir em tentar descobrir o que é felicidade. Você nunca viverá verdadeiramente se estiver procurando o sentido da vida.”

Ou seja, ele diz o quê? Buscar o negativo, gera o positivo. Os erros que cometemos no trabalho permitem que compreendamos melhor o que é preciso para ser bem-sucedido. Ou então, aceita o erro. Para você fazer bem feito alguma coisa, para você se comunicar de uma maneira com excelência, você precisa errar muito e muitas vezes.

Aceitar o erro, aceitar a fragilidade faz parte do caminho. Não foge disso não. O sofrimento é tipo um fio. O sofrimento é um fio inestricável, ou seja, que não desembaraça. Arrancar isso é impossível, não dá, vai desmantelar tudo. O esforço para se evitar o sofrimento é dar atenção demais, é dar muito poder a essa dor.

Em contrapartida, se tu consegue te desvencilhar disso, tu te torna imbatível, autêntico, espontâneo. Aceita, aceita. Se aproxima de ti. Lida com isso, que você vai conseguir, sem dúvida alguma, se comunicar melhor.

Por que que eu digo isso? Por que que isso tem a ver com comunicação? Porque comunicar é você expressar você mesmo ao outro. E a arte de falar e oratória tem a ver com você expressar você mesmo ao outro, da melhor forma que tu conseguir.

E a minha sugestão de melhor forma é aceitando-se, tanto o favorável como o desfavorável e lidando com isso!

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Rênan Ferreira
Rênan Ferreira Colunista