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Exponha-se

Rênan Ferreira - Psicólogo

Bem-vindo, hoje quero te questionar a respeito do medo. E para além do medo. Como você se posiciona diante de situações aonde você se vê em risco? Hoje eu quero te trazer um exercício inicial, introdutório, mas ao mesmo tempo poderoso para que tu possa lidar com essas situações da tua vida. E você pode estar pensando nesse exato momento, o que pode me dar medo? Às vezes é um primeiro encontro com aquela pessoa que você está conversando. Está ali às vezes vinculado ao Tinder, a um aplicativo de relacionamento, você jovem é muito bom de escrever, é muito bom de estar ali no chat papeando, mas quando chega no primeiro encontro você esquece até o seu nome, quem é você e o que você deve fazer diante daquela pessoa desconhecida presencialmente.

Às vezes é uma reunião que você tem que se expor, um churrasco de família que você quer muito compartilhar opinião e não consegue, não dá conta, às vezes é uma fala em público que você tem que lidar, às vezes você já está no relacionamento e é uma conversa importante, definidora que você precisa desenvolver. Então o que fazer diante desse medo iminente ou dessa ansiedade que te faz pensar já no futuro e sofrer no presente? O grande exercício que eu posso te propor é a exposição. Vou falar de novo: a exposição. Como assim? Como assim eu devo me expor, de que que maneira? É muito interessante perceber como o medo funciona no nosso cérebro, como nossa neurofisiologia funciona a partir do medo e brevemente, não é aula de psicologia aqui, quero falar para vocês algo extremamente importante.

Lembra daquela frase: vai com medo mesmo? Exatamente é sobre ela vai fazer muito sentido. O nosso cérebro tem uma região chamada amígdala que é responsável pelas respostas neurofisiológicas. Quando você está diante de uma situação de risco, qualquer que seja, qualquer uma dessas que elenquei ainda há pouco, você começa a ser estimulado e começa a produzir o quê? Respostas fisiológicas, é espontâneo. Você começa às vezes a suar pelas mãos, que é a tão famosa sudorese, a velocidade do seu batimento cardíaco começa a acelerar, que é a taquicardia, a sua respiração começa a mudar, os pensamentos aceleram na sua cabeça, pode dar um bloqueio, uma paralisação, você quer fugir ou você quer lutar.

Então é ali que começa toda essa situação. Você tem duas saídas diante dessa iminência: ou você sucumbe, ou você perde essa batalha, perde para esses sintomas, ou você pode usar outra área, outra região do teu cérebro que é o neocórtex. Eita, essas palavras difíceis, Rênan me ajuda. Amígdala, neocórtex, o que é que esse neocórtex pode fazer por mim? Essa região é responsável por reinterpretar racionalmente esses estímulos da amígdala. É aí “a virada de chave”, quando esses sintomas vierem, porque vão vir, porque o segredo aqui, o medo, a ansiedade, são emoções naturais como tristeza, alegria, raiva, tem a sua função em nosso organismo.

Então hoje você vai virar uma chave belíssima para aprender esse exercício potente. Antes você poderia achar que era o seu corpo contra você, que o seu corpo era seu adversário nessa luta diante dessas adversidades, mas para tudo! A grande verdade é que não, o teu corpo quer te ajudar, ele quer te favorecer. Graças ao medo nós, enquanto espécie humana, sobrevivemos das feras, dos perigos, da nossa evolução. Então esse medo ele está ali para acionar você e te deixar ativo, em estado de alerta, luta e fuga para te ajudar.

Então se toda essa alteração é para te ajudar, é porque essas situações que eu citei elas são extraordinárias, ou seja, elas estão fora do ordinário. Nem todo dia você conhece uma pessoa nova num encontro, num “date”, nem todo dia tem uma reunião, nem todo dia tem uma palestra em público, nem todo dia você se expõe dessa maneira. Então já que é extraordinário, o corpo manda mais cortisol, um turbilhão de neoadrenalina porque você precisa. Então a grande “virada de chave” é entender que você pode agradecer e reinterpretar. Agora você já sabe: o seu corpo não é mais seu adversário, na verdade você pode abraçar seu corpo, agradecer toda essa produção e reinterpretar e entender que você pode sim ir com medo mesmo agora sabendo que o seu corpo está com você a teu favor. Então na próxima vez que te convidarem para uma reunião de trabalho e para se posicionar, seu próximo encontro, seu próximo “date” do Tinder, sua próxima “churrascada” em família, sua próxima fala em público, sua próxima avaliação, o momento que você vai ser julgado, uma experiência nova, lembre-se: seu corpo vai produzir toda essa química, mas é para beneficiar você se você reinterpretar toda essa situação.

Então o exercício poderoso é: reinterprete esses estímulos fisiológicos ou sucumba e seja refém deles e perca essa batalha. Eu te convido hoje a reinterpretar.

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Rênan Ferreira
Rênan Ferreira Colunista