
Cada dia que passa no calendário eleitoral de 2026 é uma tormenta para os candidatos às eleições de 4 de outubro, daqui a escassos 144 dias. Os mandatos de deputados estaduais a presidente da República fazem movimentar um exército de políticos tentando convencer os 150 milhões de eleitores de que cada qual é melhor de quem está ao lado ou na posição contrária. É um jogo tão caro e tão cheio de artimanhas quanto a Copa do Mundo de Futebol, programada entre junho e julho no México, Estados Unidos e Canadá. E o Brasil não está sozinho nesse exercício da cidadania democrática pelo voto, cerca de 1,5 bilhão de eleitores irão às urnas em 2026 nos cinco continentes.
A eleição da Índia é a maior do mundo, com quase 900 milhões de votantes, seguida pelos Estados Unidos, 415 milhões; Indonésia, 194 milhões; e Brasil, em 4º lugar, com 150 milhões. É tanta gente apta a votar em outubro, que o eleitorado chega a ser um pouco maior do que toda a população da Rússia, estimada em 146 milhões de habitantes. Logo, não é exagero admitir que a campanha brasileira se resume na expressão bíblica extraída de Mateus 6:34: “Cada dia com a sua agonia”. A ansiedade faz parte desse jogo eleitoral, hoje muito mais conflitantes, principalmente, pela força das redes sociais e da IA.
Afinal, estarão em disputa os mandatos do presidente da República, 26 de governadores, 513 vagas de deputado federal, 24 de deputado distrital (DF), 54 de senador (1/3) e 1.035 cadeiras nas Assembleias Legislativas. Vai ser a campanha mais polarizada de história em razão da divisão ideológica e da tecnologia do país. O palanque saiu da praça e foi direto para as redes sociais – agora instrumentalizadas pela Inteligência Artificial. O Tribunal Superior Eleitoral aprovou resoluções que estabelecem um marco histórico não apenas para a democracia brasileira, mas também para todo o ecossistema de mídia digital, com atenção redobrada no que tange a IA, usada com transparência e reponsabilidade.
O uso da IA deixou de ser uma possibilidade distante e passou a integrar a realidade das campanhas eleitorais de 2026, com potencial tecnológico para impulsionar conteúdos falsos, manipulados ou descontextualizados. Portanto, o TSE antecipou a regulamentação sobre o tema e definiu limites para partidos, candidatos, federações, coligações e plataformas digitais. As novas regras constam da resolução TSE 23.755/2026. Por ela, toda propaganda eleitoral criada ou significativamente alterada por IA ou tecnologia equivalente deve informar, de modo explícito, destacado e acessível, que houve uso desse recurso. A regra alcança textos, áudios, vídeos e imagens. Quem arriscar burlar, já sabe o que acontece.
Enquanto isso, as eleições gerais do Maranhão ainda estão no modo antigo, porém, bem diferente da anterior de 2022. São cinco pré-candidato ao Palácio dos Leões, mas as atenções se concentram em Orleans Brandão (MDB), apoiado pelo tio governador Carlos Brandão; Eduardo Braide (PSD), ainda sem grupo batendo cabeça ao seu redor; Lahesio Bonfim (Novo); e Felipe Camarão (PT), em torno do qual a efervescência avança em razão de Lula da Silva. A reunião que o presidente nacional Edinho Silva tenta realizar em São Luís, com a direção regional, já foi adiada três vezes.
Isso mostra o tamanho da encrenca eleitoral maranhense como nunca se viu antes. A cúpula do PT anda não conseguiu contornar a ruptura do dinismo (de Flávio Dino) com o brandonismo (de Carlos Brandão) de forma a acomodar as campanhas estadual e presidencial no mesmo palanque que mudou a política do Maranhão desde 2014. Resultado: Lula apoia Camarão e também Orleans Brandão, enquanto Lahesio e Braide se viram no bolsonarismo, sem um herdeiro puro-sangue.