coluna

Quatro nomes na biqueira do segundo turno no MA

Raimundo Borges - Bastidores

Se as pesquisas eleitorais não fossem tão voláteis quanto gelo ao vento, já se poderia dar como certa a eleição de segundo turno para o governo do Maranhão e para a corrida ao Palácio do Planalto. A pesquisa da Econométrica/O Imparcial (MA-05862/2026), divulgada domingo, 24/05, mostra um cenário de rigoroso empate na disputa do governo do Maranhão, entre Orleans Brandão (MDB) e Eduardo Braide (PSD), com uma minúscula diferença de cinco décimos das intenções de voto. O ex-prefeito de São Luís aparece com 39,6% contra 39,1% de Orleans. É uma distância tão irrelevante que ninguém arriscaria sequer especular sobre qual deles estará em 2027 no Palácio dos Leões.

Em seguida surgem o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo), com 8,6%, e o vice-governador Felipe Camarão (PT), com 4,6%. Os que declararam voto nulo somam 1,7%, enquanto 6,3% disseram não saber ou preferiram não responder. Desde quando foi lançado pelo PMDB, Orleans vem alternando na disputa governamental com Carlos Braide. Antes mesmo de renunciar ao cargo de prefeito de São Luís e passá-lo à vice Esmênia Miranda, Braide já liderava as intenções de voto para governador. Portanto, se nada de novo acontecer na campanha, Braide e Orleans terão encontro no segundo turno.

No cenário nacional, a disputa entre Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) não sobra para mais ninguém. É uma situação um pouco parecida com a do Maranhão entre Braide e Orleans. A diferença é que Lula, após o escândalo da relação de Bolsonaro com o banqueiro preso, do Master, Daniel Vorcaro, o presidente da República o deixou para trás com uma vantagem bem acima dos empates técnicos das pesquisas anteriores. Na última delas, do Nexus/BTG, com 2.045 entrevistas (registro BR-04193/2026), divulgada nesta segunda-feira, 25/05, o petista venceria em todos os cenários: Lula (PT) – 40% Flávio Bolsonaro (PL) – 35%.

Os demais pré-candidatos Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Joaquim Barbosa, Augusto Cury e Cabo Daciolo estão entre 5% e 1% das intenções de voto.  Porém, como a campanha ainda nem começou oficialmente, o que só acontecerá após as convenções entre 20 de julho e 5 de agosto. Logo, as projeções de hoje, obviamente, serão alteradas no decorrer dos embates, principalmente dos debates televisivos e pelas plataformas digitais. É quando os candidatos preparam seus arsenais de guerra para utilizá-los no tempo em que que acharem mais adequado influenciar a decisão do eleitor.

Quando as pesquisas indicam empate técnico entre dois ou mais candidatos, aumenta o nível de dificuldade para eleitorado indeciso fazer a escolha. No caso atual, o empate matemático quase sem diferença entre Orleans e Braide, mostra que cada qual terá que fazer a sua parte para sair desse incômodo. O cientista político Antonio Ueno ensina que, para errar menos e atingir objetivos estratégicos em uma campanha eleitoral, é preciso aprender uma regra de ouro: pesquisa não é uma previsão do futuro, mas sim um diagnóstico detalhado do presente. O erro da maioria das campanhas e dos eleitores é tratarem a pesquisa apenas como um placar para ver “quem está na frente”. O verdadeiro valor da ferramenta está em entender os motivos subjacentes ao comportamento do eleitor.

A situação de Braide e Orleans na Econométrica quase empate matemático. É curioso que o presidente Lula é apontado como apoiador de Orleans (MDB) e de Felipe Camarão (PT), o que sugere uma dispersão da força eleitoral do petista do Maranhão. Já Eduardo Braide não tem apoio de um candidato presidencial, muito menos de grupo estadual, como acontece com Orleans. O emedebista usa a imagem de Lula, tem a força do tio governador Carlos Brandão e de dois candidatos ao Senado de nomes conhecidos: Roseana Sarney, Weverton Rocha. Como Braide segue no topo das pesquisas desde 2025, por enquanto prefere não sair dessa bitola eleitoral favorável.

Compartilhar
Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista