coluna

PT e MDB tentam fechar aliança no MA e no país

Raimundo Borges - Bastidores

Nascido no começo da ditadura militar de 1964, como partido de oposição à Arena, que dava sustentação ao regime, o MDB é um partido de centro, historicamente caracterizado como uma legenda “guarda-chuva” que dava abrigo a diversas correntes ideológicas, sempre priorizando a governabilidade. Foi importante naquele período, na redemocratização do país, na transição comandada por José Sarney e na Constituinte, com Ulysses Guimarães à frente. Hoje, o MDB anuncia neutralidade na disputa presidencial em outubro, como estratégia para ser visto pelas pré-candidaturas postas ao Palácio do Planalto.

Com o perfil conservador e moderado, frequentemente fisiológico, o MDB, no entanto jamais poderá ser ignorado no contexto de uma eleição presidencial. Tanto pela sua história, quanto por ser o maior partido no Brasil, com quase 16 milhões de filiados, três governadores, 861 prefeitos e uma bancada robusta na Câmara e no Senado. Agora, quando faltam exatos sete meses para as eleições, o velho MDB, pela sua maioria de 17 diretórios regionais toma posição, sugerindo a neutralidade como a melhor caminho nesse cipoal ideológico que divide o país na política deste ano, entre lulismo e bolsonarismo.

Nos cálculos de emedebistas, as assinaturas representam cerca de 70% da convenção do partido. Na prática, o documento entregue ao presidente do MDB, Baleie Rossi, sinaliza o desejo por neutralidade, o que, na prática, pode liberar a ala pro-Lula para seguir no palanque petista nas eleições. O MDB é pragmático, um histórico aliado do PT, com presença de três ministros na Esplanada no governo atual. O próprio Lula encarregou um grupo do PT a fazer uma ofensiva para incluir o MDB na chapa da reeleição. O atrativo é o lugar de vice, no jogo em que Geraldo Alckmin seria deslocado para a disputa majoritária de São Paulo.

Se as articulações chegarem a bom termo, os nomes lembrados para eventualmente ocupar o posto de vice de Lula são o ministro Renan Filho e o governador Pará, Helder Barbalho. Ambos têm, no momento, planos de disputar a eleição em seus estados, concorrendo ao governo e ao Senado, respectivamente. Porém, a história do MDB, nesse particular, tem tudo a ver com a do PT, com suas divisões regionais. Mesmo quando a legenda formalizou as alianças com Dilma Rousseff em 2010 e 2014 com a indicação de Michel Temer para vice, houve dissidências em estados como o Rio Grande do Sul.

O Maranhão, porém, é um caso particular no MDB. O diretório regional está nas mãos do secretário de Assuntos Municipalistas do governo Carlos Brandão, Orleans Brandão, pré-candidato a governador. Ele conta com o apoio maciço dos petistas, principalmente os que ocupam quatro secretarias, com centenas de cargos. O vice-governador Felipe Camarão, filiado ao PT desde 2022, segue atuando também como pré-candidato ao governo, mas sem qualquer apoio de Brandão. Muito pelo contrário, seu projeto político é fazer do sobrinho Orleans, o sucessor, o que contraria tanto Lula quanto o ministro do STF, Flávio Dino.

Como é impossível garantir o apoio de todo o MDB no palanque de Lula, a cúpula do PT tenta construir uma aliança formal no plano nacional que garanta um tempão de televisão para o petista, mas com liberação dos diretórios estaduais. O caso maranhense é típico desses desencontros entre correntes do PT e do MDB. A diferença é que no Maranhão, a “tese” que apoia Felipe Camarão é a que não está no governo. Quanto ao MDB, Orleans tem a totalidade dos prefeitos, deputados e demais lideranças. A questão é saber como os dois partidos vão se ater na campanha presidencial. Até o petista José Dirceu ainda tenta costurar uma saída honrosa para reatar a aliança MDB/PT no Maranhão.

Compartilhar
Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista