
Com um recorde histórico e inédito do Brasil, de permanência no poder em exercício de mandatos eletivos no Palácio dos Leões, Câmara dos Deputados, Senado Federal e Presidência da República, o acadêmico, jornalista e escritor José Sarney parece até que não tem relação política alguma com o Maranhão. Ele escreve sobre política nacional, analisa os cenários da atualidade no mundo, mas nem uma linha sobre as eleições de 2026 no Maranhão. No artigo n’O Imparcial deste sábado 12, Sarney destrincha sua trajetória de 61 anos na política desde o distante 1955, mas nem de longe arrisca um palpite sobre as eleições gerais daqui a 82 dias no estado em que mandou por meio século. O mesmo comportamento paradoxal adota Roseana Sarney, dona de um invejável histórico de poder na no Maranhão. Seu nome entrou e saiu das pesquisas sem ela dizer uma única vez que seria candidata ao Senado. Especulou-se que, se fosse teria o irmão Fernando Sarney como 1º suplente. Mas ela nunca falou ou escreveu sobre isso. Desde a semana passada, Roseana deixou de ser candidata a senadora ou à reeleição na Câmara, para apoiar Pedro Lucas (UB) na chapa de Orleans Brandão, à eleição do suplente Hildo Rocha (MDB) à Câmara e buscar um mandato para a sobrinha Maria Fernanda na Assembleia Legislativa. Novamente, nenhuma fala dela, do patriarca José Sarney ou da própria suposta candidata. A família Sarney é dona do maior complexo de comunicação do Maranhão, mas todo esse burburinho passa à distância de suas pautas ou análises políticas.
Paradoxalmente, os demais candidatos estão diariamente nas mídias sarneísta. Como explicar, então, tanto mistério no tema de eleição e candidatura na família que mais acumula mandatos na história do estado em que mandou por meio século? E como tudo relacionado aos Sarney vira notícia estadual e nacional, a participação de Roseana na disputa eleitoral, ou o encerramento de sua carreira política é informação de alta relevância. Até como especulação. A semana começa com as duas principais candidaturas nas pesquisas de intenção de voto ao governo estadual, de chapas majoritárias fechadas. Orleans Brandão (MDB) com Edivaldo Júnior na vice; Weverton Rocha (PDT) e Pedro Lucas (União Brasil) ao Senado. Já Eduardo Braide (PSD), fechou com a empresária Elaine Carneiro na vice; Lahesio Bonfim e André Fufuca (PP) ao Senado. Nenhum Sarney no jogo. As convenções partidárias serão realizadas entre 20 de julho e 05 de agosto.
A única certeza: até lá, muita água vai rolar. Até a candidatura de Felipe Camarão (PT) corre risco de virar pó. Não tem vice, nem nomes ao Senado, num cenário em que seis dos nove membros da Executiva Estadual do PT apoiam Orleans. Na última pesquisa do instituto Real Time Big Data, divulgada semana passada, a corrida ao Senado aponta os deputados federais Duarte Júnior (Avante), Roseana Sarney e o senador Weverton Rocha tecnicamente empatados. Como Roseana já teria desistido das eleições de outubro para cuidar da saúde e dedicar mais tempo aos pais José Sarney, 96 e dona Marly, 94, as duas vagas de senador permanecem no centro de um fogo cruzado. Da mesma forma como permanece o imbróglio sobre os palanques presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro no Maranhão – principais candidatos ao Planalto.
Certo é que o Maranhão se prepara para as eleições de outubro mergulhado num script ainda inacabado. Os Sarney sem papel definido no enredo, enquanto os dinistas (de Flávio Dino) não encontram papel relevante, e os brandonistas (de Carlos Brandão) assumem a boca do palco com os braidistas (de Eduardo Braide), protagonizando os principais lugares. Visto pelo olhar das incertezas que demarcam as doutrinas direita, esquerda e centro, o Maranhão misturou os dois espectros ideológicos na perspectiva que prenuncia um segundo turno histórico entre os primos Eduardo Braide e Orleans Brandão parecido com um final da Copa do Mundo entre França e Inglaterra, países separados apenas pelo incrível Canal da Mancha.