
Ultimamente o noticiário político tem colocado o “palanque” no centro das disputas de mandatos no Executivo e no Legislativo, burilado com narrativas e retóricas. Até o escândalo do Banco Master de Daniel Vorcaro virou material explosivo da pré-campanha eleitoral, assim como as taxações do presidente Donald Trump contra produtos brasileiros, claramente na esteira da eleição presidencial para beneficiar o senador Flávio Bolsonaro, com quem esteve semana passada na Casa Branca. O “palanque” bolsonarista está inteiro no tarifaço e o de Lula, na reação indignada dele. Afinal, Trump já havia atendido o pedido de Flávio Bolsonaro ao classificar o PCC e o CV de organizações terroristas.
Quando o debate eleitoral sai do terreno minado na guerra entre Lula e seus concorrentes da direita e entra no Maranhão, escancara uma realidade incômoda para o eleitor. Lula definiu o petista Felipe Camarão como candidato a governador, mas sem ignorar o peso da campanha de Orleans Brandão (MDB). Já Flávio Bolsonaro não tem palanque no Maranhão, porque o PL é dominado pelo deputado Josimar do Maranhãozinho, impedido pelo STF de disputar a eleição. É inimigo dos Bolsonaro e pode apoiar Camarão, com 40 prefeitos. Já Ronaldo Caiado terá o palanque de Eduardo Braide (PSD), e Zema, o de Lahesio Bonfim.
Até semana passada, o senador Weverton Rocha (PDT) andava de braços dados com Orleans Brandão na busca da reeleição. Nesta segunda-feira, 01/06, o presidente do PT, Edinho Silva participou da plenária do partido em São Luís e reafirmou Camarão ao governo, Eliziane e Weverton ao Senado. significa que o pedetista terá dois palanques e Lula pode participar tanto no de Orleans quanto o Camarão? Já Eliziane Gama (PT) é da Assembleia de Deus, congregação com algumas características políticas parecidas com o PT. Tem um conselho político na cúpula, uma forte camada silenciada e outra silenciosa politicamente. São as ‘irmãs’ e os ‘irmãos’ de cabeça branca guiados mais pelos ditames da Bíblia do que pela voz dos pastores.
Essa faixa da irmandade tem um código de conduta política próprio, não tem palanque, não é bolsonarista nem lulista. Cita-se como exemplo desse segmento a deputada estadual Mical Damasceno que, em 2018 e 2022, foi eleita no grupo do “comunista” Flávio Dino, apoiando o PT, Haddad e Lula. Também, Eliziane Gama, da mesma Assembleia, foi eleita deputada federal e senadora no palanque de Dino. Mas, hoje, no meio evangélico ela sofre ataques nas redes sociais em que tentam atingi-la como política e desqualificá-la, apesar da sua reconhecida atuação legislativa. Assim também é Felipe Camarão, atacado pelas alas do PT que estão no governo Brandão e não escondem o apoio ao emdebista Orleans.
É certo que a política mudou radicalmente e modo de chegar ao eleitor. Enquanto a direita bota a cara na rua e age como tal, a esquerda ainda anda encabulada, mesmo junto com o PT nas cinco vezes que chegou ao Planalto. Certo é que os comícios de palanque sumiram e deram lugar à arena digital. A disputa do voto virou algoritmos que a maioria dos eleitores não tem ideia do que significa. As redes sociais e influenciadores moldam o eleitorado moderno, enquanto o preço dos mandatos ganha cifras astronômicas de milhões e bilhões de reais. Essa migração do palanque físico para aplicativos de formatos curtos e linguagem direta custa verdadeiras fortunas. Por isso, a guerra dos deputados e senadores pelo uso das emendas pix e o Fundo eleitoral como uma propriedade deles.
O Maranhão tem seis pré-candidatos a governador: Orleans Brandão (MDB), Eduardo Braide (PSD), Felipe Camarão (PT), Lahesio Bonfim (Novo) e Enilton Rodrigues (PSOL), enquanto as duas vagas de senador contam com quase 10 interessados, incluindo os atuais Weverton e Eliziane Gama. Todos tentam se arrumar nos palanques dos pré-candidatos a governador ou a presidente que lhe garantam a expectativa do mandato. Como o palanque saiu da praça e está na irracionalidade da política virtual, a campanha ficou misteriosa, traiçoeira, distante e incompreensível – principalmente maquiada por IA.