
Ano eleitoral no Brasil, coincidentemente, é ano de Copa do Mundo, como acontece em 2026. Politicamente conquistou uma democracia robusta. Porém, como “o país do futebol”, longamente festejado mundo a fora, já não é o mesmo. Até o técnico da Seleção que nesta terça-feira desembarcou nos Estados Unidos para o torneio mundial da Fifa, pela primeira vez não é um brasileiro. Foi importado da Itália – Calo Ancelotti. A última Copa que em que o país se sagrou campeão, com o penta, foi em 2002, na Coreia do Sul e Japão. Coincidentemente, quando Luiz Inácio Lula da Silva ganhou a primeira eleição presidencial, depois de sofrer três derrotas. Agora, o Brasil corre atrás do hexa, e Lula, atrás de seu 4º mandato.
Na semana passada, pela primeira vez na história, o Brasil apareceu no grupo de países com “muito alto desenvolvimento humano”, alcançando a marca de 0,805 no IDH, medido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A análise dessa evolução se deu no período de 13 anos (de 2012 a 2024), abrangendo o país como um todo e em particular, os 26 estados e o Distrito Federal.
O índice subiu de 0,744 para 0,805 no período, mesmo diante do recuo registrado em 2020 e 2021 em decorrência de fatores estruturais e da pandemia de Covid-19. O motor responsável por essa alavancagem foram, sem dúvida, as políticas de inclusão social, como o Bolsona Família, as melhorias na saúde pública, na renda e na permanência escolar. Só em 2025, cerca de 2 milhões de famílias deixaram o programa Bolsa Família. A principal motivação para o desligamento foi a melhora na renda familiar pela educação, a capacitação profissional e a conquista de estabilidade através do emprego formal.
O Maranhão, embora tenha avançado no IDHM para a faixa de alto desenvolvimento humano, mas não o impediu de permanecer como o estado de menor IDH, 0,745, o que significa mais pobre do Brasil. Já o Distrito Federal, 1º lugar no ranking, tem IDH 0,864, o que significa uma distância socioeconômica entre as regiões e os estados, marcada pelas desigualdades de renda e outros fatores. Já no índice de qualidade de vida, medido pelo Instituto Amazin, o Maranhão só perde para o vizinho Estado do Pará.
Esses indicadores precisam estar no debate sobre as eleições no Maranhão, não com base na enxurrada de pesquisas eleitorais que inundam o imaginário popular e nada soma à conscientização do eleitor sobre a melhor escolha de seus representantes no Executivo e Legislativo, com vista ao enfrentamento da pobreza que parece uma chaga social crônica que se arrastam há décadas.
Em artigo publicado em janeiro de 2026, o governador Carlos Brandão colocou o dedo na ferida dessa questão socioeconômica do Maranhão. “Quem vive o dia a dia sabe: números bonitos em relatórios não enche prato nem paga as contas. Dado econômico só faz sentido quando chega à vida real, quando melhora o cotidiano das pessoas. É por isso que faço questão de voltar a esse assunto. Porque o que estamos vivendo hoje no Maranhão não é só estatística. É mudança concreta”. Ele cita dados do Imesc sobre a conjuntura do estado. “Dá para perceber o comércio mais movimentado, o campo produzindo e no trabalhador voltando para casa com o salário garantido no fim do mês”, acrescentou.
Ouvido por estes Bastidores sobre a pobreza encalacrada na população maranhense, o ex-governador José Reinaldo Tavares, atual secretário de Projetos Estratégicos, elencou alguns pontos fundamentais para destravar o desenvolvimento. Criar escolas que deem prazer à criança de estudar e não a preocupação dela com a merenda escolar; ampliação da infraestrutura portuária no Itaqui, abrindo espaço para investimentos pesados; atrair projetos industriais que gerem riqueza e emprego; promover a união política das bancadas parlamentares em prol no Maranhão, com projetos compartilhados; fim de cooptação política, cujo preço é alto demais e ninguém confia em ninguém.
José Reinaldo, 87 anos; José Sarney, 96; e João Alberto 90, são as figuras políticas que mais acumulam conhecimentos da realidade social, econômica e política do Maranhão e do Brasil. Os três têm ainda muito a contribuir com as gerações que estão no poder ou disputando mandatos em outubro. Todos ex-governadores e com a vida pública dentro do Congresso, da estrutura federal, estadual e municipal. Alberto é ainda vereador em Bacabal, e Sarney chegou até à Presidência da República, senador pelo Maranhão e Amapá, além de escritor com dezenas de títulos publicados e jornalista em atividade. Portanto, em assunto de política, eles tanto jogaram em bola dividida quanto ainda podem dar palpites valiosos na beira do campo.