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Os 25 anos de crises no PSB maranhense

Raimundo Borges - Bastidores

Desde a virada do século 20 para o 21, o PSB do Maranhão carrega um histórico de crises antes, durante e depois das eleições. Em 2000, o partido de centro-esquerda disputou a Prefeitura de São Luís com o deputado federal José Antônio Almeida, contra Jackson Lago (PDT), vencedor do pleito, com o médico Tadeu Palácio na vice. Era uma frente ampla que puxava 20 partidos de diferentes cores ideológicos. Nesses 25 anos, o PSB tornou-se um partido forte tanto nas eleições municipais quanto nas gerais, mas sempre metido em crise, como a atual em que sua direção regional foi retirada das mãos do governador Carlos Brandão e entregue à senadora Ana Paula Lobato.

Pela primeira vez na história, em 2022, o PSB elegeu um governador no Maranhão (Carlos Brandão), o senador Flávio Dino com a suplente Ana Paula Lobato, um deputado federal e 12 estaduais, dentre os quais a atual presidente da Alema Iracema Vale, campeã de votos. No entanto, o histórico de crise no PSB veio à tona logo após a posse de Brandão no Palácio dos Leões, com Flávio Dino no Ministério da Justiça e depois no Supremo Tribunal Federal. Em novembro de 2023, o deputado Othelino Nato deixou a Secretaria do governo em Brasília e retornou à Assembleia Legislativa, já se colocando à frente do bloco de oposição ao mesmo governo que até então fazia parte.

O gruo que era diminuto acabou levando a eleição da mesa diretora da Alema a inéditos dois empates de 21×21, entre Iracema e Othelino. A embrulhada não poderia ser de outra forma. Foi judicializada no STF, sob a relatoria da ministra Carmen Lúcia. A Adin foi proposta pelo Solidariedade, presidido pela advogada Flávia Alves, irmã de Othelino. Ela contesta a reeleição de Iracema pelo critério de maior idade no desempate, usado até em concursos públicos. No entanto, em junho, o ministro Luiz Fux retirou a votação da Adin do plenário virtual e colocou no presencial, quando o julgamento estava de 8 x 0 a favor de Iracema. Em 30 de outubro, porém, ele cancelou a decisão e recolocou a ação no plenário virtual.

As crises, como se pode perceber, está no DNA do PSB maranhense. Em setembro de 2002, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a decisão do TRE-MA, cassando a candidatura ao governo, de Ricardo Murad (PSB) por ser cunhado de Roseana Sarney, que havia sido governadora duas vezes sucessivas e era candidata ao Senado. Como ficou sem tempo para trocar o candidato, retirar a foto, o nome e o número da urna, Murad obteve 5,15% da votação (114.640) para o governo – um distante terceiro lugar. Como seus votos foram anulados, o TRE refez a recontagem e José Reinaldo acabou eleito no primeiro turno, quando tudo indicava a realização do segundo. 

Em agosto de 2009, o diretório estadual do PSB abriu processo disciplinar contra a secretária do Desenvolvimento Agrário do Maranhão, Conceição Andrade, por contrariar deliberação que proibia a participação de filiados à legenda no terceiro governo Roseana Sarney, do PMDB. A deliberação foi tomada pelo partido em abril, 12 dias depois de Roseana Sarney assumir o mandato, com a cassação de Jackson Lago pelo TSE. O PSB, que havia apoiado pedetista Lago, passou a fazer oposição a Roseana. Em 29 de agosto, Conceição Andrade foi expulsa, obrigando-a se filiar ao MDB.

Até agora ninguém sabe quando o STF vai julgar a Adin sobre o resultado da eleição da Assembleia Legislativa; nem o destino partidário de Brandão, Iracema Vale, 12 deputados estaduais, 19 prefeitos, dentre os quais Fred Campos em Paço do Lumiar e Rafael Brito em Timon. Já os que vão trocar de partido, têm de esperar a “janela partidária” em março de 2026 e seguir a liderança de Carlos Brandão. Ele pode filiar-se ao MDB, presidido pelo irmão caçula Marcus Brandão, o pai do pré-candidato a governador Orleans Brandão.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista