
Rumo indefinido (1)
A deputada Iracema Vale, o governador Carlos Brandão e o grupo político sob sua liderança ainda não procuraram a Justiça Eleitoral para deixar o PSB por justa causa, depois que o partido passou ao comando da senadora Ana Paula Lobato Nova Alves, mulher do deputado Othelino Neto, líder do bloquinho de oposição na Alema. Lobato parece não estar com o mínimo de pressa em fornecer-lhes a carta de anuência. Apenas Brandão, com mandato no executivo não precisa da carta de anuência para trocar de partido e não correr risco de perder o mandato. Os mandatários do legislativo precisam da autorização. A lei dos Partidos Políticos diz que o mandato pertence ao partido e não ao mandatário. No caso em tela, são vários parlamentares que formam um “pacote” de “emigrantes partidários”. Para onde Brandão e Iracema forem levam um batalhão. Os deputados e vereadores esperam a “janela partidária” que se abre em março para a refiliação.
MDB os espera
Para o deputado Hildo Rocha, único federal do MDB maranhense na Câmara, o grupo liderado por Carlos Brandão deve ingressar mesmo no seu partido, hoje presidido pelo secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão, pré-candidato a governador em 2026. Caso se confirme essa previsão, o MDB voltará ao centro do poder estadual no qual passou toda a sua existência com o grupão Sarney até 2015.
Nem aí
Os quatro deputados federais do PL maranhense, Josimar do Maranhãozinho, Detinha, Júnior Lourenço, Pastor Gil, além dos estaduais e 40 prefeitos mantiveram um completo silêncio sepulcral antes e durante o julgamento que resultou na prisão do seu líder maior, Jair Messias Bolsonaro. Pior ainda é que todos se fazem de moucos diante de toda a barulheira dentro do clã Bolsonaro na guerra travada pelo espólio eleitoral do “mito”.
Pombo-correio
Como diria o Barão de Itararé, de onde menos se espera é que realmente não sai nada. Foi o que aconteceu com o empresário da gigante mundial da carne, Joesley Batista. Ele pegou seu robusto jato e desembarcou em Caracas para missão aparentemente impossível. Foi pedir ao ditador Nicolás Maduro, metido na maior encrenca latino-americana com os Estados Unidos, que renuncie ao mandato.
O presidente Donaldo Trump, que já se reuniu com Joesley na Casa Branca logo após decretar o tarifaço sobre as importações brasileiras, sabia que os planos do megaempresário com Maduro era, de fato, um esforço para atenuar a pressão dos EUA contra a Venezuela, no maior movimento de pré-guerra na vizinhança do país. Porém, ele tentou convencer Maduro a renunciar e abrir caminho para uma transição pacífica de poder.
Coincidência da viagem de Joesley, fundador da gigante JBS, é ter ocorrido um dia depois de Trump haver ligado para Maduro tentando instá-lo a abandonar o poder. O empresário diz que teria viajado por iniciativa própria. Acontece que o grupo da J&F tem um invejoso portfólio de investimentos também na área de celulose, energia, gás, mineração e petróleo, produto que a Venezuela possui como maior reserva mundial.
Canetada irada
Ao mudar a regra que defini as possibilidades de os ministros do STF serem alvos de impeachment, Gilmar Mendes abriu uma nova crise que sacode a Praça dos Três Poderes. Gilmar definiu que só a PGR tem poder para pedir afastamentos dos membros da suprema corte. Com isso ele quer mandar para a gaveta do Senado nada menos que 81 pedidos de impeachment contra o STF.
Como o Congresso se transformou no ambiente tosco, Gilmar arriscou dar uma cambalhota de enorme repercussão política. Afinal, dos 81 pedidos de impeachment desde 2021 que mofam na gaveta do Senado, Gilmar aparece como o terceiro destinatário deles, com 10. O campeão é Alexandre de Moraes, com 43; Luís Roberto Barros (aposentado), 20; Flávio Dino, 8; Dias Toffoli, 6; Cármen Lúcia, 5; Edson Fachin 4; Cristuano Zanin, 3; Luiz Fux, 2; Kassio Nunes e André Mendonça, 1 cada.