
Já se passaram 14 anos em que o Maranhão rompeu com o seu passado político de 39 anos, desde 1965 quando José Sarney foi eleito governador e criou o sistema sarneísta. Aquela eleição de 2014 era mais simbólica do que uma simples troca de poder. Era o momento final da desgastada oligarquia Sarney cair de madura. Foi o momento de o eleitor dar adeus ao comando da política nas mãos de um só grupo. Hoje, a história passou a ser contada de outra forma, mesmo com os personagens principais ocupando algum papel de relevância. Carlos Brandão assumiu o protagonismo do enredo escrito por Flávio Dino, que saiu do papel político e assumiu o de ator jurídico respeitado no Supremo Tribunal Federal.
O movimento criado em 2014 para romper as estruturas do sarneísmo fincadas nos três poderes do Maranhão, neste 2026 faz a história ser contada de outro modo. O governador Carlos Brandão, que foi vice de Flávio Dino por sete anos e depois passou a titular o mandato e reeleito em 2022, vai enfrentar o maior desafio de sua carreira política: eleger o sobrinho Orleans Brandão (MDB) e ficar sem mandato. A luta é contra Eduardo Braide, já ex-prefeito São Luís, pois a Câmara deu posse a vice Ismênia Miranda, em sessão extra, às 16hh desta 3ª feira. Logicamente, comunicada por Braide da renúncia para tomar “a decisão mais importante de sua vida”, de concorrer ao governo do Maranhão.
Ao contrário de Brandão que desde o fim de 2025 vem colocando o secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão na linha de frente de todas suas realizações, projetando-o politicamente, Braide aparece liderando as pesquisas eleitorais sem assumir a candidatura. Ultimamente, ele e Orleans se revezam na liderança das pesquisas, o que sugere, hoje, um eletrizante 2º turno, se os cenários se mantiverem nos patamares atuais. Como nenhum nome ainda é candidato até as convenções partidárias entre 20 de julho e 5 de agosto, muita alteração nos cenários irão acontecer durante a campanha.
Além do prazo de desincompatibilização terminar nesta sexta-feira, 03, é também o fim da “janela partidária” de troca de partidos para quem for candidato. No caso maranhense, todas as atenções se voltarão para o prefeito Eduardo Braide e a vice Ismênia Miranda (PSD), que já assumiu a titularidade perante a Câmara. Os dois passaram cinco anos sem dificuldades alguma na relação político-administrativa, desde 2020. Ele deve se unir ao grupo dinista que tentou emplacar o vice-governador Felipe Camarão que, no entanto, já admite disputar uma cadeira de senador na chapa de Eduardo Braide.
Para isso, Camarão teria que deixar o PT e mudar para um partido alinhado ao PSD que terá como candidato presidencial ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, histórico na extrema-direita desde 1985, quando fundou a União Democrática Ruralista (UDR), uma reação ao Plano de Reforma Agrária do governo José Sarney. Portanto, qualquer decisão que se imaginar sobre Felipe Camarão nas eleições, será decidida pela direção nacional do PT – a não ser que ele saia do partido, o que, legalmente, teria que acontecer até o dia 3, em razão da “janela partidária”. Ele está em Brasília, assim como Carlos Brandão, onde quase tudo é resolvido nesses dias de tensão e distensão política.
Já Orleans Brandão tem o governador e o pai Marcus Brandão no comando de seu projeto de chegar ao Palácio dos Leões, o qual vai tocando com desenvoltura. Ele é o elemento da gestão estadual colocado à frente de tudo que o governo realiza nos municípios. Também está aparecendo bem nas pesquisas, o médico Lahesio Bonfim (Novo) que tem se mantido fora do embate travado entre dinistas, brandonistas e braidistas. Orleans vai deixar o governo atá a próxima 6ª feira, juntamente com 12 secretários e dirigentes de órgãos. Será a maior reforma administrativa que Brandão terá de fazer de uma vez, forçado pela disputada de mandatos na Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados.