
O encontro prometido para esta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao governador Carlos Brandão ainda não tem data definida. Como a agenda deles será focada no destrinchar dos embaraços das eleições do Maranhão em 2026, ninguém pode especular em batida de martelo por nenhum dos dois governantes. Lula não tem o poder de ordenar a Brandão disputar o Senado e deixar o cargo para Felipe Camarão. Ou, de outro modo, aceitar facilmente a ideia do governador, de permanecer até o fim e apoiar o sobrinho Orleans Brandão (MDB) para sucessor. Por isso, o tal encontro está no centro das atenções políticas no Maranhão.
O presidente Lula sabe que tem enorme força pessoal no eleitorado maranhense, porém, a história registra que as suas votações não resultam em mandatos legislativos do PT nem estadual nem federal. Do mesmo modo, Brandão conhece profundamente as entranhas do jogo político do Maranhão e sabe que o maior cabo eleitoral é a máquina. Ele próprio foi fruto dessa realidade. Uma pesquisa do Real Time Big Data, divulgada em 22 de junho de 2022 mostrava o senador Weverton Rocha (PDT) com 24% das intenções de voto, contra 22% de Brandão. Em 20 de setembro, porém, o governador já aparecia com 41% no Ipec, contra 20% de Weverton. Em três meses, uma virada espetacular.
A diferença entre as duas eleições é a conjuntura. Em 2022, Flávio Dino era o líder do gruo que assumiu o poder em 2014 e candidato a senador, com Brandão junto no Palácio dos Leões continuando as realizações que marcaram a gestão dinista. E ainda com toda a equipe de governo que recebeu em abril, nos cargos, inclusive seu companheiro de chapa, Felipe Camarão à frente da Secretaria de Educação, um órgão de imenso poder aglutinador de votos. Agora, Dino é ministro do STF e não mais político, está rompido com Brandão e Felipe Camarão, fora do governo. Hoje, equipe de governo tem a cara do brandonismo, com ele agindo fortemente para eleger o secretário-sobrinho Orleans.
Há outras questões a considerar entre das duas eleições. Jair Bolsonaro, candidato à reeleição, escancarou uma política eleitoreira que incluiu até dinheiro para caminhoneiros e taxistas, em valores que passaram de R$ 2 bilhões, sem controle e sem amparo legal dentro dos programas sociais, segundo apurou a CGU em 2023. Milhares deles estavam com a CNH vencida e outros receberam também o seguro defeso. Outra diferença era a relação do governo Bolsonaro com o Maranhão, estremecida em razão da posição ideológica de esquerda de Flávio Dino. Hoje, o governo Lula apoio amplamente Brandão. O Maranhão tem obras federais tanto em São Luís quanto no interior, além de parcerias nos programas sociais.
O terceiro ponto a considerar no encontro de Brandão x Lula é o fator Eduardo Braide (PSD). Sem dizer explicitamente que vai disputar o governo, ele trabalha a imagem de sua gestão na capital e subliminarmente atua nas redes sociais como pré-candidato. Braide lidera as pesquisas desde o começo do segundo mandato, em janeiro. Como aparece sempre acima dos 32% nas pesquisas de intenção de voto, não se preocupa em formar grupo político, precipitar a eventual candidatura, ou entrar em bola dividida no jogo da sucessão de Brandão –, aliás, um governador bem avaliado e com robusto plano de investimentos.
Braide tem juventude, liderança pessoal, pragmatismo, mas não tem um “lastro” de lideranças municipais nos 2016 municípios fora da capital com prefeitos atuando na retaguarda e deputados fazendo o meio de campo. São essas estruturas conectadas que fazem a diferença na captação de votos. Já Orleans dispõem do tio no governo e ele próprio à frente de tudo que disser respeito à política municipalista em curso. Por outro lado, Lahesio Bonfim, pontua alto nas pesquisas e tenta se tornar o único representante do bolsonarismo no Maranhão, mesmo com Jair Bolsonaro na iminência de ser encaminhado a uma prisão pelo STF.