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MDB pressiona Roseana para disputar o Senado

Raimundo Borges - Bastidores

Ao longo da história, a eleição de governador do Maranhão tem sido um duro embate marcado por manobras, rasteiras, traições e união de contrários. Já as disputas do Senado quase sempre são arrastadas pela conjugação de forças que elegem o governador. As eleições de 2026 prometem algo incomum: a possibilidade do jovem Orleans Brandão (PSB), estreante na política, disputar o Palácio dos Leões, se o tio governador Carlos Brandão abdicar da possibilidade de real de ocupar umas das duas vagas de senador até 2.034. As pesquisas indicam que, na ausência de Brandão no páreo do Senado, o nome de Roseana Sarney aparece com maior destaque, mesmo sem ela demonstrar um pingo de interesse.

Porém, a ex-governadora do Maranhão, ao longo dos últimos anos, tem se colocada como uma fonte de mistério. Sempre falou em disputar a prefeitura de São Luís, mas nunca o fez, diziam que encerraram a carreira política no fim do governo em 2.014, mas voltou em 2.022, “empurrada” pelos emedebistas. Eles imaginavam que ela puxaria uma votação estrondosa capaz de eleger mais dois deputados da legenda. No apurado, ela não passou dos 97 mil votos, pouco mais da metade dos 161.206 de Detinha (PL), a campeã de urna, e pouco conhecida no Maranhão e em São Luís. Mas Roseana pode acabar cedendo a pressão da direção nacional do MDB e a vontade do próprio pai José Sarney.

A direção do MDB está diante de uma situação única entre os grandes partidos do Brasil. Dos atuais 13 senadores, 12 estão em fim de mandato para renovar em 2.026. Apenas o alagoano Renan Filho foi eleito em 2022, o que significa uma corrida quase desesperada num um partido do tamanho e da história do MDB. Em 2.024, por exemplo, o partido acabou ultrapassada pelo PSD em número de prefeitos, mesmo estando empatados em 5 x 5 nas capitais. No total, o MDB tem 853 contra 887 do PSD, partido do prefeito Eduardo Braide que, porém, não elegeu nenhum outro no interior do Maranhão, dos sete que havia em 2.020.

Pelo gosto do ex-presidente José Sarney, Roseana deverá retornar ao Senado, mas ela precisa de uma chapa capaz de ganhar a eleição de governador. Pela lógica e pela história recente do Maranhão, a eleição de duas vagas no Senado têm sido ganha na votação “casada”, na qual o eleitor voto junto nos dois candidatos. Em 2010, Roseana Sarney levou consigo os senadores João Alberto e Edison Lobão; em 2018, Flávio Dino foi reeleito com Weverton Rocha e Eliziane Gama. Em 2.026, porém, ambos estão, aparentemente, transitando em caminhos diferentes. Pelo menos enquanto as disputas majoritárias permanecem ainda desarrumadas.

Weverton anda com no interior com o secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão, pré-candidato do PSB ao governo, enquanto Eliziane está filiada ao PSD de Eduardo Braide. Esta semana, Braide, Eliziane e Gilberto Kassab estiveram reunidos em São Paulo, tratando das eleições de 2.026, nas quais o mandachuva do PSD já lançou Braide na disputa do Palácio dos Leões. Como as pré-candidaturas ao governo estão ainda amarradas em embaraços estruturais de natureza político, a corrida ao Senado segue ainda mais complicadas, até o momento em que Carlos Brandão decidir o que fazer de seu futuro: concorrer ao Senado ou ficar no governo tocando a candidatura do sobrinho Orleans.

Até o mês de julho Roseana Sarney estará de licença da Câmara, com o suplente Hildo Rocha ocupando o lugar, e fez um périplo pela Europa, com estadia maior na Itália. Caso não tope concorrer ao Senado Federal em 2.026, o MDB simplesmente não tem outro nome capaz de entrar numa briga de tamanha importância. Eis o motivo pelo qual a direção nacional do Partido, presidido no Maranhão pelo empresário Marcus Brandão, pai de Orleans, quer por que quer vê Roseana fazendo parte da chapa majoritária. O partido nem pensa em perder espaço no Senado, onde conta com 13 representantes, diante do avanço espantoso da direita e extrema direita, misturadas com o bolsonarismo que vai trabalhar duramente para tentar defenestrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Planalto daqui a 14 meses.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista