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Lula não vai decidir sozinho o rumo das eleições no MA

Raimundo Borges - Bastidores

A eleição no Maranhão se sustenta no apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na máquina do governo estadual com seus programas municipais, tipo “Mais Asfalto” do governo Flávio Dino, e na massa votante, beneficiada – aqui e acolá – por obras de emendas parlamentares. O secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão já tem o apoio fechado de 12 partidos – diga-se de passagem –, os de maior potencial de votos, exceto o PL do deputado Josimar do Maranhãozinho que, no entanto, nunca foi opositor do atual governo, nem mesmo nos de Flávio Dino. Nessas reuniões movidas a pragmatismo, a única palavra que que não se pronuncia é “ideologia”.

No Nordeste como um todo, a prática político-eleitoral é movida pela mesma linguagem que todos entendem: vale quem tem grana. Esquerdista, direitista, comunista, fascista e outros termos do gênero ficam para intromissões das redes sociais e nos discursos de teor acadêmico. Bem ali no vizinho Piauí, o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP percebeu que é melhor baixar o faixo e interromper a ofensiva digital contra o presidente Lula da Silva (PT) e adotar um tom cauteloso para com o governo federal. O PP e a União Brasil se juntaram na Federação União Progressista, mas têm quatro ministérios no governo petista.

Ao contrário do Maranhão, o PT piauiense tem o governo estadual, 40% da Assembleia Legislativa e 50 das 224 prefeituras. Não sem motivo, o presidente do PT local, Fábio Novo reagiu com indignação a tentativa de Nogueira se reaproximar de Lula. “Ciro teve muitas chances e, em todas, nos traiu”, escreveu o petista nas redes. Lá o partido de Lula apoia para o Senado dois nomes alinhados históricos: Marcelo Castro (MDB), que concorre à reeleição; e o deputado Júlio Cesar, do PSD. Significa que Ciro Nogueira já sente a necessidade de mudar de postura diante desse cenário totalmente desfavorável ao seu projeto de reeleição para o Senado Federal.

No Maranhão, o PP tem o ministro dos Esportes André Fufuca, seu presidente regional que vem trabalhando fortemente como pré-candidato ao Senado, apoiado pelo governador Carlos Brandão e decidido a apoiar Orleans Brandão ao governo. Como, porém, a eleição majoritária no estado está ainda na fase de arrumação, o presidente Lula não vai debater essa questão com vários pontos desamarrados para sozinho tomar a decisão que achar melhor para o PT. Embora sendo fiel seguidor do pragmatismo, que define a verdade e o valor de utilidade na política real, Lula sabe seus limites de atuação em cada situação estadual.

No Maranhão, o PT não chega nem perto do tamanho do lado piauiense. Mesmo estando metido de corpo inteiro no governo Brandão, com quatro secretarias e a diretoria-geral dos Institutos de Educação, Tecnologia e Ciência do Maranhão (IEMA), não tem capilaridade no interior, com apenas dois prefeitos de pequenos municípios. Caso o partido siga a candidatura de Felipe Camarão rompido com o governador, significa que, na hipótese de Orleans vir a ser eleito, os quase dois mil cargos ocupados hoje pelas suas diferentes correntes internas, terão que abrir lugar para quem chegar ao poder em 2027.

Enquanto acompanha os números das pesquisas, divulgadas semanalmente sobre a disputa presidencial, Lula percorre o Brasil, inaugurando obras e buscando entender a situação em cada estado. A divisão ideológica entre esquerda, centro e direita tem tudo a ver com resultados econômicos do país e seus reflexos na vida de cada brasileiro. O governo Federal, por exemplo, não aliviou no quesito liberação de verbas para obras em parceria com o Estado. Portanto, os próprios petistas sabem que a corrida ao Palácio dos Leões terá muito mais chances de ser resolvida por Lula junto com Brandão do que deixar o trem sair do controle, num dos momentos mais cruciais para vida política deles dois.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista