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Lula fica entre Felipe Camarão e Carlos Brandão em Imperatriz

Raimundo Borges - Bastidores

Na política, com seus prazos e datas definidas no calendário eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o tempo é o senhor absoluto da razão, ou do embaraço. Falta ainda quase 180 dias para o 2 de abril, data em que Carlos Brandão (ainda no PSB) deve reunir os partidos da base aliada e anunciar que vai ficar no governo até 31 de janeiro de 2026. O objetivo é lutar para fazer Orleans Brandão (MDB), seu sobrinho, o sucessor. Até lá muita maré vai encher e vazar debaixo da Ponte José Sarney, em São Luís. Os acordos, compromissos, adesões e rupturas farão parte do jogo nesse período. Nos bastidores do espetáculo eleitoral, os detalhes do papel de cada ator político estão longe do arremate final.

Assim como o Brasil aparenta estar dividido entre bolsonarismo e lulismo, no Maranhão a dicotomia que aparece, a 13 meses das eleições, é entre dinismo e brandonismo. Porém, o universo dos mais de 50% de “invisíveis” é uma incógnita. Nem é dimensionado nas pesquisas. No Maranhão se fala em brandonismo e dinismo, mas falta quantificar o tamanho desses dois segmentos do eleitorado. As pesquisas apontam a liderança de Eduardo Braide (PSD) seguido por Orleans Brandão (MDB), mas é muito vago definir os eleitores que se fingem apoiar certos candidatos, mas depois trocam de posição.

Nesta segunda-feira, 06/10, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a cidade de Imperatriz para entregar 2,8 mil residências do programa Minha Casa Minha Vida. Se aquela antiga conta de 4 pessoas por família no Brasil ainda estiver valendo, serão 11,2 mil pessoas que receberam a chave da moradia a preço de banana na prestação. Lula levou para o palanque oficial Carlos Brandão e Orleans, de um lado, e de outro, o petista Felipe Camarão, portanto, dois pré-candidatos a governador e um a presidente. Sem falar no ministro dos Esportes, André Fufuca (PP), pré-candidato ao Senado e nos senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PSD). Lula concedeu entrevista exclusiva a O Imparcial, mas não quis comentar a situação embaraçosa da política do Maranhão.

Fufuca gosta do governo, o presidente Lula gosta de seu trabalho e precisa do apoio do PP dentro do Congresso. Se deixar a Esplanada, a pré-candidatura ao Senado de Fufuca pode se dissolver em pouco tempo, numa conjuntura tumultuada como está a política nacional e a estadual do Maranhão. Além de entregar casas, Lula lançou construção de uma Arena Brasil, obra do Novo PAC Seleções, do Ministério de Fufuca. Inegavelmente, o governo federal tem dado atenção especial à gestão de Brandão, muito mais do que nos mandatos anteriores, quando construiu no Maranhão um dos principais redutos eleitorais.

O presidente nacional do PP Ciro Nogueira está no olho do furacão da crise interna da direita repartida entre apoiar pelo menos quatro governadores do espectro bolsonarista. Ao decidir, por conta e risco, apoiar Tarcísio de Freitas (SP), Nogueira excluiu o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, a quem chamou de “inviável” ao Planalto. Em cima da bucha, Caiado rebateu, atacando-o: “A ansiedade de Ciro Nogueira em se colocar como candidato a vice-presidente do governador Tarcísio é vergonhosa, e algo tão gritante que ele já se coloca como porta-voz de Bolsonaro, o que ele não é”.

Por sua vez, o presidente Lula na entrevista exclusiva a O Imparcial preferiu não comentar a situação política do Maranhão, certamente por não ter tido ainda a oportunidade de conversar com Brandão sobre as eleições de 2026. Preferiu falar das ações do governo federal no Estado que pretende visitar em breve para acompanhar o andamento de suas realizações – quem não são poucas. “Estamos enfrentando e diminuindo a raiz de todas as divisões: a desigualdade social, que faz uns poucos acumularem muita renda, enquanto muita gente fica sem oportunidades ou mal consegue garantir a alimentação básica para sua família”, disse.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista