
Instrumentalizada pelas infinitas facilidades das tecnologias digitais, a pré-campanha eleitoral já provoca esforço redobrado na Justiça Eleitoral para atender a enxurradas de demandas ligadas às candidaturas a todos os mandatos em disputa nas eleições de 4 de outubro. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) já registra um aumento considerável de representações em 2026, principalmente ligadas às pré-candidaturas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Já são dezenas desse tipo de ação, o que antecipa a disputa pelo voto e por espaço nas mídias antes mesmo da campanha eleitoral começar após as convenções dos partidos entre 20 de julho e 5 de agosto.
Como tudo que dá notícia acaba virando pauta política na polarização PT x PL, a exemplo dos detergentes da Ypê e do escândalo do Banco Master, o Brasil acaba perdendo a sua condição de segunda maior democracia do mundo, fantasiando-se de republiqueta de bananas. A escalação de Neymar por Ancelotti para a Seleção foi festejada pelos bolsonaristas como uma vitória política deles, não de um atleta de alta relevância numa competição do peso da Copa do Mundo. Em 2022, Neymar postou um vídeo dançando uma música que dizia “vota, vota e confirma: 22 é Bolsonaro”. Flávio Bolsonaro reagiu: “Agora o hexa vem”. Não veio. Brasil foi eliminado pela Croácia, e Bolsonaro derrotado por Lula.
Entre janeiro e abril deste ano, o TSE recebeu nada menos que 59 processos eleitorais, dos quais, 26 protocolados pelo PL. Já o PT, por meio da Federação Brasil da Esperança – formada por PT, PCdoB e PV -, aparece em segundo lugar, com 21 representações. No mesmo período das eleições de 2022, o TSE havia recebido apenas 14 ações eleitorais. Na ocasião, oito ações partiram do PT e apenas uma do PL. Os dados mostram um cenário pré-eleitoral, precocemente judicializado e tensamente radicalizado. A enxurrada de ações é um dos lados da estratégia das campanhas ao confronto de urnas em outubro.
Além das redes sociais, a Inteligência Artificial chegou com força total na 4ª maior campanha eleitoral do mundo, com potencial para interferir diretamente na atitude do eleitor perante os candidatos. Principalmente, com o uso indiscriminado da tecnologia de AI para difundir fake news em cenários políticos de população historicamente de voto manipulado. Em 2026, o clássico encontro do candidato com o eleitor no palanque da praça perdeu a razão de ser. O que existe hoje é o “contato” virtual em que todos os lados de uma campanha estão na palma da mão num simples clique no celular.
Até o velho cabo-eleitoral perdeu relevância. Quem ocupa o trabalho de aproximação do candidato com o eleitor são os especialistas em tecnologias digitais. Baseado nessa realidade, o PT de Lula subiu o tom, mudou de postura e entrou oficialmente no mudo campanha eletrônica. A estratégia petista ganhou impulso após a bombástica divulgação do site Intercept Brasil, de vídeos em que Flávio Bolsonaro cobrava diretamente de Daniel Vorcaro, os R$ 134 milhões de patrocínio do filme Dark Rorse, sobre a vida de Jair Bolsonaro. O PT decidiu reorganizar o plano de comunicação com foco no enfrentamento político, com conteúdo rápido e respostas objetivas aos ataques do PL de Flávio Bolsonaro.
O partido de Lula postou nas redes um vídeo sobre o assunto e incluiu um versículo da Bíblia que diz “pois não há nada oculto que não venha a ser revelado, nem nada escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz”. O PL, desde 2022 detém uma estratégia consolidada de atuação nas redes sociais. Porém, o TSE já baixou resoluções definindo regras rígidas de controle da IA na campanha. No entanto, pelos levantamentos da corte, mais de 90% das ações entre os dois principais concorrentes ao Planalto têm relação com suposta propaganda eleitoral antecipada, impulsionada nas plataformas digitais, quando a campanha oficial só começa a partir do dia 16 de agosto.