
Já se passaram 20 dias em que o PSB retirou seu braço no Maranhão das mãos do governador Carlos Brandão e nada aconteceu sobre o futuro partidário do principal grupo de poder estadual. Embora seja quase certo que ele se organize para uma filiação em bloco no MDB, presidido pelo irmão Marcus Brandão, o governador não sinaliza pressa para desembarcar do PSB, ironicamente, presidido pela senadora Ana Paula, mulher do líder da oposição na Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto. Como deputados e vereadores estão sob a regra legal da troca de partido, Brandão prefere aguardar a janela partidária para puxar o grupo que lidera na direção do MDB e outras legendas.
A lei n 9.096, conhecida como Lei dos Partidos Políticos, trata da mudança de partido no artigo 20, de forma bem clara: “Perderá o mandato, o detentor de cargo eletivo que se desfiliar, sem justa causa, do partido pelo qual foi eleito”. Como a janela partidária ocorre em ano eleitoral seis meses antes da votação, os “socialistas” maranhenses estão numa encruzilhada jurídica de enorme repercussão. Afinal, apenas deputados estaduais e federais no último ano do mandato (2026) podem trocar de partido sem risco de perder o mandato. Em 2024, por exemplo, a “janela” se abriu apenas para os vereadores eleitos em 2020.
Como Brandão pretende levar consigo o maior número de deputados estaduais e federais para onde for, logicamente que o mais sensato seria esperar a janela de 2026, que acontecerá entre março e abril. Até lá governistas e oposicionistas, que vivem se digladiando na Assembleia Legislativa, terão que conviver na mesma legenda socialista. Todo esse imbróglio faz parte da crise instalada no grupo do poder estadual desde 2014, agora atuando como ferrenhos inimigos. Afinal, faltam oito meses para a janela partidária, tempo muito longo para quem já vive se esbofeteando na Alema e redes sociais.
No meio dessa encrenca partidária está a disputa do governo do Maranhão, das duas vagas de senador, 18 de deputados federais e 42 de estaduais. Brandão tem em torno de si e dentro do governo, políticos de vários partidos já se movimentando em busca de voto. O senador Weverton Rocha (PDT) segue Brandão, e a colega Eliziane Gama é do PSD do prefeito Eduardo Braide, líder das pesquisas ao Palácio dos Leões, mesmo sem anunciar candidatura. Até as viagens que ele vinha realizando por alguns municípios, suspendeu. Percebeu que antecipar a pré-campanha em tanto tempo não é uma boa estratégia. Os recursos são limitados para atrair prefeitos e lideranças municipais, praticantes do toma lá dá cá.
O destino de Brandão mexe com as bancadas federal e estadual que lhes dão apoio em 2025, mas nada garante que todos eles vão estar de seu lado em 2026. Afinal, vai ser o ano do vale tudo, numa eleição que já tem pelo menos quatro pré-candidatos a governador pontuando nas pesquisas: Eduardo Braide, Orleans Brandão, Felipe Camarão e Lahesio Bonfim. Sob a liderança de Brandão está o sobrinho e secretário Orleans, enquanto os demais sairão em conjuntura diferenciada. Braide não tem grupo definido; Felipe Camarão tem o PT e Lula como candidato à reeleição; e Lahesio atrai o bolsonarismo avulso no Maranhão.
Observando-se o rumo que a pré-campanha eleitoral está tomando constata-se que os partidos são o que menos importa. Eduardo Braide, por exemplo, é o único gestor do PSD no estado; Lahesio Bonfim pontuando bem nas pesquisas, mas é filiado ao Partido Novo que não conta com nenhum prefeito, deputado ou vereador. Apenas o emedebista Orleans Brandão tem uma sustentação partidária robusta, além do apoio explícito do governador Carlos Brandão. Significa que o eleitor está muito mais atento ao desempenho ou ao carisma dos pré-candidatos do que interesse em conhecer o teor dos programas partidários, escritos apenas como formalidade legal para a sua existência.