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Esquerda e direita estão sem campos demarcados 

Raimundo Borges - Bastidores

Durante os anos de chumbo da ditadura militar de 1964 no Brasil, a temática político-ideológica de esquerda e direita radicais era limitada a estudos acadêmicos nos campos da sociologia e antropologia. Diferentemente de hoje, quando a direita bota a cara na rua e atua com desenvoltura nos segmentos econômicos evangélicos, a esquerda ainda sente o encabulo dos tempos em que esta opção tinha o qualificativo insultuoso de “comunista”, emoldurado nos regimes da Venezuela e de Cuba. Porém, o Maranhão e os demais estados têm sim o perfil ideológico desenhado em estudo do Instituto DataSenado, de 2024, em que aponta o tamanho da esquerda, direita e centro pelo país afora.

A pesquisa mostra que 40% dos entrevistados afirmam não se considerar nem de esquerda, nem de direita e nem de centro. Outros 11% declaram se considerar de centro. A soma desses dois segmentos representa a maioria dos eleitores brasileiros (51%). Definidos como de direita somam 29%; de esquerda, 15%; e 11% de centro. No posicionamento por estado, o Maranhão tem 13% de esquerdistas, 23% de direitistas, 7% de centristas, 52% sem posição definida e 5% não quiseram responder. Quanto a posição raça, 47% dos brasileiros tidos como de cor branca ou amarela, se consideram de centro. Entre os brancos, está o maior percentual de direita, 32% no comparativo com preta/parda/indígena).

A pesquisa foi realizada em junho de 2024, com entrevistas por telefone com 21.808 cidadãos representativos da população, ou seja, de quase 170 milhões de pessoas (169.840.184) acima de 16 anos. O estudo planejava analisar a opinião da população sobre prioridades para a atuação parlamentar e quantificar percepções do povo em relação à democracia brasileira; ao desempenho do parlamento; e aos principais temas em debate no país, inclusive aqueles que se inserem no contexto de eleições, como a identificação ideológica do eleitor. Ficou constado que a direita é maior em todos os estados, mas em Rondônia, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e Roraima está bem acima da média.

Já a esquerda tem percentuais acima da média nos estados do Nordeste, onde tem conseguido vitórias eleitorais expressivas nas últimas eleições, inclusive do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tal fato acabou levando a PRF a bloquear BRs em 2022, com ônibus levando eleitores nas regiões onde Lula foi mais votado no 1º turno. Esse estudo permite entender o panorama do perfil do eleitor brasileiro, cujo posicionamento político impacta diversos fatores como religião, renda familiar e escolaridade. Tais informações são usadas também para direcionar as campanhas eleitorais em cada estado a partir dos respectivos segmentos sociais.

Nas eleições de 2026 no Maranhão, entre os pré-candidatos a governador, por exemplo, não há uma clara identificação ideológica de Orleans Brandão (MDB), Eduardo Braide (PSD), Lahesio Bonfim (Novo) e Felipe Camarão (PT). Todos eles estão nos respectivos partidos mais por razões circunstanciais do que ideológicas. Orleans é de família política, mas sem abandonar a atividade empresarial do Agro em Colinas. O prefeito Eduardo Braide é filho de ex-deputado Carlos Braide, que presidiu a Alema e passou pelo PDS, PMDB (três vezes), PFL, PSD, PST e PDT. Eduardo já foi do PMN (extinto) e está filiado no PSD. Lahesio Bonfim já transitou por 10 partidos, inclusive o PT, por onde começou na política no Piauí.

O atual vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão é de classe média alta, professor da Ufma e procurador federal. O PT foi sua primeira filiação partidária, de 2022, num acordo costurado pelo então governador Flávio Dino e seu vice Carlos Brandão. É filho de um casal de médicos, cujo pai Phil Camarão já foi vereador de São Luís. Portanto, a divisão ideológica que divide o Brasil mais do que nunca em 2026, ainda é uma nuvem cinzenta no estado dominado por sucessivas oligarquias políticas, e se arrasta na história das carências sociais. Mesmo assim, Braide está mudando a paisagem urbana e de serviços da capital, enquanto Carlos Brandão puxa um portfólio de obras que se estendem por todos os municípios.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista