
Este é, de fato, a primeira semana da prefeita de São Luís Esmênia Miranda, 44, (PSD) no pleno exercício do mandato de dois anos e nove meses no Palácio La Ravardière, que ganhou do titular Eduardo Braide, ao renunciar já como pré-candidato a governador do Maranhão. Ela é a quarta prefeita na história de São Luís desde Lia Varela (interina em 1978 e 1979), Gardênia Gonçalves (1986-1989), e Conceição Andrade (1993-1997) a assumir o cargo como vice de um pré-candidato ao Palácio Leões. Braide leva como vitrine da campanha um robusto projeto que mudou a infraestrutura urbana e paisagística da capital maranhense.
O ex-prefeito tem hoje com principal adversário nessa etapa de pré-campanha, o ex-secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), apoiado pelo tio governador Carlos Brandão, que optou por permanecer no cargo até o fim. Hoje, Braide inicia a peregrinação pelo interior começando por Imperatriz, onde anunciará o nome da vice, que pode ser a empresária do agro Erica Lira Chaves, dona da Fazenda Campolina, de gado nelore. Ou pode ser Mariana Carvalho do PL e bolsonarista de carteirinha, que disputou a eleição de prefeita em 2024 e foi derrotada por Rildo Amaral no 2º turno, quando estava no REP, brigou com o deputado Aluísio Mendes e migrou o PL. Braide deve ir a Balsa e Açailândia esta semana.
O PL tem o senador Flávio Bolsonaro como candidato presidencial, que racha a direita com o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, filiado ao PSD de Braide. E Imperatriz é terra-berço do senador Weverton Rocha (PDT), que vai para a reeleição apoiado pelo prefeito Rildo Amaral (PP), partido do deputado André Fufuca que diz não abrir mão de concorrer ao Senado, só que com o apoio do presidente Lula. Ele tem trabalhado junto com o pré-candidato a governador Orleans Brandão (MDB). Fufuca aparece nas pesquisas para o Senado bem colocado junto com a deputada federal Roseana Sarney, do MDB. Entre os dois principais candidatos ao governo maranhense uma das diferenças é a expectativa de coligação. Orleans pode atrair mais de 10 partidos, enquanto Braide só agora vai mergulhar no seu projeto rumo ao Palácio dos Leões, percorrendo os municípios, onde o PSD não conta hoje com nenhum prefeito. Mas pela lógica, ele não pode arriscar disputar o governo como foi prefeito da capital, politicamente desagrupado. Embora sendo forte no uso das redes sociais, mas campanha de governador é outra história. Orleans Brandão também trabalha fortemente nas mídias eletrônicas e conta com onze partidos em seu palanque e mais de 160 prefeitos que se comprometeram cm sua campanha. Logo, não é exagero imaginar que os dois primos em segundo grau (Braide e Orleans) prometem embates bem distantes do parentesco. Ao anunciar sua candidatura no último dia 31, Braide disse não contar com dinheiro, nem com a máquina do poder, mas tem o principal: o apoio do povo maranhense. Ele deixa Esmênia na prefeitura, com o plano “São Luís se Transforma”, de R$ 1,6 bilhão, lançado há um mês. Porém, ao anunciar sua candidatura o fez sozinho, não levou vereadores, nem deputados nem líderes partidários. Apenas secretários municipais marcaram presença, dos quais nenhum deixou o cargo para concorrer a mandato parlamentar. Ele, desde 2020, se tornou um exímio comunicador digital, a ponto de se destacar como gestor, o que obrigou o presidente nacional do PSD Gilberto Kassab a lançá-lo ao governo.
A senadora Eliziane Gama decidiu migrar do PSD para o PT em encontro do partido na Bahia, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a incentiva a participar de sua campanha à reeleição. Enquanto isso, o vice-governador Felipe Camarão retornou domingo de Brasília reafirmando sua pré-candidatura a governador pelo PT, apoiado pelo PSB e PCdoB. Já fora prefeitura, Braide anunciou o seu ‘dublador’ Joel Campelo como candidato a deputado estadual pelo PSD, assim como fez em 2024 com o jornalista Douglas Pinto, que acabou sendo campeão de voto para vereador. Assim, a primeira semana do ex-prefeito Eduardo Braide é de recomeço; de Esmênia, de governança; Orleans, de expansão; de Carlos Brandão, de articulação; e de Lahesio Bonfim, de olhar os cenários.