
Pelo calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as campanhas eleitorais só começam oficialmente no período de 20 de julho a 5 de agosto. Mas no modo pré-campanha, os pré-candidatos já estão nas redes sociais, nas ruas e fazendo proselitismo em suas pregações eleitorais. É um movimento tão embaraçado que o eleitor por mais que queira não consegue entender algumas situações se arrastarão até às convenções. Por exemplo, Orleans Brandão, candidato a governador do MDB ainda não tem o vice dentro da coligação que lidera com mais de 10 partidos. Pela lógica, o nome não será de seu partido, por necessidade de acomodar enormes interesses sensíveis a qualquer desarrumação.
Afinal, numa disputa acirrada com projeções de segundo turno contra Eduardo Braide (PSD), tudo que o MDB quer nessa fase de pensamento único e dissidência zero. O ex-prefeito de São Luís como não tem grupo e definiu sozinho a empresária Elaine Carneiro para vice, mesmo sendo desconhecida no meio político, logo, não passa noites indormidas pensando em quem vai somar ou diminuir nas escolhas que faltam. Nem as insinuações de Lahesio Bonfim (Nono) para possível acordo desistência da corrida ao governo em troca de lugar para o Senado junto a Braide, o deixou animado.
No lado oposto, Orleans Brandão tem uma fila tanto para o Senado quanto para vice de sua chapa. Os deputados federais Roseana Sarney (MDB), André Fufuca (PP), Pedro Lucas (União Brasil) estão na fila por uma das vagas majoritárias, enquanto Weverton Rocha tem senha de preferencial para reeleição, e Eliziane Gama vai com Felipe Camarão (PT). Já deputado federal Duarte Júnior (Avante) deixou o grupo Brandão se articula rumo a Eduardo Braide, mas não viu o sinal de boas-vindas. Eles não apagaram antigas rivalidades de duas eleições – 2020 e 2024 –, quando disputaram o segundo turno das eleições de São Luís. Mas a dinâmica da política vive mais do presente do que de remoer o passado.
Já o vice-governador Felipe Camarão foi lançado pela cúpula do PT à disputa do Governo, depois de uma ruptura com o titular Carlos Brandão (MDB). Até o presidente Lula deu aval à empreitada de Camarão, para ter um palanque petista no Estado em que mais tem recebido votos em todas as suas eleições. Em 2022, por exemplo, desempenho de Lula no Maranhão foi o terceiro melhor de todo o país, atrás apenas do Piauí com 76,84% e da Bahia com 72%. A cidade Central do Maranhão era a mais lulista em 2006, com 97,20% dos votos válidos. Porém, em 2022 o lulismo no estado avançou mais em Belágua e Serrano do Maranhão, que garantiram 91,87% dos votos ao petista.
Como cada eleição tem sua história e seus personagens em papéis diferentes, Duarte Júnior quer disputar o Senado apoiado por Braide, candidato ao Palácio dos Leões. Em troca, promete abrir mão de disputar novamente a prefeitura da capital em 2028 e, ainda por cima, apoiar a reeleição da prefeita Esmênia Miranda. “Se eu for eleito senador da República e poder contar com o apoio de Esmênia para esse objetivo, e ela der continuidade ao bom trabalho, claro que vai ter um senador ao seu lado”, admitiu Duarte, em entrevista ao podcast UQ!, do jornalista Jeisael Marx.
Como se pode constatar, as freadas de arrumação dos protagonistas das eleições de outubro no Maranhão estão longe de acontecer. Historicamente, em alguns casos, muitas definições acontecem em pleno burburinho das convenções partidárias. O caso mais enigmático aconteceu na escolha de José Reinaldo, em 1998, vice de Roseana Sarney. Por falta de acordo com João Castelo, o favorito, dona Marly, que nunca participou de política, teria entrado em cena e recomendado o deputado José Reinaldo, tido como “filho” de José Sarney. Depois de eleito governador, ele rompeu com os Sarney por pressão da então esposa, Alexandra Tavares.