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Edinho Silva, Eliziane e Camarão tentam retirar o PT das cordas

Raimundo Borges - Bastidores

Depois de duas reuniões desmarcadas com os membros e lideranças do diretório estadual do Maranhão, o presidente nacional do PT, Edinho Silva desembarcou em São Luís, nesta segunda-feira, 01/06, mas sem uma solução mágica para tirar o partido do velho imbróglio de outras eleições. O partido do presidente Lula foi arrastado para a crise, na esteira da ruptura entre o governador Carlos Brandão com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. Edinho veio reafirmar a candidatura do vice-governador Felipe Camarão ao Palácio dos Leões e tentar provar que ele tem potencial para crescer nas pesquisas, fortalecer a campanha de Lula e, de quebra, reeleger a senadora Eliziane Gama (PT).

Até agora não há indicação de pesquisa eleitoral ou de estudo de consumo interno que coloque o petista Felipe Camarão como um provável participante do segundo turno na corrida aos Leões. A liderança entre Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB) longamente empatados nas intenções de voto, parece tão consolidada que talvez não seja de interesse do presidente Lula sequer participar da campanha no estado. Seria usar a estratégia neutralidade que lhe daria votos da esquerda ao centro. Afinal, tanto Braide quanto Orleans são políticos de centro-direita, muito ao gosto do próprio eleitorado que apoiou o dinismo em três eleições para derrotar o sarneísmo.

No cartaz sobre a plenária do PT aparecem Lula, o professor Chocolate, a senadora Eliziane Gama, Felipe Camarão e Edinho Silva. Um encontro desse nível no Partido dos Trabalhadores é sempre aberto, mas esta plenária foi fechada, na qual militantes, filiados e dirigentes debateram diretrizes, organização, campanhas e rumos da legenda sobre o caso específico do Maranhão, onde o diretório está sob intervenção desde 2025. A proposta do partido é reeleger Eliziane Gama e não ficar como em 2022 – zerado na Assembleia Legislativa e com apenas um deputado na Câmara Federal.

A situação do PT no Estado em que Lula sempre teve a primeira ou a segunda votação segue na crise que se arrasta ao longo de cada eleição geral e municipal. Só elegeu dois prefeitos em 2024, enquanto Josimar do Maranhãozinho levou o PL ao topo com 40, contra 19 do PSB nas mãos de Carlos Brandão. Hoje é oposição. Agora inelegível por condenação colegiada da 1ª Turma do STF, Josimar segue, porém, com força para reeleger a esposa Detinha à Câmara, reeleger a sobrinha Fabiana Vilar, na Alema e o sobrinho vereador de São Luís, Aldir Junior, já lançado a deputado federal.

Seja como for, Josimar tem força eleitoral em aproximadamente 40 municípios nos quais elegeu os prefeitos em 2024. Se não conseguir reverter a inelegibilidade da condenação por acusação de cobrar propina sobre emendas parlamentares pix em São José de Ribamar, mesmo assim, ele terá protagonismo das eleições de outubro. Por sua vez, o PT estrará no centro do mesmo processo eleitoral com o candidato Felipe Camarão concorrendo em desvantagem, com a maioria apoiando o emedebista Orleans Brandão, em cujo governo do tio mantém quatro secretarias e todos os cargos comissionados.

Como sair dessa encrenca é a pergunta que os próprios petistas já vêm fazendo ao longo do ano eleitoral, depois que o partido não fez acordo com o MDB dos Brandão e dos Sarney, e o presidente Edinho Silva, com a anuência de Lula embaralhou as cartas no tabuleiro. É o jogo jogado por quem mais entende da atual política no Brasil e que está em via de comandar a República da maior democracia da América Latina, pela sexta vez, em 24 anos, se não se perder no caminho. Assim, o “Desenrola” do governo do PT para salvar quem está endividado, não chegou com a mesma importância à eleição maranhense deste ano. Está todo enrolado.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista