
A corrida ao Palácio dos Leões em 2026 pode registrar um fato histórico jamais visto no Maranhão e dificilmente em outro estado. As pesquisas apontam o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD) e o secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB) se revezando na liderança das intenções de voto. O que o eleitorado maranhense não sabe é que o nome completo do prefeito é Eduardo Salim Braide, e o do secretário, Carlos Orleans Braide Brandão. Será a primeira vez que dois políticos de sobrenome igual estarão frente a frente numa eleição com todos os ingredientes para ser eletrizante.
Os dois “carcamanos” que despacham na Praça Pedro II, centro de São Luís, são primos em segundo grau: o pai de Eduardo, ex-deputado estadual Carlos Braide, que chegou à Presidência da Assembleia Legislativa, é primo legítimo da mãe de Orleans, Maria do Socorro Braide. O curioso é que os dois nunca abriram a boca para dizer algo que os façam aparecer como eventuais adversários políticos no próximo ano. Os Braide são originários da imigração de sírios e libaneses para o Maranhão na década de 1880. Espalhados pelo Brasil, eles e seus descendentes ascenderam econômico e politicamente em muitos lugares.
A história do Maranhão tem tudo a ver com os descendentes árabes sírios e libaneses que ganharam vários apelidos, dentre eles, o pejorativo “carcamano” – aquele que encarca a mão como sovino, econômico, negociante. Mão fechada. Carlos Braide foi eleito cinco vezes deputado estadual e presidente da Alema (1991-1993). Assumiu interinamente o governo quando João Alberto se recusou a receber, em Imperatriz, o presidente Fernando Collor de Mello na inauguração do terminal da ferrovia dos Carajás, pertencente à antiga estatal Companhia Vale do Rio Doce, em Açailândia.
Já o prefeito Eduardo Braide, 49 anos, foi presidente da Caema no governo José Reinaldo, e candidato a deputado federal em 2006 pelo PSB, tendo recebido 29.991 votos, não sendo eleito. Em 2008, tenta a eleição para vereador de São Luís e novamente ficou como primeiro suplente. Em 2010 foi eleito deputado estadual e reeleito em 2014, tornando-se líder do governo Flávio Dino na Alema, com quem rompeu num episódio da eleição da mesa diretora da Casa ao ser preterido para vice-presidente de Humberto Coutinho, sobrando para Othelino Neto (PCdoB). Em 2018 elegeu-se deputado federal, em cujo mandato conquistou a prefeitura de São Luís em 2020 e a reeleição em 2024.
Orleans Brandão, 31 anos, é estreante na política, com formação em Administração Pública, foi nomeado secretário de Assuntos Municipalistas pelo tio governador Carlos Brandão. Ele é o condutor da política municipalista, cuja linha programática é descentralizar as ações estaduais para fortalecer os municípios. O objetivo: fazer com que as cidades tenham mais poder de decisão, recursos e eficiência na gestão local. Seus defensores argumentam que o município é a esfera de governo mais próxima do cidadão e, por isso, deve ter mais condições de implementar políticas públicas mais rápidas e eficazes.
O secretário estadual atua politicamente apoiado pelo tio governador, nas cidades do interior, onde o grupo elegeu mais de 150 prefeitos. Já o primo prefeito da capital tem alto índice de aprovação nas pesquisas, graças a projetos arrojados em diferentes áreas.
Portanto, Eduardo Braide e Orleans Braide podem marcar a história política num inédito confronto eleitoral na corrida ao Palácio dos Leões, separado apenas por um muro, do Palácio La Ravardière, sede da prefeitura. Se os dois decidirem de fato pelo confronto de urna em 2026, os eleitores de direita ou de esquerda terão um encontro marcado no centro do espectro ideológico, que hoje divide o Brasil como nunca se viu registro na história recente.