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BASTIDORES

Desidratar a esquerda

Enquanto há tempo de sobra e aproveitando o ambiente de crescente derretimento da aprovação do governo Jair Bolsonaro (PSL), o governador Flávio Dino amplia os “diálogos pela governabilidade”, sob o argumento de risco iminente à democracia. Ao procurar o ex-presidente e arqui-inimigo José Sarney para discutir o momento político do Brasil, Dino mirou com aparente […]

Enquanto há tempo de sobra e aproveitando o ambiente de crescente derretimento da aprovação do governo Jair Bolsonaro (PSL), o governador Flávio Dino amplia os “diálogos pela governabilidade”, sob o argumento de risco iminente à democracia. Ao procurar o ex-presidente e arqui-inimigo José Sarney para discutir o momento político do Brasil, Dino mirou com aparente sucesso dois objetivos: 1) relaxar a tensão entre seu grupo e os Sarney no Maranhão; e 2) reconhecer a importância de dar uma guinada ao centro, ouvindo os ex-presidentes FHC, Lula e Sarney sobre esse momento tumultuado no país.

Com as conversas que já passaram pelos ex-presidenciáveis de 2018, Ciro Gomes (PDT) e Fernando Haddad (PT), além de governadores e parlamentares, Flávio Dino está ocupando o espaço que pode até levá-lo à disputa presidencial em 2022, galgando a confiança tanto da esquerda quanto do centro. Seria uma “desidratação” da esquerda, que em toda eleição prefere se dividir e perder poder, que fazer o contrário, com uma visão pragmática da política moderna. O exemplo que Dino tem para argumentar aos interlocutores improváveis está ainda efervescente na mente de cada eleitor sobre a eleição presidencial de 2018. Caso tivesse ocorrido uma frente de centro-esquerda unida e compacta, usando discurso e programa convergente, Jair Bolsonaro, mesmo tangido pelos fatores favoráveis, certamente não seria hoje o presidente. Ele mesmo sabe disso, ao revelar que, “se o governo errar, o PT volta”. Mas hoje a única alternativa de poder não é só o PT, mas, sim, uma frente nos moldes que Dino está propondo, envolvendo lideranças, o Nordeste e outras regiões interessadas.

Obviamente que o representante do PCdoB não está impondo-se como candidato presidenciável. Pode ser outro nome, como o próprio Ciro ou Haddad, mas desde que o país
tenha a oportunidade de se recompor num projeto de desenvolvimento. Com a economia afundando na crise sem precedente e de longa duração, algo precisa ser feito. E não será por Flávio Dino, João Dória, Ciro Gomes ou Haddad isoladamente. O diálogo já serve para, pelo menos, amortece as molas das tendências políticas fora eixo direitista de Bolsonaro.

Construindo pontes

Fortalecer a governabilidade do país, abrir amplo diálogo nacional, com a formatação de uma frente ampla em favor da Democracia e do país. Essa é a síntese dos encontros que Flávio Dino vem realizado com ex-presidentes, na visão do deputado Márcio Jerry, em discurso na Câmara.

Refletindo

Não foram longos os dias, mas deu para sentir a ausência do deputado estadual Adriano Sarney no plenário da Assembleia Legislativa, depois do encontro, terça-feira, de Flávio Dino com o avô do parlamentar, José Sarney. Na Alema, colegas de Adriana brincavam: “Foi uma pausa para reflexão”.

Folha corrida

O deputado Duarte Júnior andou mergulhando no passado do colega federal Eduardo Braide, tentando trazer à tona algo desabonador contra o eventual concorrente em 2020 à prefeitura de São Luís. É sinal de que a sucessão de Edivaldo Jr já levantar animosidade entre pretendentes.

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