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Curiosidade dos sobrenomes Sarney, Brandão e Cafeteira

Raimundo Borges - Bastidores

Mais do que curiosa a primeira pesquisa divulgada terça-feira 04/11 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é uma certificação sobre o peso dos sobrenomes que permeiam e dão forma e poder à sociedade, a política brasileira e a maranhense. O Silva, de Luiz Inácio, perdeu em importância para o apelido Lula, com o qual se tornou a figura mundialmente conhecida e, historicamente, o único brasileiro a conquistar por três vezes a Presidência da República pela via do voto popular. Pelo levantamento do IBGE, o Silva, originário dos tempos do Império Romanos, usada para designar povo da floresta (“Selva”) representa 34 milhões de brasileiros, ou 16,76% da população.

No Maranhão, se o sobrenome de políticos contemporâneos resultasse em votos no país todo, Brandão (do governador Carlos Orleans), com mais de 17.855 registros na base de dados do Geneanet, ganharia fácil dos que atendem por Sarney, apenas 151 registros familiares e outros 89 homens que homenageiam o ex-presidente da República pelo batistério, segundo o IBGE. Já o sobrenome Braide, do prefeito de São Luís Eduardo Salim faz parte da assinatura de pelo menos 246 pessoas no Brasil. Por sua vez, o Dino do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio de Costa e Castro está na certidão de 2.867 brasileiros.

O sobrenome Dino não está muito distante de Camarão, do vice-governador do Maranhão Felipe Costa, com 2.778 registros na pesquisa do IBGE. Há estudos que apontam, no geral, a origem do sobrenome das pessoas, criados para diferenciar uma da outra com o mesmo nome próprio, por características pessoais, profissão, local de origem, nome do pai ou da mãe, de animais e até devoção religiosa. Com o crescimento das populações, tornou-se necessário identificar os indivíduos de maneira mais precisa, especialmente a partir da Idade Média na Europa e, posteriormente, no Brasil.

O sobrenome Dino não há um número exato, como Brandão no Brasil. A popularidade deste pode ser estimada através de dados de genealogia. O site especializado Geneanet, lista 17.855 ocorrências do sobrenome Brandão em suas bases de dados, com uma distribuição geográfica ampla por todo o país. Mas nem sempre foi assim. O sobrenome das pessoas desapareceu com a queda do Império Romano em 476 d.C. e ressurgiu por volta do século XI, na Península Ibérica. Na antiguidade, as pessoas não usavam sobrenomes da mesma forma que hoje. Elas recorriam ao complemento como o nome do pai (sistemas patronímicos, como “filho de” ou terminando em “-ides” (na Grécia Antiga) ou o nome da mãe. O sobrenome Brandão é curioso pela origem germânica, do “Blandian” ou “Brandião” e também é encontrado em suas diversas grafias medievais em outras línguas, como o latim (“Brandanus”) e o francês (“Bradan”). Já o Sarney do ex-presidente José Ribamar de Araújo Costa, filho de Pinheiro, foge à regra do Império Romano. A origem é patronímica e criado na década de 1960, quando oficialmente foi colocado no registro político. Surgiu de uma adaptação do apelido “Zé do Sarney”, como era conhecido desde 1958. Era uma referência ao amigo do pai do ex-presidente, desembargador Sarney de Araújo Costa, que seria amigo de um inglês chamado de “Sir Ney”, cuja pronúncia abrasileirada deu Sarney.

Outros nomes chamam atenção no estudo do IBGE: 522 homens foram batizados como Laesio, igual ao ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim, embora a versão com “h” não conste no banco de dados, e 802 brasileiros se chamam Orleans, mesmo nome do secretário estadual de Assuntos Municipalista e pré-candidato a governador Orleans Brandão. Já o ex-governador Epitácio Cafeteira não levou para o túmulo o nome francês “Caffetier”, da profissão de Cafeteiro. Veio do apelido de escola, de seu irmão mais velho que confundiu, na sala de aula, a planta que produz café (cafeeira) com o bule de café (cafeteira). Seja como for, foi o nome que o ternou político famoso e acabou transferido aos descendentes.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista