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Crise política pega Fufuca pré-candidato ao Senado Federal

Raimundo Borges - Bastidores

Por ação direta do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) que, de uma hora para outra assumiu o bolsonarismo em plena tensão do julgamento de Jair Bolsonaro e o núcleo crucial da trama golpista, a Federação PP/União Brasil autorizou seus ministros a abandonarem o governo Lula. O movimento, classificado pelo líder do PT na Câmara Lindbergh Farias como nova tentativa de golpe, provoca enorme repercussão no Congresso, na sua relação com o governo petista e alcança o ministro André Fufuca (Esportes), pré-candidato a senador em 2026, no grupo liderado pelo governador Carlos Brandão.

O PP é presidido no Maranhão por Fufuca, deputado licenciado da Câmara, com excelente relação com o presidente Lula, além de influente na bancada federal. Ele já vinha sendo pressionado para deixar o Ministério dos Esportes, mas agora os líderes da federação decidiram que todos os filiados devem entregar os cargos no governo em 30 dias. A decisão atinge os ministros André Fufuca e seu colega do Turismo, Celso Sabino (União Brasil-PA). A ordem é draconiana. Em caso de descumprimento, haverá afastamento do partido. Se persistir no cargo, será expulso, conforme manda o estatuto da legenda.

Fufuca aparece com real chance na disputa de uma das vagas de senador, em tabelinha com o senador Weverton Rocha (PDT), candidato à reeleição na futura chapa liderado por Orleans Brandão, do MDB. O ministro dos Esportes decidiu disputar o Senado depois que o governador Carlos Brandão anunciou que vai ficar no governo até o fim do mandato e lutar pela eleição do sobrinho e secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão. Em nota, a assessoria de Fufuca diz que ele continua no cargo, dando prioridade a agenda estabelecida por Lula: “Transformar o esporte em uma ferramenta de inclusão social que garanta a todos os brasileiros o acesso às práticas esportivas”.

O que chamou a atenção na mudança de posição da Federação PP/UB foi ela ter ocorrido na esteira do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), simultaneamente embutida no pacote de pressões do Centrão por anistia aos golpistas. Os caciques dos dois partidos – Ciro Nogueira (PP) e Antônio Rueda (UB), se reuniram na 3ª feira com Fufuca na sede do União Brasil para a ordem de desembarque do governo. Nogueira sempre foi contra a ida de Fufuca para a equipe do presidente Lula, mas foi vencido pela posição firme do deputado maranhense que, de imediato ganhou a confiança do chefe do Executivo.

Desde sua eleição de deputado estadual em 2010, ainda estudante de Medicina, André Fufuca Dantas com apenas 21 anos virou o deputado mais jovem do Brasil. Em 2014 foi eleito federal e reeleito em 2018 e 2022. Em 2015 tornou-se também o mais jovem coordenador de bancada na história da Câmara. Em 2016 votou a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, como filiado ao PEN. Em 2017 chegou a presidir a Câmara como 2º vice-presidente durante a viagem de Michel Temer à China. Rodrigo Maia assumiu a presidência da República e o primeiro vice também viajou. Dessa forma, Fufuca teve uma carreira meteórica, para um político tão jovem e do interior – filho de Santa Inês.

Ele disse que vai continuar no cargo, no momento em que Tarcísio de Freitas decidiu se assumir como pré-candidato presidencial da direita bolsonarista. Pressiona o Centrão para aprovar a anistia aos golpistas, enfrentar o STF e seguir a cartilha de Donald Trump. Falta saber se ele combinou com o clã Bolsonaro sobre o alijamento do “mito”, das eleições 2026, caso a tal anistia seja aprovada a toque de caixa. Porém, o STF é que deve dar a palavra final sobre essa afronta à democracia. A articulação de Nogueira acontece no momento em que 93% dos comentários nas redes sociais rejeitam a anistia assim como 35% na imprensa a classificam como afronta ao Estado de Direito. E repetem a ideia: “inocente pede justiça, culpado pede anistia”.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista