BASTIDORES

Centro revitalizado

Centro Histórico de São Luís é a cidade velha que pariu a moderna capital maranhense de um milhão de habitantes. Seus imponentes sobrados azulejados desafiam a passagem do tempo, contemplando as cores e a sonoridade de cada entardecer, esparramado sobre a Baía de São Marcos. A cidade velha acompanha o avanço de sua própria expansão […]

Centro Histórico de São Luís é a cidade velha que pariu a moderna capital maranhense de um milhão de habitantes. Seus imponentes sobrados azulejados desafiam a passagem do tempo, contemplando as cores e a sonoridade de cada entardecer, esparramado sobre a Baía de São Marcos. A cidade velha acompanha o avanço de sua própria expansão com edifícios modernos que mudam a paisagem e o modo de vida dos habitantes. São duas cidades em uma. A histórica, sofrendo a corrosão dos séculos e a moderna sugando de suas entranhas os moradores que lhe deram vida no passado.

O governo do Maranhão anunciou ontem um pacote de R$ 100 milhões, chamado “Nosso Centro”, voltado para fomentar habitação, comércio, atividades culturais e movimentar o turismo. Além dos investimentos públicos, Flávio Dino articulou parcerias público-privadas que ajudarão a tornar o centro da capital maranhense um local aprazível para a população local e os visitantes. Afinal, muitos dos mais jovens ludovicenses, habitantes de sobrados e luxo, sequer conhecem de perto a conjunto arquitetônico, patrimônio que a Unesco lhe concedeu o título de Patrimônio da Humanidade.

Em setembro, a metrópole maranhense completará 407 anos, numa área de 220 hectares de extensão, com um fabuloso e inigualável acervo arquitetônico de três mil imóveis tombados pelo Patrimônio Histórico Estadual, e 1,4 mil pelo Iphan. Parte desse sítio foi declarado Patrimônio Mundial em 1997. Fazê-lo a ganhar novos equipamentos urbanos e atrativos para a visitação é o desafio que só será vencido com investimentos nos prédios e em atrativos para quem se dispor a habitá-lo.

Preservar e revitalizar os centros históricos tem merecido debate estimulante pelo país afora. Enquanto uma parte dos personagens envolvidas na questão defende a estratégia de investir para revigorar esses espaços degradados, outras correntes defendem medidas radicais de expulsão de tradicionais ocupantes dos casarões, para atrair turistas. Essa é a questão de fundo. Como contabilizar os investimentos, equalizando-os com a realidade social de quem precisar de moradia e ao mesmo tornar o centro histórico espaço vivo, para atrair o turismo, poderosa fonte de renda.

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