
Passou o Carnaval mais político e mais caro da história tanto pelas multidões de foliões contadas em milhões, quanto pelo conteúdo dos enredos de conotação social que explodiram nas ruas e nas redes. Até o dia 3 de abril, sexta-feira Santa, último dia para se exonerar de cargos no Executivo, a quaresma que faz o Carnaval se recolher aos barracões das escolas será a política que vai modelar o jogo e formular as decisões sobre os mandatos majoritários. No Maranhão, a construção do cenário da sucessão no Palácio dos Leões faltam os arremates na oposição, no governo Carlos Brandão, na relação do MDB de Orleans Brandão com o PT de Felipe Camarão e ao redor do prefeito Eduardo Braide.
Lula está viajando pela Ásia (Índia e Coreia do Sul) em busca de mais mercado para carne, grãos brasileiros e tecnologias estratégicas. Deixou para trás a encrenca político-eleitoral sobre o desfile o enredo da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, que levou para o Sambódromo carioca a trajetória de sua vida de menino pobre do Sertão Pernambucano, a presidente do Brasil – um fenômeno único no Ocidente –, eleito três vezes para o Planalto, em períodos entrecortados com duas prisões. Na Índia, ele retribui à visita do primeiro-ministro Narendra Modi, durante a cúpula do Brics; na Coreia, Lula tratará de fortalecer as relações entre os países em uma parceria estratégica.
Em Nova Deli, capital da Índia, Lula participa nesta quinta-feira (19), da cúpula de inteligência artificial. Será o primeiro presidente brasileiro a marcar presença num evento global de alto nível sobre IA, que aguarda a presença de 40 mil pessoas de 50 países. Sua agenda prevê ainda novas oportunidades de cooperação bilateral, especialmente nas áreas econômica, turística, agrícola, energética e sustentável, dando sequência aos acordos firmados entre os dois países durante a visita de Modi, no ano passado. Na Coreia, Lula vai assinar o plano de ação trienal (2026-2029) para fortalecer as relações entre os países em direção a uma parceria estratégica, com novos investimentos coreanos no Brasil.
Ao retornar na próxima semana, o presidente vai dar uma pausa em viagens internacionais e cuidar de percorrer o Brasil, entregando obras e mostrando o que seu governo realizou. Até o dia 3 de março ele não sabe quem, de fato, enfrentará nas urnas – se Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou outro arranjo de dentro da direita bolsonarista. Por enquanto, o assunto confirma o que já se previa. Os opositores de Lula não vão perder a oportunidade de tornar o mote da Acadêmico de Niterói em peça jurídica para tentar impugná-lo e fazer zoada nas redes sociais e no noticiário.
Como não poderia ser de outra forma, no Maranhão o presidente do MDB nacional, Baleia Rossi se encarregou de colocar gasolina na pré-campanha de governador. Ao dizer que o PT não apoia o MDB maranhense, Baleia colocou o bode na sala, para cobrar uma posição de Lula sobre esse imbróglio, nada parecido com a situação de Pernambuco. Lá o presidente petista foi assistir ao desfile do grandioso bloco Galo da Madrugada ao lado do prefeito de Recife João Campos (PSB) e da governadora Raquel Lyra (PSD). Os dois são pré-candidatos a governador e ambos querem o apoio do pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva.
No Piauí, o Presidente do PT Edinho Silva se reuniu com Ciro Nogueira, da União Brasil e Antônio Rueda, do PP, numa aproximação das duas legendas do Centrão ao PT de Lula. É
o momento em que governistas buscam a neutralidade dos partidos de centro no pleito nacional. Nessa empreitada no vizinho Piauí, o pragmatismo é a mola que faz girar a política, envolvendo deputados federais, senadores e governador, tendo como pano de fundo obras do PAC no Estado. Portanto, no Maranhão Lula vai sim conversar com Brandão, tirar o bode da sala, definir o rumo das eleições, impedir a fragmentação do polo governista e a cooptação por Eduardo Braide da direita de Lahesio Bonfim, misturada à esquerda desarrumada.