
Neste primeiro quarto de século 21, completado há duas semanas, o PT do Maranhão se aliou com vários partidos nas eleições estaduais, com os quais perdeu entre 2002 e 2006, ganhou 2010 (com Roseana Sarney), dali em diante todas com a dupla Flávio Dino – Carlos Brandão.
Com Roseana, foi preciso a Executiva Nacional intervir no Maranhão em troca da indicação do vice Washington Oliveira, um petista histórico, quebrando a espinha dorsal do antisarneísmo no PT, por ordem direta de Luiz Inácio Lula da Silva, na época coordenador da campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff. A aliança rachou o PT, mas colocou o então presidente regional Washington Oliveira como vice-governador.
Pouco adiantou o movimento contrário à aliança MDB/PT, liderado pelo deputado federal Domingos Dutra e o ativista social Manoel da Conceição, que chegaram a fazer greve de fome dentro do plenário da Câmara. Em 2002, o PT lançou a candidatura simbólica de Raimundo Monteiro, em aliança com o PL, PMN e PCdoB. Naquele tempo, o Partido Liberal não aparecia nem de longe com o extremista de direita dos dias atuais, nem o PCdoB tinha a expressão político-partidária adquirida 10 anos depois dom Flávio Dino. Lula indicou José Alencar (PL) como vice, no Maranhão José Reinaldo virou governador e Roseana Sarney e Edison Lobão, senadores, no auge do período sarneísta.
Em 2006 Reinaldo apoiou Jackson Lago (PDT) que perdeu para Roseana no primeiro turno e ganhou no segundo. Naquela eleição o PT aliou-se ao advogado Edson Vidigal (PSB), e indicou Terezinha Fernandes na vice, obtendo 14% dos votos. No segundo turno, o PT preferiu ficar equidistante do pleito, assim como Vidigal. Roseana Sarney procurou isentar o pai José Sarney, eleito senador do Amapá, de sua derrota: “Quem perdeu fui eu”. No entanto, recorreu à Justiça Eleitoral, acusando Jackson da compra de voto, o que acabou em cassação dele no TSE, a anulação dos votos e a sua investidura no governo.
A governadora foi reeleita em 2010, colocando o petista Washington Luís como vice, com Dilma Rousseff para presidente, pleito em que Flávio Dino perdeu com a esquerda dividida entre ele e Jackson Lago. Portanto, nesses 26 anos, o PT de Lula tem uma histórica trepidante na politica estadual, situação totalmente oposta à nacional. Embora sendo o único politico do Ocidente a ser eleito três vezes em eleições diretas, Lula não conseguiu transformar seus votos em um governador do Maranhão, ou sequer aumentar o tamanho da bancada do PT na Câmara Federal e Assembleia Legislativa. E nenhum senador.
Hoje o PT tem um o vice-governador, um deputado federal, nenhum estadual e dois prefeitos: Chiquinho Oliveira (Codó) e Thamara Castro (Brejo). Em uma conversa reservada de Felipe Camarão com Carlos Brandão duas semanas atrás no Palácio dos Leões, não chegaram a nenhum acordo. O governador propôs a renúncia de ambos para apoiarem a chapa liderada por Orleans Brandão (MDB), com ele disputando o Senado e Camarão uma vaga garantida na Câmara dos Deputados. A proposta foi recusada, sob o argumento de que sua candidatura aos Leões não tem retorno. Se ele imagina se unir com o prefeito Eduardo Braide, sabe que só o fará mediante acordo do PT nacional com o PSD. Isso não está em cogitação.
Agora, na próxima semana, o governador Carlos Brandão voltará ao Palácio do Planalto para nova conversa com Lula sobre as eleições no Maranhão. O presidente sabe os cenários eleitorais em todos os estados e tem interesse, particular, na eleição de senador. Ele tem relações estreitas com Flávio Dino no STF, hoje com dezenas de deputados enrolados nas emendas pix, inclusive prefeitos e parlamentares do Maranhão. O jogo, portanto, começa a ser jogado nos próximos 60 dias, com o ápice em abril, prazo da desincompatibilização e das batidas de martelo. De Brandão, de Braide, de Lula e dos partidos. Autêntica carpintaria.