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Brandão perde PSB para dinistas e pode levar o grupo para MDB

Raimundo Borges - Bastidores

Desde 2024 quando a história política do Maranhão ganhou um capítulo novo com a entrada em cena do “comunista” Flávio Dino sendo eleito governador e desmontando o sistema sarneísta de cinco década de mando, agora, 11 anos depois, outro parágrafo começa a ser escrito pelo governador Carlos Brandão, ainda no PSB. O advérbio “ainda” não entra aqui por descuido, mas como expectativa real do que vai acontecer com Brandão e seu grupo no PSB, depois que a legenda socialista saiu de seu comando no Maranhão e passou a ser presidida pela senadora Ana Paula Lobato, esposa do deputado Othelino Neto, líder da oposição ao governo estadual dentro e fora da Assembleia Legislativa.

Com essa reviravolta no partido do governador e da presidente da Assembleia Legislativa Iracema Vale, a sucessão no Palácio dos Leões em 2026 ganha contornos quase definidos. Brandão e seu grupo deve, o quanto antes, buscar outra legenda. A priori ele conta com a possibilidade de voltar ao PSDB, partido em que mais se demorou na carreira política, comandado pelo secretário da Casa Civil, ex-deputado Sebastião Madeira. Porém, o mais próximo de Brandão é o MDB maranhense, presidido pelo seu irmão, Marcus Brandão, pai do pré-candidato a governador Orleans Brandão, também emedebista.

Ontem, deputados estaduais de oposição (do PSB, PSD e PCdoB) foram a Brasília para a posse de Ana Paula no comando do Partido Socialista Brasileiro, enquanto Brandão e seus aliados próximos já traçam o rumo partidário que tomarão. Sebastião Madeira disse a este Bastidores que as portas do PSDB estão abertas a Brandão, mas acredita que ele tende a ingressar no MDB, o maior partido de centro no Brasil e também no Maranhão. Já na Alema, a bancada do PSB (Iracema Vale, Daniella, Davi Brandão, Antônio Pereira, Andrea Rezende, Florêncio Neto e Ariston) divulgou nota de repúdio ao “ato arbitrário de mudança na presidência da legenda sem qualquer diálogo com as suas bases”.

Seja como for o destino dos socialistas maranhenses, o jogo da sucessão estadual está marchando para definição. Orleans Brandão é pré-candidato ao Palácio dos Leões, com o apoio do tio governador. O senador Weverton Rocha (PDT) está incorporado ao grupo brandonista na luta pela reeleição; e pelo menos três deputados estaduais – Adelmo Soares, Catulé Júnior e Ricardo Arruda defenderam o nome de Iracema na futura chapa majoritária liderada por Orleans, na disputa do Senado ou como vice-governadora. Ela agradeceu e disse que agora só está trabalhando para renovar o mandato estadual.

Com o PSB virando a casaca de governista para se tornar oposição, o ambiente eleitoral do próximo ano volta a ganhar nuvens carregadas. Felipe Camarão (PT) desembarcou ontem 06/08 em Brasília, ao lado dos oposicionistas estaduais Carlos Lula (PSB), Rodrigo Lago (PCdoB), Fernando Braide (PSD), Leandro Bello (Podemos) e Othelino Neto. Todos foram participar da posse de Ana Paula, após ela deixar o PDT.  Como Camarão garante sua candidatura ao governo, a sucessão de Brandão está quase definida: Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Felipe Camarão (PT) e Lahesio Bonfim (Novo).

A desarrumação partidária dentro da Assembleia Legislativa pode levar o PSB a definhar, sem Iracema Vale, Andrea Rezende, Antônio Pereira, Daniella Gidão, Davi Brandão, Florêncio Neto e Edson Araújo – Adelmo Soares, que é suplente no exercício do mandato, também deixará o partido. No âmbito federal, tudo ainda é duvidoso, embora os deputados André Fufuca e Pedro Lucas trabalhem como pré-candidatos a senador, assim como Eliziane Gama. Mas o que chama mais atenção é a senadora Ana Paula, que ganhou o mandato inteiro como suplente de Flávio Dino, de repente assumir o comando do PSB, até então comandado por Carlos Brandão. Dino e Brandão não se encaram desde 2024.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista