
Se fosse um objeto e não uma ciência, a política poderia ser comparada a uma figura geométrica tridimensional de contornos retos ou curvos, como um cubo, pirâmide, esfera ou cone. Na forma geométrica seria possível identificar pelo menos os lados retos, porém, como ciência social, a política revela as estruturas de poder, processos e comprometimentos dos mandatários. O Maranhão de 2025 se encaixa nas duas situações. Por isso, ninguém consegue distinguir por quais lados os políticos se movimentam rumos às eleições de 2026 que elegerão do presidente da República a deputados estaduais.
Há um cenário em permanente mudança de formato. No estado de 6,7 milhões de habitantes, não existe, por exemplo, uma fronteira ideológica separando direita de esquerda, como aconteceu no período 2014/2022. Na época, a esquerda botou a cara na rua com Flávio Dino na liderança, e a direita, de tantos anos no sarneísmo, correu para o centro. Uma parte dos derrotados pelo “comunismo” dinista foi parar no governo do PCdoB, sem nenhuma reação ao novo ambiente ou desconforto com a convivência. O PCdoB, que nunca havia colocado um deputado na bancada maranhense, virou o porto seguro de muitos que no passado viam no comunismo um monstro “demorador de criancinhas”.
No entanto, os oito anos do Maranhão governado por um “comunista” já são apenas parte da história do século 21. Com a eleição de Carlos Brandão, um médico veterinário de família do agro na política, o comunismo do PCdoB desmilinguiu-se e hoje segue em marcha batida rumo a 2026 correndo risco de voltar ao tamanho originário. Já o governador Brandão viu o PSB escapar de seu controle, sugado pela direção nacional e entregue à senadora Ana Paula, também sem histórico no socialismo. Por acordo, foi indicada suplente de Flávio Dino em 2022 e acabou ganhando o mandato inteiro no Senado, após a nomeação do “comunista”, ministro do Supremo Tribunal Federal.
Hoje, o sarneísmo desmantelado em 2014 por Dino não apenas mudou de comando no Palácio dos Leões, como também na Câmara dos Deputados, tem maioria na Assembleia Legislativa e na maioria das prefeituras do Maranhão. Brandão formou o robusto grupo que lidera e está apenas aguardando a “janela partidária” para assinar a ficha de um partido de centro, que pode ser o mesmo MDB dos Sarney, hoje sob a presidência de Marcus Brandão, seu irmão caçula. É o partido do pré-candidato ao Palácio dos Leões, Orleans Brandão, que opera a todo vapor, apoiado pelo tio para se tornar seu sucessor a partir de 2027. Não é tão fácil, mas também não é impossível nas circunstâncias da política estadual.
A eleição de governador do Maranhão tem vários pré-candidatos se movimentando num cenário indefinido. Orleans Brandão está dedicado de tempo integral à pré-campanha, como secretário de Assuntos Municipalistas; Carlos Braide (PSD) segue prefeitos de São Luís como líder das pesquisas, mas sem firmar candidatura; Lahesio Bonfim (Novo) se diz candidato com o apoio do partido, mas não conta com estrutura política para uma eleição de governador. No entanto, em 2022, quando Weverton Rocha (PDT) rachou o dinismo e concorreu contra Carlos Brandão, não passou do 3º lugar, atrás de Lahesio. Em 2026, o pedetista vai para a reeleição no Senado provavelmente na chapa liderada por Orleans.
O vice-governador Felipe Camarão (PT) disse terça-feira 11/11, em entrevista à rádio O Imparcial que sua candidatura ao governo está de pé, tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ele está aberto a dialogar. “É uma pré-candidatura para resgatar o legado de Flávio Dino, é irreversível, mas não irredutível”. Há meses ele não fala com Carlos Brandão, tio e padrinho da candidatura Orleans. Nem quando o governador viaja ao exterior, não chama o vice para substitui-lo. Manda-lhe recado. Há duas semanas, ele e Lula conversaram sobre as eleições no Maranhão, mas até hoje Felipe Camarão não soube de nada.