
A movimentação política e administrativa do governador Carlos Brandão continua em ritmo acelerado para não engolir poeira em 2026. Ao dizer sexta-feira passada que “ninguém” vai tirá-lo da cadeira principal do Palácio dos Leões antes do fim do mandato em 31 de dezembro de 2026, Brandão acaba com o mistério fonte de especulações sobre a sucessão estadual: não vai se desincompatibilizar em abril para disputar o Senado, não está preocupado com a possível candidatura do vice Felipe Camarão (PT) e promete eleger o sucessor, que não pode ser outro nome se não o sobrinho Orleans Brandão (MDB). Tal situação, leva o fim do dinismo e a extensão do brandonismo no centro do Poder Estadual.
Nessa hipótese provável não haverá a reunificação do chamado gruo dinista (relativo a Flávio Dino) com o brandonista. Surge, então, Orleans Brandão liderando a chapa majoritária com Weverton Rocha (PDT) e o ministros dos Esportes, André Fufuca para o Senado, ou até mesmo a deputada federal Roseana Sarney, do mesmo MDB de Orleans. Se o vice Felipe Camarão insistir como candidato ao governo, terá o apoio do Palácio do Planalto, com Lula concorrendo à reeleição, mas nem o rastro da máquina estadual em sua campanha. É tudo que o presidente da República não quer no Maranhão, um reduto histórico de suas eleições.
A outra frente em que o governador já está agindo é com relação ao PSB, partido no qual está filiado desde março de 2022, antes de substituir Flávio Dino como governador. Na semana passada, o deputado Othelino Neto e a esposa, Senadora Ana Paula Lobato se articularam para tirar a legenda socialista do controle de Brandão. Seria a tentativa de uma rebordosa, já que o grupo do governador assumiu no Maranhão a direção do Solidariedade, hoje federado com o PRD, até então presidido pela irmã de Othelino, Flávia Alves. Mas Brandão não ficou de braços cruzados. Ontem, ele tinha agenda com o presidente nacional do PSB, prefeito de Recife, João Campos. O assunto não poderia ser outro.
Na área administrativa, o governador segue inaugurando obras, viajando quase diariamente para Brasília em encontros na Esplanada e para o interior, realizando parcerias com os municípios, sempre tendo à frente o secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão. Durante evento realizado sexta-feira 19, em São Luís, no qual foram entregues dezenas de ambulâncias e viaturas policiais às prefeituras, Carlos Brandão abriu o jogo sobre a eleição de 2026: garantiu que permanecerá no cargo até o fim do seu mandato. “Ninguém vai me tirar da cadeira, ninguém vai derrubar o nosso projeto Maranhão Livre da Fome”, afirmou, em tom de tratar-se de uma decisão sem volta.
Ele aproveitou para avançar no tema da sucessão estadual. Está preparando o caminho da continuidade de sua gestão a partir de 2027, com a eleição do sucessor. “Nosso governo vai continuar”, declarou. “Eles estão dizendo aí que quando assumir vão acabar o programa Maranhão Livre da Fome. Eu quero garantir que vou ser governador até o último dia do meu mandato. E nós vamos eleger o nosso sucessor e o nosso sucessor vai continuar o programa Maranhão Livre da Fome”. E soltou ironia: “Enquanto os cães ladram, a carruagem passa. E a carruagem passa mostrando trabalho”, disparou Brandão ao lado do sobrinho Orleans, pré-candidato a sucedê-lo no Palácio dos Leões.
Em resposta ao chefe do Executivo, o vice Felipe Camarão foi às redes sociais mostrar outra abordagem sobre desincompatibilização. Como procurador federal e professor de Direito, ele gravou vídeo, nesta terça-feira, 22, explicando que não precisa renunciar o cargo para disputar as próximas eleições. Afirma que a lei eleitoral obriga apenas os chefes do Poder Executivo (prefeito, governador e presidente da República) a renunciarem seis meses antes das eleições para concorrer a outro cargo. “No meu caso, por exemplo, que sou vice-governador, não preciso renunciar para disputar qualquer cargo eletivo”. Seja como for, Brandão colocou o vice numa sinuca de bico daquelas bem complicadas.