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As fotos de Lula e Brandão revelam algo sobre 2026?

Raimundo Borges - Bastidores

Tremenda coincidência. No dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a cortina de fumaça que empastelou a relação do Brasil com os Estados Unidos, em conversa franca com o presidente Donald Trump,  ele conseguiu reunir em Imperatriz, na mesma foto, o governador Carlos Brandão, os três senadores, deputados federais, a presidente da Assembleia Legislativa Iracema Vale e  os dois pré-candidatos a governador Felipe Camarão (PT) e Orleans Brandão (MDB). Sem dizer uma única palavra sobre candidatura ao governo em 2026, Lula e Carlos Brandão preferiram discursar sobre ações governamentais.

Ao contrário da conversa telefônica de Lula com Trump, em que os dois trocaram elogios e convidaram-se para novos encontros, no caso maranhense, o presidente da República e o governador Brandão deixaram em aberto a data de uma reunião para discutirem os rumos das eleições e a posição de cada qual sobre as pré-candidaturas de Felipe Camarão e Orleans Brandão. Lula é um expert em política, em negociação e em apaziguar conflitos. Brandão, por sua vez, transita pelo mesmo terreno das articulações positivas, com postura conciliadora. Como a relação no grupo originário do dinismo está empastelada, só os dois são capazes de destrinchar esse cipoal político.

Lula entregou 2.837 casas no conjunto habitacional Canto da Serra, que beneficia 11 mil pessoas – uma população maior do que 60 cidades do Maranhão. Até dona Darli, mãe da ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, que estava presente, foi uma das completadas, inscrita há 11 anos quando o projeto foi concebido no governo Dilma Rousseff. Além da ministra, Lula levou para Imperatriz os ministros dos Esportes, André Fufuca (PP), e das Cidades, o paraense Jader Filho (MDB). Fufuca, ameaçado de expulsão pelo PP, prometeu apoiar a reeleição de Lula, caso ele seja candidato. “Em 2022, cometi um erro. Em 2026, pode ser que o meu corpo esteja amarrado (no PP), mas a minha alma, o meu coração e minha força de vontade estarão livres para ajudar Luiz Inácio Lula da Silva”.

O ministro dos Esportes é pré-candidato a senador, assim como os atuais Weverton Rocha e Eliziane Gama (PSD). Todos estavam em Imperatriz, além da senadora Ana Paula, que assumiu o comando do PSB no Maranhão, tirando-o das mãos de Carlos Brandão. Mesmo assim, o encontro de Imperatriz foi marcante na política maranhense. Todos que hoje tomam posição até de confronto ao governo Brandão ali estavam num momento de completa descontração. Orleans Brandão, como secretário de Assuntos Municipalistas do Governo Estadual, foi um dos primeiros a cumprimentar e receber um abraço apertado do presidente Lula que, obviamente, foi-lhe apresentado pelo tio governador.

A pergunta que não quer calar é: “A presença de brandonistas e dinistas na mesma foto ao lado do presidente da República terá alguma consequência prática nas eleições de 2026, com Lula sendo candidato ou estando fora da corrida ao Palácio do Planalto?” A julgar pelo cenário construído até aqui, não passará de uma casualidade sem efeito eleitoral. Mas quando se analisa sobre a dinâmica da política, com seu o pragmatismo, próprio de lideranças que não pensam apenas olhando o próprio umbigo, é possível sim que haja desdobramentos com eles repetindo mais à frente, os sorrisos da foto com Lula.

Voltando ao encontro entre Lula e Trump, vale lembrar que o presidente brasileiro ainda carrega a forte dosagem de “química” que tanto encantou o colega norte-americano. Já no Maranhão não seria apenas uma onda de calor humano suficiente para contaminar o processo eleitoral, mas sim a matemática a serviço da política, cujos cálculos engenhosos podem fazer o sucesso ou o fracasso de uma disputa pelo governo do Estado e mandatos parlamentares. Porém, quem vai medir a intensidade dessa “química” de urna não é Lula nem Brandão. É o eleitor, cada diz mais esperto em assunto de eleição.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista