
Com o ano eleitoral em andamento, os políticos aproveitam a ressaca das festas da virada para estar pertos ou juntos dos eleitores, até o fim do recesso parlamentar em 31 de janeiro. No Maranhão a eleição legislativa ganha uma dinâmica particular, embora sendo empacotada no mesmo fardo da disputa do governo estadual e da Presidência da República. Obviamente, que as duas vagas no Senado Federal estão no centro da corrida ao Palácio dos Leões em que os pré-candidatos Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB) e Lahesio Bonfim (Novo) já estão no aquecimento, puxando o reboque com dezenas de candidatos às 42 cadeiras de deputado estadual e 18 de federal.
A eleição de governador é a mais embaraçada, por depender de inúmeras decisões ainda na prancheta das principais lideranças e seus respectivos partidos. O principal líder do maior grupo político estadual, Carlos Brandão, nem partido tem ainda, desde quando perdeu o comando e o controle do PSB, transferido à senadora Ana Paula, hoje na oposição. Orleans Brandão não tem problema no MDB, que passou a presidi-lo no Maranhão, enquanto Braide só precisa bater o martelo sobre a posição nacional do PSD, enquanto Lahesio também espera que o Novo trace o seu destino sobre disputar ou não o governo.
Para Carlos Brandão e Eduardo Braide o calendário eleitoral já corre a toda velocidade, desde que não ocorra recuo nem tropeção. No até 3 de abril, eles têm que decidir ficar nos respetivos cargos, ou optar pela corrida eleitoral. Nesse caso, Brandão sairá em busca do Senado Federal e Braide, de governar o Estado. Ironicamente, parece até que os dois estão esperando um pelo outro à beira do caminho. Braide quer saber se Brandão concorrerá ao Senado e se o vice Felipe Camarão assumirá. Já o governador quer conferir se Braide realmente disputará o governo, o que significa um páreo duro para Orleans Brandão.
Sem Braide no páreo, a corrida parece muito mais fácil para Orleans cruzar a linha de chegada na frente. Por outro lado, sem Brandão na corrida ao Senado, a disputa pelas suas duas vagas será travada entre os atuais Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PSD), além do deputado federal e ministros dos Esportes André Fufuca (PP). Essa equação está apenas rabiscada na prancheta estadual, sem levar em conta o endereço do pacote no Palácio do Planalto, com Luiz Inácio Lula da Silva concorrendo a um 4º mandato contra um nome da direita. Tanto pode ser Tarcísio de Freitas (Republicanos), quanto Flávio Bolsonaro (PL). Ele foi ungido pelo pai Jair, que se encontra preso sem nenhuma previsão de voltar à política.
Há especialistas em conjuntura nacional e internacional fazendo conjecturas até sobre o tamanho do impacto nas eleições brasileiras, da invasão dos Estados Unidos na Venezuela com o sequestro do ditador Nicolás Maduro. Também o Palácio do Planalto, obviamente, analisa como o eleitorado brasileiro vai reagir nas, urnas a retirada à força do presidente do país vizinho pela maior potência armada no mundo. O caso Nicolás Maduro revela que a era da ONU como mediadora de crise no mundo acabou. Está valendo a lei do mais forte. As reuniões da organização não passam de debate frouxo e de discursos hipócritas em linguagem cifrada para, no final das contas, não dizerem nada.
Antes da invasão da Venezuela, Trump era visto como um arremedo de imperialista em pleno século 21, tarifando países dos cinco continentes e se gabando de ter acabado com sete guerras. Em fevereiro prometeu transformar Gaza destruída por Israel, em uma “Riviera do Oriente Médio”. Se aproximou de Vladimir Putin para depois dizer como a Rússia deveria acabar com a guerra de três anos na Ucrânia. Ele vende a ideia de que os Estados Unidos são os donos do Mundo. Está interferindo em várias eleições latino-americanas. No Brasil não será diferente na sua ação bipolar na geopolítica mundial. Vai interferir com seus métodos nada republicanos, nas eleições de outubro, para reforçar a onda política da extrema-direita onde quer que haja disputa de poder.