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Ao lançar Camarão candidato, Edinho Silva racha o PT no MA

Raimundo Borges - Bastidores

Sem meias palavras, o presidente nacional do PT, Edinho Silva foi direto ao que interessa nas eleições majoritárias no Maranhão: “Quem quiser ter o palanque do presidente Lula será no palanque do Felipe Camarão como candidato a governador”. Porém, a fala de Edinho é quem não está totalmente a par da história extraída da existência do PT nas eleições gerais no Maranhão. Ao longo de décadas, o máximo que o partido conseguiu para chegar ao poder foi em 2010, quando colocou Washington Oliveira como vice de Roseana Sarney, no MDB unido com à candidatura vitoriosa de Dilma Rousseff, com Luiz Inácio Lula da Silva atuando com força total na Presidência da República.

Aquela eleição foi marcada por profunda divisão interna do PT local que sofreu intervenção do diretório nacional ante a reação radicalizada da ala liderada pelos petistas anti-Sarney, como o deputado federal Domingos Dutra e o ativista social Manoel da Conceição. Os dois passaram uma semana em greve de fome no Plenário da Câmara. Essa corrente apoiou a candidatura de Flávio Dino (PCdoB), e uma pequena ala descontente optou por Jackson Lago (PDT). Foi de fato, a campanha mais embaralhada dos últimos tempos, com impugnações de todos os lados, em plena vigência da recém-aprovada Lei da Ficha Limpa, que tinha como uma das principais autorias, o tocantinense do Maranhão Marlon Reis.

A disputa ao governo do Maranhão foi dominada por impugnações, com base na nova regra da ficha limpa. Roseana havia sido condenada em R$ 20 mil por propaganda eleitoral antecipada, o que lhe mereceu impugnação no TRE-MA, e Jackson também tinha condenação no TSE por compra de voto no governo José Renaldo. Flávio Dino chegou brincar num bordão, por “ser o único sem risco de cassação”, o que irritou Jackson Lago. Roseana ganha no primeiro turno, batendo na trave do segundo, com apenas 50,08% dos votos. Nesses 16 anos, portanto, nada impede que o PT possa estar embrulhado numa dessas clássicas confusões internas que tão bem sabe fazer e delas sair sem mancar.

Com a decisão isolada de Edinho Silva na surpreendente batida de martelo pela candidatura de Felipe Camarão ao governo, o PT cria um daqueles abacaxis que cultiva praticamente em cada eleição. Como o governador Carlos Brandão resolveu fincar no Palácio dos Leões e tocar a eleição do sobrinho Orleans (MDB), o nome de Lula como candidato vai se transformar numa encrenca estadual. Edinho lançou Camarão, Eliziane Gama (PT) e Weverton Rocha (PDT) ao Senado, quando ele já trabalha com André Fufuca (PP) na chapa de Orleans, que ainda não escolheu o nome para vice.

Como não se trata de uma clássica decisão colegiada, como tudo dentro do PT, Edinho afastou o partido do palanque de Orleans Brandão, descartou Eduardo Braide e deixou os petistas do Maranhão em polvorosa. “Essa candidatura de Felipe é inviável até no entendimento de parte do nacional, como Zé Dirceu. Foi uma fala desastrosa até para o próprio Camarão”, afirmou, a este Bastidores, o ex-presidente Francimar Melo. Ele não sabe se Edinho, ao divulgar um vídeo na 4ª feira passada, ouviu antes o presidente Lula, principal interessado na organização da campanha nos estados, com foco em palanques que reforcem sua candidatura. Seria então uma fala pra dentro, que acabou vazada para fora?

Como é sabido, o PT estadual está, desde 2025, sob intervenção, com Patrícia Carlos na presidência. O processo intervencionista vai ser prorrogado nesta 4ª feira, até que o Tribunal de Justiça do Maranhão dê uma decisão de mérito sobre os recursos do petista Raimundo Monteiro e outros. Seja como for, a maioria do PT maranhense apoia a candidatura de Orleans Brandão, enquanto a outra parte fica com Camarão e o deputado Rubens Júnior. Eles estavam se articulando para compor a chapa de Braide, para o Senado. Porém, como a fala de Edinho não passou por instâncias internas colegiadas, amanhã a história poderá ser outra.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista