
Ao contrário do Congresso Nacional que reabriu seus trabalhos no meio da tarde desta segunda-feira 02/02 em ambiente carregado de tensão do ano eleitoral e do barulho das CPIs em andamento, a Assembleia Legislativa do Maranhão retomou às atividades sem quaisquer embaraços institucionais entre os Poderes. A solenidade, transmitida ao vivo pelas plataformas de Comunicação da Casa, foi presidida pela deputada Iracema Vale, com a presença do governador Carlos Brandão, do presidente do TJ-MA, desembargador Froz Sobrinho, do Procurador-Geral de Justiça, Danilo José de Castro e outras autoridades.
Mesmo sendo 2026 o ano das eleições gerais, no Maranhão os Poderes convivem em plena harmonia, cada um cumprindo o papel que lhe cabe no figurino constitucional. Brandão tem mantido uma relação de ampla colaboração com o Legislativo e o Judiciário, mesmo diante das desavenças da oposição focadas na eleição de governador e do Senado Federal. Até agora o grupo que se formou desde 2014 sobre a liderança de Flávio Dino, vive uma divisão que tende a se tornar irreversível a partir da opção de Brandão pela pré-candidatura ao Palácio dos Leões, do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB). Nem a tentativa do presidente Lula de mediar uma solução de consenso, deu resultado.
O governador, como é de praxe nessas situações, fez a prestação de contas ao Legislativo, sintetizada num robusto portfólio de realizações em todas as áreas de sua administração. Deu destaque aos problemas sociais com o aumento de empregos, construção e recuperação de rodovias, apoio à agricultura familiar, melhorias aos indicadores de educação e saúde e à rede de restaurantes populares com mais de 200 unidades. Também a deputada Iracema Vale apresentou os resultados das atividades do Poder Legislativo desde a sua reeleição em 2025, com projeções para o fim biênio que se encerra no fevereiro de 2027.
O governo Maranhão passa por uma situação oposta à do federal. Por aqui Carlos Brandão não tem direito à reeleição e anuncia a disposição de não concorrer ao Senado Federal, por não confiar no vice Felipe Camarão (PT) como substituto e candidato à sua sucessão. Brandão está decidido a apoiar o sobrinho Orleans como candidato do gruo que lidera. Já o presidente Lula se prepara para disputar a reeleição, o que significa o 4º mandato. Não tem divergências com o vice Geraldo Alckmin (PSB) e nem conta com nomes da esquerda a altura de seu potencial eleitoral. Enquanto isso, direita está dividida, mas pronta para se unir no projeto de defenestrá-lo do Palácio do Planalto.
Lula caba de fazer cirurgia de catarata para ter uma visão mais nítida da realidade política que o cerca em 2026. Vai cumprir um projeto do Secretário de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, que visa ampliar a sua presença pública nos próximos meses. A avaliação interna no governo é de que Lula pode e deve falar mais, com o objetivo de pautar o noticiário e ocupar espaço no debate político. Significa viajar mais pelo país, onde precisa consolidar a sua imagem com a do governo, fechar alianças partidárias com o PT e desenrolar imbróglios tipo o do Maranhão, entre Brandão e o petista Camarão.
A situação local é tão complicada que há mais especulação do que fatos. Uma delas sugere o caso de eventual renúncia de Brandão, Felipe Camarão e Iracema Vale. Ela e Brandão para concorrer ao Senado juntos, e deixariam de fora André Fufuca (PP), Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PSD). Seria um desmanche total da situação já embaraçada de hoje. Já o Executivo cairia no colo do terceiro na linha sucessória, o togado a ser eleito nesta quarta-feira (04/02) presidente do TJ, entre os desembargadores José Luiz Almeida e Ricardo Tadeu Bugarin Dualibe. Resta esperar para conferir quem vai romper esse cipoal político.