BASTIDORES

A reforma dos lobbies

Enquanto 17 partidos na Câmara orientavam ontem seus deputados a aprovarem o parecer da Reforma da Previdência, outros sete tomaram posição contra a matéria mais polêmica no Congresso Nacional desde a posse dos parlamentares e do presidente Jair Bolsonaro. A duas semanas do recesso do Congresso, a Câmara entra na fase mais frenética e tumultuada […]

Enquanto 17 partidos na Câmara orientavam ontem seus deputados a aprovarem o parecer da Reforma da Previdência, outros sete tomaram posição contra a matéria mais polêmica no Congresso Nacional desde a posse dos parlamentares e do presidente Jair Bolsonaro. A duas semanas do recesso do Congresso, a Câmara entra na fase mais frenética e tumultuada de votação da Reforma, sob o fogo cruzado dos lobbies corporativos das bancadas no Congresso, de entidades e até de igrejas evangélicas.

Até o próprio presidente Bolsonaro atropelou seu discurso antiprivilégio no serviço público e arregaçou as mangas em favor de aposentadoria diferenciada para os militares federais e estaduais. Isso tudo depois de ter sido chamado de traidores por delegados da PF e até deputado de seu partido, o PSL. É nesse ambiente de tensão que os governadores do Nordeste preferiram desapoiar a reforma. Até o governador Flávio teve que explicar que não está emperrando a reforma, como disseram nas redes sociais, mas apenas defendendo a causa dos trabalhadores. O texto-base da reforma da Previdência, da lavra do deputado Moreira (PSDB-SP), foi aprovada ontem por 36 votos a 13 na Comissão Especial da Câmara. Faltam agora ser votados 29 destaques. São pedidos de partidos e deputados para que uma parte específica da proposta seja analisada separadamente. E aí será um Deus nos acuda. Entra o corpo a corpo do presidente Bolsonaro, da oposição, dos ministros, Rodrigo Maia, governadores e tantos outros que tiverem algum peso ou prestígio político no Congresso.

O desejo do Planalto é ver a matéria aprovada antes do recesso parlamentar no dia 23. No Congresso já se fala até em suspender o recesso, para dar andamento às votações da Reforma que, por ser emenda Constitucional, precisa passar por duas votações. Enquanto isso, o governo prossegue pisando em ovos em sua tumultuada relação com o Congresso e com o presidente da Câmara Rodrigo Maia, o dono da bola. A promessa de o governo pagar R$ 10 milhões para cada deputado a favor está de pé, mas até agora, nenhum viu a cor da grana.

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