opinião

A ganância de poder sem limite no Brasil

Raimundo Borges - Bastidores

Os Bolsonaro tornaram-se uma encrenca para a família Bolsonaro e um desastre político de longa duração e único na história, para o Brasil. O ex-capitão do Exército que chegou à Presidência da República fez um governo politicamente partilhado com os quatro filhos, a esposa e militares – todos dominados pela ideia fixa de que o poder é permanente e as eleições, apenas um detalhe quando se tem um projeto de longo prazo. Já se passaram dois anos e 14 meses que os Bolsonaro foram defenestrados do Poder federal pelo voto direto e democrático dos brasileiros, mas ainda tentam alimentar a ideia de que o golpe tentado e fracassado em 2022/2023 ainda persiste com força para derrubar o governo, nem que seja com o exército americano.

Nem a família imperial portuguesa que marcou a história da humanidade em 1808, ao fugir às correrias do continente europeu para o Brasil, fez tanta maquinação política pelo poder como ocorre hoje no mesmo país latino-americano. Conseguiu, em meio à guerra napoleônica, carregar todo o seu aparato de poder civil, militar e religioso para o Brasil, sem causar dano moral e à história dos dois países, ao transformar a colônia em império no além-mar e o império em colônia europeia. Não foi diferente no retorno a Portugal da corte com D. João VI, em 1821, nem na derrubado do regime monárquico em 1889 pelo golpe militar do marechal Deodoro da Fonseca. Menos ainda em 1985 com a Nova República.

Além de tentar impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva eleito em 2022, com um projeto rascunhado, debatido e finalizado, a família liderada por Jair Bolsonaro nunca parou um dia nas articulações contra o governo que a derrotou, contra o Supremo Tribunal Federal e contra o Brasil. O deputado Eduardo Bolsonaro se refugiou nos Estados Unidos para conspirar, onde se agarrou ao presidente Donald Trump, como ele, extremista de direita, para chafurdar o seu país, num caso único na história. Rompendo com as leis internacionais e normas de conduta entre estados soberanos, Trump passou a punir o Brasil e o Judiciário por haver aplicado a lei contra Bolsonaro e os golpistas do 08/01 de 2023.

Se não bastasse, o mesmo Eduardo Bolsonaro tenta mudar as regras do Congresso Nacional para mantê-lo no mandato, distante 7,3 mil quilômetros, com todas as regalias e ainda como líder da minoria. Caso o ex-presidente inelegível e condenado a 27,3 anos de prisão não obtenha meios de disputar a eleição de 2026, o primeiro nome da fila no bolsonarismo é a esposa dele, Michelle. Nunca na história do Brasil, um ex-presidente lançou a esposa ao cargo que ocupou. Caso único no Brasil: quatro filhos, todos com mandato eletivo; ele e a esposa como empregados do PL, ganhando a bolada de R$ 43 mil cada, por mês, dos cofres púbicos. É preciso, pois, muita democracia para sustentar esse enfrentamento.

A PEC da anistia ampla, geral e irrestrita tem como alvo perdoar, prioritariamente, Bolsonaro, depois o núcleo crucial do projeto golpista e a massa de manobra do 08/01. Já a PEC da Blindagem, que levou centenas de milhares de pessoas às ruas domingo passado, visa proibir abertura de ações criminais contra deputados e senadores sem autorização deles mesmos. Um arranjo colossal e uma aberração jurídica que favorece a corrupção no uso das emendas parlamentes, principalmente as pix. Por coincidência, o PL de Jair Bolsonaro, maior bancada na Câmara, e aliados do Centrão, são totalmente a favor.

Tudo isso está acontecendo no primeiro quarto do século 21, com o Brasil mergulhado numa realidade de atrasos e mazelas seculares. Por onde se olha é visível a marca da imensa desigualdade social, forte cultura do servilismo e do colonialismo, política dominada por corruptos, serviços públicos caóticos e uma elite operando a todo vapor dentro de uma bolha. Todos eles culpam o ministro Alexandre de Moraes e o STF por uma suposta “ditadura do Judiciário”. Motivo: está condenando à prisão, além do ex-presidente, militares de alta patente, parlamentares e milionários envolvidos na política entrelaçada com organizações criminosas ,atuando nas mais diferentes matizes e modus operandi.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista