
Como acontece em todos os estados e o DF, o Maranhão tem duas vagas em disputa no Senado Federal, para as quais já somam quase 10 pré-candidatos. No meio dessa movimentação existem regras que nem todos estão atentos sobre as candidaturas. Até agora apenas o PSOL oficializou seus candidatos majoritários em outubro: Enilton Rodrigues para o Governo do Estado e Antônia Cariongo para o Senado Federal. Já o PSTU lançou o ativista e professor Hertz Dias à Presidência da República, Saulo Arcangeli ao Governo do Maranhão e Zé Batista ao do Ceará. O objetivo é não deixar a esquerda mais radical sem voz na campanha estadual e nacional.
Já os pré-candidatos Orleans Brandão (MDB), Eduardo Braide (PSD) e Felipe Camarão (PT) não concluíram as respectivas chapas majoritárias. O MDB, que lidera uma coligação de 11 partidos, ainda não oficializou o vice de Orleans, nem os candidatos a senador. No grupo estão Roseana Sarney (MDB), Pedro Lucas (UB) e Weverton Rocha (PDT). Especulações apontam que o deputado federal André Fufuca (PP) teria abandonado a base governista. Braide só oficializou a vice, enquanto avalia Duarte Júnior (Avante), Cesar Pires (Novo), Hilton Gonçalo (Mobiliza) e até Roberto Rocha, também filiado ao Novo. Finalmente, o PT de Felipe Camarão não tem ainda o vice e apenas a senadora Eliziane Gama está oficializada para concorrer à reeleição, com o apoio de parte dos petistas, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem é vice-líder no Senado, e de segmentos evangélicos. Os partidos e seus candidatos não atentaram à regra da “candidatura avulsa” ao Senado. Por isso, gera debate sobre a possibilidade de haver candidato sem partido. A legislação prevê que nessa situação, os partidos coligados para o governo podem optar por caminhos diferentes na disputa ao Senado: mantê-la na coligação ou lançar candidaturas individuais. Nesse cenário, um partido pode disputar a eleição com sua própria chapa, apoiar um candidato ao governo de outra coligação e ainda lançar um nome ao Senado de forma isolada. Mas tudo isso dentro de uma estratégia eleitoral com alguma chance. Em entrevista ao programa Band Cidade, da Band Maranhão, segunda-feira, 15, a senadora Eliziane Gama disse que, no PT tem o apoio total do partido, de Lula e da Assembleia de Deus, na qual o seu pai e irmãos são pastores e ela já nasceu evangélica. E destacou sua motivação sobre a candidatura Felipe Camarão ao governo. Sobre candidatos independentes, o TSE decidiu que partidos que compõem a mesma coligação na disputa por um governo estadual podem apresentar mais de um candidato a senador. Assim também, um partido fora de qualquer coligação, ode lançar, individualmente, concorrente ao Senado.
Para os especialistas, as candidaturas individuais ao Senado são um tanto quanto arriscadas. Assim como hoje fica difícil a busca do “voto casado” para o governador e as duas vagas de senador. Em 2022, a coligação que Carlos Brandão e Flávio Dino lideraram para o governo e o Senado, respectivamente, com sete partido coligados e a federação PCdoB-PV-PT), o chamado “casamento de urna” não funcionou plenamente. O governador recebeu 1,7 milhão de votos e o senador, 2,1 milhões. Em 2018, Dino como governador foi reeleito com 1,8 milhão, mas superado por Weverton Rocha, com 1,9 milhão, e Eliziane ficou em 1,5 milhão. Portanto, a disputa pelo Senado é uma autêntica corrida de obstáculos. Precisa estratégias tanto dos partidos coligados ou individualmente, quanto dos próprios candidatos. O Senado Federal está neste ano no centro do embate político como nunca se viu antes. A instituição, historicamente mais discreta que a Câmara dos Deputados, ganhou os holofotes das eleições em razão da polarização ideológica do país. A intenção dos partidos é eleger o maior número possível de senadores alinhados aos campos da direita ou da esquerda, num cenário de completa imprevisibilidade institucional na governabilidade do presidente, da sua relação tensa com o Congresso e este com o Supremo Tribunal, bombardeado pelas decisões de cunho político é obrigado a proferir.