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A distopia do PT na disputa de governador do Maranhão 

Raimundo Borges - Bastidores

O Partido dos Trabalhadores, fundado no Maranhão pelos ativistas Manoel da Conceição, Luiz Vila Nova, Domingos Dutra, Yeda Batista e outros, vive uma de suas crises mais agudas em 2026 no quesito eleição de governador. O único partido do Ocidente a eleger um presidente três vezes pelo voto direto, o mesmo que lidera os cenários para a quarta eleição, porém, no Maranhão, entrou numa espécie de túnel sem luz no fim. Acaba de ganhar Eliziane Gama como sua primeira senadora, mas só tem um deputado federal (Rubens Jr) um suplente batendo ponto na Assembleia Legislativa (José Inácio) e dois prefeitos – Chiquinho FC, de Codó, e Thamara Castro, de Brejo.

Os dois não têm vínculos ideológico com o PT. Chiquinho é empresário da família mais rica da região dos Cocais e apoia agora o deputado Juscelino Rezende, que acaba de assumir o comando do PSDB estadual. Na semana passada, ele colocou a irmã Luanna Rezende no PT, como pré-candidata a deputada estadual. Thamara, por sua vez, é professora do fundamental e Brejo só tem 36 mil habitantes. Significa que o PT maranhense ao longo de sua história não produziu lideranças populares afinadas com seu programa e a veia ideológica. Hoje controla quatro secretarias no governo Carlos Brandão e centenas de cargos.

Dos 69% dos votos que o presidente Lula recebeu no Nordeste em 2022, a participação do Maranhão foi de 71,14%, não só pela força do PT, mas pela coligação liderada pelo PSB de Flávio Dino e Carlos Brandão, eleito governador no 1º turno. Este ano, todo o cenário da eleição passada foi desmanchado por intrigas que envenenaram a relação Dino-Brandão e acabaram por colocar o vice-governador Felipe Camarão (PT) num beco sem saída. Atraiu o grupo de oposição aos Brandão, cujo candidato Orleans Brandão (MDB) trabalha com a imagem de Lula. Os dinistas foram escanteados por Eduardo Braide (PSD), que trabalha para ser o candidato der si mesmo e de mais ninguém.

O presidente Lula já conhece os rolos do PT maranhense e mais uma vez foi vencido pelas circunstâncias etárias do Maranhão. Ao longo de décadas, o PT perdeu a militância sindical e estudantil e envelheceu com Washington Oliveira, Zé Carlos da Caixa, Raimundo Monteiro & Cia. Está na hora de Eliziane Gama assumir o papel de renovadora, a exemplo do Piauí e do Ceará. O vice-governador Felipe Camarão está arrastando uma pré-candidatura ao Palácio dos Leões por pura falta de opção. Lula deu as costas ao imbróglio, mas preocupado com a votação que tem sido decisiva nas suas eleições e nas de Dilma Rousseff no Estado.

Com um histórico oligarquias – uma aniquilando a outra –, a de distopias nas eleições de 2006 já produz farto material para a história política. Em 2006, o governador José Reinaldo rompeu com suas origens no grupo Sarney, apoiou Edson Vidigal (PSDB) no primeiro turno e no segundo foi com Jackson Lago (PDT), que derrotou Roseana Sarney (MDB), a primeira sofrida pelo grupo do ex-presidente José Sarney. Na ocasião, o candidato Lula visitou o Maranhão apenas uma vez em Timon, onde pediu voto para a candidata do PFL, com o PT apoiando Jackson Lago, cassado em 2009 por ação de Roseana no TSE.

Agora, o vice-governador e procurador federal Felipe Camarão, filiado ao PT em 2022, parece com quem está no mato sem cachorro. O seu partido permaneceu no governo Brandão, portanto, não tem motivo para desapoiar Orleans, que inundou o gigantesco encontro de pré-lançamento da candidatura com a imagem do presidente Lula entre ele e o governador Brandão. Agora, numa disputa de vida ou morte contra Flávio Bolsonaro (PL), obviamente que o petista não fará restrição ao uso de sua imagem por um candidato que já aparece até liderando pesquisas sobre a corrida ao Palácio dos Leões, sustentada pelo peso da azeitada máquina estadual.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista