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A corrida aos Leões alcança R$ 33 bilhões

Raimundo Borges - Bastidores

Coincidência? Pode ser, mas a política como ciência social não funciona movida a concomitância ou, ao contrário, a incerteza. É um jogo no qual está provado que a antevisão definida do futuro é o segredo do sucesso. Esta semana, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab lançou, em Recife (PE), o prefeito de São Luís, Eduardo Braide para concorrer ao governo do Maranhão em 2026. Por sua vez, Braide ainda observa o movimento em volta, mas com cuidado de não se precipitar, confirmando. Também, não nega a disposição de aceitar uma missão tão emblemática quanto complexa para qualquer político interessado na cadeira ocupada pelo governador Carlos Brandão.

Talvez haja outra coincidência nessa empreitada rumo ao Palácio dos Leões. A Justiça Eleitoral estabelece o prazo de até 5 de abril de 2026 para governador ou prefeito que desejarem se desincompatibilizar do cargo e concorrer à eleição de 6 de outubro. Portanto, no mesmo dia em que Kassab anunciou na capital pernambucana que Braide será o candidato do PSD ao governo maranhense, o atual inquilino do Palácio dos Leões, Carlos Brandão apareceu inaugurando obras no novo retorno do Olho d’Água e na Raposa, dentro da Ilha Upaon-Açu, ao lado do vice Felipe Camarão (PT), de quem havia meses andava distanciado e sem muita conversa amistosa sobre política.

O local – nova coincidência – é a Ilha de São Luís, reduto eleitoral em que Eduardo Braide foi reeleito com 70,12% dos votos, em 2024. E mais: Brandão inaugurou um grande retorno na mesma Avenida dos Holandeses em que já havia construído o viaduto apelidado de “Bacabeirinha”, via na qual, o prefeito da Capital fez a maior interferência na histórica do trânsito e do urbanismo da cidade. Sem dúvida, as obras que mais o projetaram para a reeleição. Logo, os dois governantes contrataram a mesma empresa urbanística para uma empreitada em se conjuga beleza paisagística com solução viária definitiva que vira cartão de visita também para projetos eleitorais.

Se Brandão for disputar a eleição de senador terá que passar o cargo ao vice Felipe Camarão até 5 de abril de 2026, um jovem de 43 anos, procurador da República e professor de Direito da Ufma. Como candidato pode permanecer no Palácio dos Leões e concorrer à reeleição. Por sua vez, se aceitar o desafio anunciado pelo por Kassab, um dos políticos mais pragmáticos do Brasil, Eduardo Braide, 49 anos, terá que passar o cargo à vice Esmênia Miranda, no mesmo prazo de Brandão. Como 2026 terá eleição presidencial, Felipe Camarão (PT) terá a campanha respaldada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sendo ou não candidato. Já Eduardo Braide é um político de centro e sem identificação com o bolsonarismo.

Nas suas inaugurações em São Luís, Brandão poder ter arrumado uma encrenca à sua volta. Juntou na comitiva tanto gente do PT, PCdoB e PSB, como também os deputados bolsonaristas roxos Yglésio Moisés (PRTB) e o federal Allan Garcez, que assumiu na Câmara como suplente do ministro dos Esportes, André Fufuca, muito próximo de Carlos Brandão. Ao misturar nomes do bolsonarismo, ao petismo e até comunistas do PCdoB, o governador do PSB parece pouco se lixar para a questão ideológica que divide hoje o Brasil, com repercussão nas eleições de 2026 muito mais forte do que se verificou em 2022.

Até quando Brandão vai conseguir se cercar dessa torre de babel ideológica só o futuro dirá. É nesse mesmo futuro que Braide espera para se definir pela proposta de Gilberto Kassab, de tê-lo concorrendo ao Palácio dos Leões, cujo gabinete principal fica a menos de 150 metros onde despacha hoje no Palácio La Ravardière. Teoricamente, como ciência social, a política é o estudo das estruturas de poder e das relações entre as pessoas e compreender como se organiza a sociedade. No caso da disputa do governo maranhense, a Matemática também tem o seu significado político: o orçamento de 2027, se ficar próximo do de 2025, será ao redor de R$ 33,056 bilhões – bolada que qualquer mortal teria o maior prazer em administrar.

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Raimundo Borges
Raimundo Borges Colunista